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Imunonutrição Esportiva: Suplementos para Otimizar o Sistema Imunológico de Atleta

O sistema imunológico desempenha um papel vital na prevenção e eliminação de infecções, remoção de células mortas, promoção do reparo tecidual e inibição do crescimento de células defeituosas. Sua atuação é complexa, envolvendo uma variedade de células interagindo em conjunto.


Sistemas de Imunidade do Organismo


Sistema inato: é a primeira linha de defesa do nosso organismo contra a entrada de micro-organismos estranhos, entrando em ação nas primeiras 12 horas. Ele é composto por uma variedade de componentes, incluindo o epitélio, mucosas, barreiras ácidas, lisozimas, macrófagos, neutrófilos, células Natural Killer e o Sistema Complemento. Essa resposta inicial é crucial para estabelecer uma defesa primária.


Quando os macrófagos atuam como células apresentadoras, transportam os invasores para os Linfócitos B, onde uma parte se transforma em células de memória e outra parte em anticorpos. Por outro lado, quando os invasores são levados para os Linfócitos T, temos os TCD4+ atuando como auxiliares e os TCD8+ como citotóxicos, desempenhando papéis essenciais na resposta imunológica adaptativa.


Sistema adquirido: Esse sistema, também conhecido como sistema imunológico adaptativo, complementa o Sistema Inato na defesa do organismo contra ameaças microbianas. Enquanto o Sistema Inato oferece uma resposta rápida e geral na primeira linha de defesa, o sistema imunológico adaptativo fornece uma resposta mais específica e direcionada, especialmente contra agentes patogênicos que conseguiram superar as defesas iniciais.


Nesse contexto, os Linfócitos B e T desempenham papéis cruciais. Os Linfócitos B são responsáveis pela produção de anticorpos específicos que se ligam aos antígenos, como bactérias e vírus, marcando-os para destruição pelo Sistema Inato ou diretamente neutralizando sua atividade. Enquanto isso, os Linfócitos T, incluindo os TCD4+ e TCD8+, coordenam diferentes aspectos da resposta imune adaptativa. Os TCD4+ atuam como auxiliares, auxiliando na ativação dos Linfócitos B e TCD8+, bem como na regulação da resposta imune, enquanto os TCD8+ funcionam como células citotóxicas, destruindo células infectadas pelo vírus ou células cancerosas.


A Importância da Nutrição e do Exercício no Sistema Imunológico


Para avaliar a resposta do organismo a infecções ou agressões, é fundamental examinar os níveis de imunoglobulinas. Cada tipo de imunoglobulina desempenha funções específicas na defesa imunológica: o IgE está associado a alergias e infecções parasitárias, o IgA está ligado às mucosas, enquanto o IgM e o IgG atuam no sistema complemento. Para garantir o funcionamento adequado dessas células, é crucial evitar déficit calórico, pois isso pode levar à imunodepressão. Mesmo um déficit calórico leve pode afetar negativamente a função imunológica.


O exercício físico também pode influenciar o sistema imunológico. Quando integrado a um treinamento controlado, pode até auxiliar no fortalecimento do sistema imunológico. No entanto, em casos de adaptação a um treino de alta intensidade, especialmente se o indivíduo não estiver habituado, podem ocorrer alterações negativas no sistema imunológico, resultando em imunodepressão. Isso é explicado pelo conceito de "janela imunológica": após um período de exercício intenso, geralmente cerca de 24 horas, o indivíduo fica mais vulnerável a essas alterações negativas.


Além disso, o exercício físico desencadeia a liberação de citocinas, que são moléculas essenciais na comunicação celular durante as respostas imunológicas. Essas citocinas podem ser pró-inflamatórias (IL-1, IL-6, TNF-a e INFY) ou anti-inflamatórias (IL-10, IL-1Ra, IL-4 e IL-8). Para potencializar essas respostas inflamatórias, a curcumina surge para melhorar a resposta imune, apesar de sua baixa biodisponibilidade. No entanto, quando combinada com a piperina, presente na pimenta-do-reino, a curcumina se torna mais disponível e proporciona um efeito crônico, melhorando a resposta imune de forma geral.


