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Impacto da qualidade do sono em músculos, emoções e qualidade de vida em adultos com obesidade

A qualidade do sono desempenha um papel essencial em nossa saúde e bem-estar, e seu impacto se torna ainda mais significativo quando consideramos adultos que lidam com a obesidade. Dessa maneira, existe uma interligação entre a qualidade do sono e três aspectos fundamentais da vida de adultos com excesso de peso: a saúde muscular, o estado emocional e a qualidade geral de vida.                                 



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A Importância do Sono na Saúde e Bem-Estar

Assim, o sono influencia não apenas nossa disposição física, mas também nossa saúde mental e emocional, bem como a capacidade de desfrutar plenamente da vida. Recentemente, pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo (USP), publicaram na revista Scientific Reports o estudo “Sleep quality is a predictor of muscle mass, strength, quality of life, anxiety and depression in older adults with obesity”. 

Esse estudo desejou investigar associações entre a qualidade do sono com parâmetros quantitativos e qualitativos de saúde em idosos com obesidade. O sono é reconhecido como um determinante crítico da saúde e bem-estar em populações distintas, dessa forma, o estudo constatou quantidades insuficientes são comuns em indivíduos mais velhos, e tem sido associado a deficiência física, entre outros problemas de saúde. De fato, a privação do sono induz resistência anabólica e um ambiente pró-catabólico.

O Sono e a Saúde Muscular

Vale ressaltar, ainda, que os efeitos adversos da má qualidade do sono podem exacerbar um cenário resistente ao anabolismo, comumente observado em adultos mais velhos com obesidade, o que pode ainda contribuir para distúrbios na composição corporal. Por exemplo, a associação entre obesidade e sarcopenia, fraqueza muscular e má qualidade de vida.  

Entretanto, os distúrbios do sono podem se sobrepor à obesidade em relação aos seus efeitos prejudiciais. Por isso, é necessário entender que a sua má qualidade pode estar associada a menor massa magra, a incapacidade física e a qualidade de vida ruim em adultos e idosos obesos.

Além disso, o estudo demonstrou a correlação entre sono reparador, composição corporal, força muscular, saúde mental e qualidade de vida em adultos e idosos obesos. Pacientes com a qualidade comprometida exibiram menor massa magra e maior índice de gordura corporal, além de pontuações mais baixas em saúde mental e física, ansiedade e depressão.

Ainda, a perda de sono cronicamente é reconhecida por influenciar negativamente os resultados fisiológicos. Por exemplo, o sono prejudicado reduz a expressão de hormônios anabólicos como GH, IGF-1 e testosterona. Além disso, ele é capaz de aumentar a produção de moléculas com potencial catabólico, promovendo um cenário prejudicial à síntese proteica muscular.

De fato, uma única noite de privação de sono é suficiente para promover uma redução de 18% na síntese proteica muscular, indicando precursores mecanicistas que conduzem à disfunção metabólica de mudanças na composição corporal, como redução massa corporal magra. 

Sono e Obesidade

Esses resultados são ainda corroborados pelo estudo “The effect of sleep restriction, with or without high-intensity interval exercise, on myofibrillar protein synthesis in healthy young men”, publicado em 11 de Março de 2020, no The Journal of Physiology, onde demonstrou que uma restrição de sono de 5 dias (4h na cama/noite) reduziu a síntese proteica muscular em aproximadamente 19%. 

E ainda, no contexto de dieta, a redução de 3 horas total resultou em maior perda de massa magra durante a restrição calórica moderada em adultos com sobrepeso quando comparada à ingestão calórica com restrição sozinha.

Tirar 3h de sono, é mais nocivo a massa muscular do que uma dieta com restrição calórica!

Sono e Saúde Psicológica

Por fim, a obesidade e falta de sono reparador também podem afetar negativamente a saúde psicológica, incluindo alterações estruturais no cérebro. Com isso, há risco aumentado para doenças psiquiátricas e isso pode ser agravado pela presença de distúrbios do sono, trazendo importantes implicações na qualidade de vida. 

Os achados do estudo corroboram esses dados, mostrando piores pontuações em ansiedade, depressão e qualidade de vida em pessoas que dormem mal, sugerindo que a qualidade do sono pode aumentar o risco de transtornos psiquiátricos, como também distúrbios e prejuízos na qualidade de vida em adultos e idosos obesos.

Como investigar a qualidade de sono?

