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Impacto de dieta vegetariana durante a gravidez

O aumento de mulheres que adotam dieta vegetariana ou vegana levantou preocupações sobre possíveis riscos durante a gravidez. De acordo com a American Dietetic Association, dietas vegetarianas bem planejadas são seguras para todas as faixas etárias e em todas as condições fisiológicas. Assim, isso inclui a infância, adolescência, gravidez e lactação. No entanto, o efeito das dietas vegetarianas ou veganas na antropometria fetal difere consideravelmente entre os estudos. 


Tabela de conteúdos

Dieta vegetariana na Literatura com desfechos negativos

Muitos estudos encontraram correlação positiva entre o peso ao nascer e a ingestão materna de certos alimentos, como leite, frutas e vegetais de folhas verdes. Uma revisão incluiu artigos que avaliaram a dieta por meio do questionário de frequência alimentar (QFA) e estudaram a associação entre diferentes padrões alimentares e peso corporal. Dessa forma, os autores rotularam os padrões associados positivamente ao peso corporal como “densos em nutrientes”, “ricos em proteínas”, “conscientes da saúde” e “Mediterrâneos”. Os autores rotularam aqueles negativamente associados ao peso corporal como “ocidentais”, “processados”, “vegetarianos”, “transitórios” e “produtos de trigo”.


Por outro lado, padrões alimentares como “ocidentais” e “produtos de trigo” também apresentaram associação com maior risco de bebês pequenos para a idade gestacional (PIG). Ademais, um padrão “tradicional” na Nova Zelândia foi inversamente associado a ter um bebê PIG. 


Outros achados indicaram uma associação entre dieta vegetariana e menor crescimento fetal durante o segundo trimestre. Assim, os bebês nascidos de vegetarianos do sul da Ásia apresentaram peso ao nascer, perímetro cefálico e comprimento menores, mesmo após ajuste para altura materna, duração da gestação, paridade, sexo dos bebês e hábitos de tabagismo.


Uma revisão sistemática estudou as associações do consumo de frutas e vegetais durante a gravidez com o peso ao nascer do bebê ou nascimentos de pequenos para a idade gestacional. Estes dados identificaram evidências limitadas de uma associação positiva entre o consumo de frutas e vegetais durante a gravidez e o peso ao nascer.

Dieta vegetariana na Literatura com desfechos positivos

Noutro giro, um estudo de caso-controle envolveu 787 mulheres grávidas e avaliou o consumo de frutas e vegetais durante a gravidez por meio de QFA (entrevista presencial). Os autores relataram que mulheres com menor consumo de vegetais durante o primeiro trimestre tiveram maior incidência de PIG e nenhuma associação foi encontrada entre o consumo de frutas e os resultados do parto.


Quatro coortes multiétnicas de nascimentos no Canadá (a Aliança NutriGen), envolvendo 3.997 pares de neonatos a termo e mães, avaliaram os padrões alimentares por meio do QFA. Um padrão alimentar baseado em vegetais entre os europeus brancos mostrou uma associação inversa com o peso ao nascer e um aumento no risco de PIG. Sem ajuste para os métodos de cozimento (entre os sul-asiáticos), uma dieta baseada em vegetais materna mostrou associação com um peso ao nascer mais elevado.


Prática clínica

A relevância clínica destes dados é no mínimo duvidosa e a heterogeneidade dos resultados sugere a presença de fatores de confusão.

Dada a heterogeneidade, não existem evidências robustas o suficiente para recomendar ou não a utilização de dietas vegetarianas e veganas durante a gravidez tendo em vista o desenvolvimento fetal.


Referências

SEBASTIANI, Giorgia; BARBERO, Ana Herranz; BORRÁS-NOVELL, Cristina; CASANOVA, Miguel Alsina; ALDECOA-BILBAO, Victoria; ANDREU-FERNÁNDEZ, Vicente; TUTUSAUS, Mireia Pascual; MARTÍNEZ, Silvia Ferrero; ROIG, María Gómez; GARCÍA-ALGAR, Oscar. The Effects of Vegetarian and Vegan Diet during Pregnancy on the Health of Mothers and Offspring.Nutrients, [S.L.], v. 11, n. 3, p. 557, 6 mar. 2019. MDPI AG.


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