Impacto dos Probióticos, Exercício Físico e Glicemia


No intestino, os probióticos representam células originárias de micro-organismos, podendo estar vivas ou inativas, promovendo o fortalecimento da nossa mucosa intestinal. Em estudos envolvendo corredores, observou-se uma melhora nos sintomas de infecções oportunistas em corredores de alta performance. No entanto, essa suplementação deve ser administrada de forma crônica.


De acordo com a curva em formato de "J", a prática moderada e constante de atividade física está associada à redução de infecções oportunistas do trato respiratório superior. Por outro lado, atividades físicas intensas tendem a aumentar tais infecções.


Além disso, a manutenção da glicemia é fundamental para o funcionamento adequado do sistema imunológico. Durante o exercício físico, a redução da glicemia "sequestra" a glutamina do sistema imunológico para a produção de glicose. Portanto, a queda na concentração plasmática de glutamina durante o exercício deve ser corrigida com alimentação adequada. 


Os suplementos devem ser considerados apenas quando alternativas alimentares não estão disponíveis. Adicionalmente, a manutenção da glicemia adequada promove a preservação das células TCD4+ e TCD8+, resultando em uma proliferação mais eficiente dos linfócitos e, consequentemente, melhorando a função imunológica global. Para que a suplementação de glutamina seja eficaz no sistema imunológico, é crucial que a glicemia esteja estabilizada; caso contrário, a glutamina será utilizada para a produção de glicose. Por fim, é importante notar que pacientes imunodeprimidos não podem permitir quedas na glicemia.


No contexto do combate às infecções, é crucial suprimir a concentração de cortisol, aumentar a glicemia e elevar a concentração de glutamina. Quando consideramos a distinção entre exercício moderado e de alta intensidade, o exercício moderado mostra-se mais eficaz na resolução de infecções por microrganismos intracelulares, enquanto o de alta intensidade aumenta a suscetibilidade a infecções por esses microrganismos.


Um aspecto que merece atenção é o Overtraining, caracterizado pela inadequação na alimentação ou déficit calórico superior a 500 kcal/dia. Para reverter esses casos, é essencial focar na manutenção da glutaminemia e no consumo adequado de carboidratos. Nos músculos, há uma grande concentração de miocinas que atuam inibindo a inflamação. Essa resposta é desencadeada exclusivamente pelo exercício físico, que gera glutamina a partir da ingestão de carboidratos e proteínas na alimentação, além de produzir IL-6 como parte da resposta pró-inflamatória. Dessa forma, o exercício exerce um efeito imunomodulador, mantendo a glicemia dentro de parâmetros normais.


É importante destacar que nosso sistema imunológico não opera isoladamente, mas em colaboração com o sistema endócrino e neuromuscular.


Prática Clínica


Um programa abrangente de saúde deve considerar a interação entre nutrição, exercício físico e sistema imunológico. Oferecer consultas integradas com profissionais de saúde, como nutricionistas e personal trainers, pode ajudar os pacientes a alcançar um estado ótimo de saúde. Incentive a prática de exercícios moderados e uma alimentação balanceada para fortalecer o sistema imunológico e prevenir doenças. Além disso, eduque os pacientes sobre a importância de manter a glicemia estável e evite o overtraining, garantindo uma abordagem holística para promover o bem-estar imunológico.


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Sugestão de estudo: O que é imunonutrição ?



Sugestão de estudo: Nutrição na Mulher Atleta


Referências Bibliográficas


ROGERI, Patricia S.; GASPARINI, Sandro O.; MARTINS, Gabriel L.; COSTA, L. K. F.; ARAUJO, Caue C.; LUGARESI, Rebeca; KOPFLER, Mariana; LANCHA, Antonio H.. Crosstalk Between Skeletal Muscle and Immune System: which roles do il-6 and glutamine play?. Frontiers In Physiology, [S.L.], v. 11, p. 1, 16 out. 2020. Frontiers Media SA.

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