Há uma ferramenta validada que joga do seu lado. O nome dela é RU SATED. O estudo Sleep Health as Measured by RU SATED: A Psychometric Evaluation, publicado em Janeiro de 2021 pela revista Behavioral Sleep Medicine, exemplifica que a ferramenta consiste em uma série de questionários e escalas que abordam diferentes áreas relacionadas ao sono, incluindo qualidade, cronotipo (preferência de horário), higiene do sono, duração, distúrbios do sono, sonolência diurna e impacto na vida diária. 

Então, é solicitado ao paciente a responder a uma série de perguntas e escalar suas respostas de acordo com suas experiências pessoais. Os dados coletados são então analisados ​​e pontuados em um Score, fornecendo uma avaliação objetiva dos diferentes aspectos da saúde do sono do indivíduo. Essa avaliação detalhada pode ajudar a identificar problemas específicos do sono e fornecer insights valiosos para o desenvolvimento de estratégias de intervenção e tratamento personalizadas.

Dessa forma, as perguntas feitas para o paciente são: 

  1. Você se sente satisfeito com seu sono?

  2. Você fica acordado o dia todo sem tirar cochilos?

  3. Você dorme, ou tenta dormir, entre 2h e 4h da madrugada?

  4. Você passa menos de 30 minutos acordado à noite? (Isso inclui o tempo que leva para adormecer e o despertar do sono)

  5. Você dorme 6-8h por dia?

As respostas podem variar de raramente-nunca, às vezes e sempre. Com pontuação respectivamente de zero, um e dois. Para interpretar o Score, quanto mais perto da pontuação 10 melhor é o sono do paciente na sua frente. 

Prática Clínica

Todos nós sabemos, o paciente deseja perder peso e mudar a composição corporal, mas o mesmo indivíduo janta tarde e quando deita para dormir fica rolando os feeds das redes sociais na cama. Esses dois são os principais fatores da higiene do sono. 

Por isso, oriente o seu paciente a fazer a última refeição do dia de 3-2h antes de dormir, pois há relação fisiológica entre insulina e melatonina onde os dois não trabalham de maneira sinérgica e congruente. Uma alimentação perto de deitar-se provoca picos de insulina que atrapalham o bom funcionamento da melatonina, hormônio importante que regula o sono e o ciclo circadiano. 

Por outro lado, a exposição a telas pouco antes de se deitar ou até mesmo na cama é um veneno para quem deseja dormir um sono reparador. Pois a luminosidade da tela na retina induz o nosso cérebro a manter-se acordado e desperto. E claro, banhos quentes e relaxantes, bebidas como chás fitoterápicos calmantes, suplementos com qualquer forma de magnésio, triptofano e a própria melatonina convergem para uma boa noite de sono. 

Referencias Bibliográficas

Sugestão de Leitura: Magnésio e Sono: Há relações?

GENARIO, Rafael; GIL, Saulo; OLIVEIRA-JðNIOR, Gersiel; LEITÃO, Alice Erwig; FRANCO, Tathiane; SALES, Ruan Célio dos Santos; FERRIOLLI, Eduardo; BUSSE, Alexandre Leopold; JACOB FILHO, Wilson; GUALANO, Bruno. Sleep quality is a predictor of muscle mass, strength, quality of life, anxiety and depression in older adults with obesity. Scientific Reports, [S.L.], v. 13, n. 1, p. 1, 12 jul. 2023. Springer Science and Business Media LLC. 

SANER, Nicholas J.; LEE, Matthew J.‐C.; PITCHFORD, Nathan W.; KUANG, Jujiao; ROACH, Gregory D.; GARNHAM, Andrew; STOKES, Tanner; PHILLIPS, Stuart M.; BISHOP, David J.; BARTLETT, Jonathan D.. The effect of sleep restriction, with or without high‐intensity interval exercise, on myofibrillar protein synthesis in healthy young men. The Journal Of Physiology, [S.L.], v. 598, n. 8, p. 1523-1536, 11 mar. 2020. Wiley.

RAVYTS, Scott G.; DZIERZEWSKI, Joseph M.; PEREZ, Elliottnell; DONOVAN, Emily K.; DAUTOVICH, Natalie D.. Sleep Health as Measured by RU SATED: a psychometric evaluation. Behavioral Sleep Medicine, [S.L.], v. 19, n. 1, p. 48-56, 12 dez. 2019. Informa UK Limited.

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