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Fibras Alimentares: Uma Estratégia Promissora no Controle da Hiperlipidemia

O colesterol, um componente essencial do metabolismo lipídico, é originado tanto da síntese hepática quanto da ingestão dietética. Sua importância reside na síntese de ácidos biliares, vitais para a absorção de nutrientes, e no transporte de lipídios através das lipoproteínas, incluindo LDL-C e HDL-C, que desempenham papéis distintos na saúde cardiovascular. A compreensão do metabolismo lipídico é crucial para abordar a hiperlipidemia, uma condição associada a distúrbios metabólicos que aumentam o risco de doenças cardiovasculares. Tratamentos convencionais, como dieta e medicamentos, são comuns, mas surgem desafios com efeitos adversos e contraindicações. No entanto, alimentos funcionais, como fibras alimentares, mostram promessa na redução de lipídios, destacando-se a necessidade de investigação mais aprofundada sobre sua eficácia e mecanismos de ação.


A fibra alimentar, incluindo variedades solúveis e insolúveis, emerge como um potencial modulador do metabolismo lipídico, demonstrando efeitos benéficos na redução de triglicerídeos e colesterol LDL. Estudos recentes destacam a importância de considerar não apenas a quantidade, mas também o tipo e peso molecular das fibras na busca por terapias anti-hiperlipidêmicas mais eficazes. Ao examinar a relação entre a estrutura das fibras, suas doses e seus efeitos na redução de lipídios, há uma compreensão crescente de como esses compostos podem contribuir para a saúde cardiovascular e para a hiperlidemia.


Fibras e Lipídios


Certos nutracêuticos, como esteróis e estanóis vegetais, extrato de arroz vermelho fermentado, alho, bergamota, extratos de chá verde e várias fibras dietéticas solúveis, como o β-glucano, demonstraram atividade significativa na redução dos níveis lipídicos, embora não atinjam a eficácia das estatinas. O β-glucano, encontrado principalmente na aveia, apresentou resultados promissores em múltiplos estudos, mostrando redução significativa do colesterol total e LDL-C em pacientes hipercolesterolêmicos. Além disso, a combinação de β-glucano de aveia com estanóis vegetais demonstrou aumentar ainda mais o efeito hipolipemiante. Estudos destacaram a importância do peso molecular do β-glucano, com versões de maior peso molecular tendo efeitos mais pronunciados na redução dos lipídios. 


Outros polissacarídeos, como o β-glucano de cevada, e polissacarídeos de cogumelos, também mostraram efeitos hipolipemiantes, sugerindo seu potencial como novos alimentos funcionais. O glucomanano de konjac, outro nutracêutico, demonstrou redução significativa do colesterol sérico e LDL-C em estudos com humanos e primatas. Meta-análises reforçam esses achados, apontando para a eficácia desses nutracêuticos na redução do colesterol e triglicerídeos, destacando seu potencial como adjuvantes no tratamento da hiperlipidemia.


A pectina, um polissacarídeo viscoso presente em frutas e vegetais, demonstra um efeito significativo na redução do colesterol no sangue, com estudos indicando uma relação dose-dependente entre sua ingestão e a diminuição do colesterol total (CT) e do colesterol de lipoproteínas de baixa densidade (LDL-C). Experimentos em hamsters mostraram que a fração do ácido poligalacturônico da pectina é responsável por sua ação redutora do colesterol. 


Além disso, cascas de limão e combinações de pectina com outros compostos, como proteínas de ervilha, foram eficazes na redução do colesterol plasmático. Por outro lado, polissacarídeos de algas marrons, como alginatos e fucoidan, também exibiram atividade hipolipidêmica, reduzindo os níveis de CT, LDL-C e triglicerídeos (TG) em experimentos com ratos. 


Da mesma forma, certos prebióticos, como frutooligossacarídeos (FOS), inulina e amido resistente (RS), demonstraram efeitos benéficos na redução do colesterol e dos triglicerídeos plasmáticos, bem como na melhoria do perfil lipídico. No entanto, embora esses estudos mostrem promessa, são necessárias mais pesquisas, especialmente em humanos, para validar esses efeitos e determinar doses eficazes.


Polissacarídeos como Embalagens Terapêuticas


A abordagem de direcionamento terapêutico utilizando polissacarídeos como embalagem para medicamentos, como pectina, dextrana, goma, alginato, inulina e glucomanano konjac, tem despertado interesse crescente. Essa técnica promissora visa aumentar a biodisponibilidade do medicamento no local alvo, como o fígado, enquanto reduz os efeitos colaterais. Estudos mostraram resultados encorajadores, como o uso de emulsão seca por spray redispersível ultrafina com pectina como transportador para atorvastatina cálcica, que demonstrou efeito anti-hiperlipidêmico aprimorado. 

Além disso, formulações otimizadas, como quitosana modificada com ácido glicirretínico como transportador de atorvastatina, mostraram aumento da concentração plasmática e acúmulo hepático significativamente maior. 


Enquanto isso, as fibras alimentares têm sido estudadas extensivamente por seu potencial na redução dos níveis lipídicos, utilizando mecanismos como a ligação à bile, aumento da viscosidade intestinal e modulação de genes relacionados ao metabolismo lipídico. Embora sejam geralmente consideradas seguras, o consumo excessivo pode causar desconforto intestinal. 


No entanto, apesar das promessas das fibras alimentares como suplementos hipolipemiantes, são necessárias mais evidências clínicas para fortalecer essa proposta e entender completamente seu mecanismo subjacente. Somente com uma compreensão abrangente do mecanismo e da relação de dose de cada tipo de fibra dietética, poderemos aplicá-las de forma eficaz na intervenção de pacientes hiperlipidêmicos.


Prática Clínica


Ao lidar com pacientes com hiperlipidemia, é fundamental reconhecer o papel crucial do colesterol no metabolismo lipídico e na saúde cardiovascular. Ao orientar sobre a dieta, é recomendado enfatizar o consumo de alimentos ricos em fibras alimentares, especialmente variedades solúveis, como β-glucanos encontrados na aveia, e pectina presente em frutas e vegetais. Essas fibras têm demonstrado eficácia na redução dos níveis de colesterol LDL e triglicerídeos, contribuindo para a saúde cardiovascular. Além disso, a combinação de fibras solúveis com outros nutrientes, como esteróis vegetais, pode potencializar seus efeitos hipolipemiantes. No entanto, é essencial lembrar que o consumo excessivo de fibras pode causar desconforto intestinal, portanto, é importante orientar os pacientes sobre a ingestão adequada e monitorar sua tolerância. Essas estratégias nutricionais, aliadas a uma compreensão dos mecanismos de ação dos diferentes tipos de fibras, podem ser fundamentais para um plano de tratamento eficaz da hiperlipidemia.



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Referências



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