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Interação entre Exercício Físico e Microbiota Intestinal

O exercício físico previne contra várias doenças crônicas e a microbiota intestinal pode estar envolvida em muitos desses efeitos benéficos. Entretanto, algumas diferenças específicas devem ser consideradas com base nas várias formas de se praticar exercícios: frequência, modo ou intensidade do exercício e as peculiaridades do treinamento aeróbico ou exercício resistido.

A exemplo do papel de atividades específicas de treinamento, foi observada uma relação inversa entre a qualidade e a natureza da atividade física e a quantidade de ácidos biliares fecais, e essa correspondência se torna mais forte à medida que a atividade física se intensifica. Este é um exemplo específico de como a frequência, o modo ou a intensidade do exercício podem afetar a microbiota intestinal (RINNINELLA et al, 2019 ). O perfil e a concentração relativa de ácidos biliares individuais podem desempenhar um papel no favorecimento de populações microbianas específicas.



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Exercício físico e Microbiota intestinal na Literatura

A atividade física regular influencia o eixo intestino/cérebro, resultando em um estado imunorregulador anti-inflamatório. Além de que por reduzir o tempo transitório de evacuação e, portanto, o tempo de contato entre os patógenos e a camada de muco gastrointestinal, o exercício de baixa intensidade pode ajudar a reduzir o risco de câncer de cólon, diverticulose e doenças inflamatórias intestinais em indivíduos submetidos a sessões regulares de treinamento (SANTACROCE et al, 2021 ).

Foi observado que o exercício resistido resulta em uma diminuição transitória do fluxo sanguíneo visceral (até 80% dos níveis basais) com potenciais alterações subsequentes na morfologia e fisiologia dos tecidos intestinais (MAILING et al, 2019). Essa redução depende do aumento da resistência arterial no leito vascular visceral, secundária à maior ativação do sistema nervoso simpático. Assim, quando o exercício físico é excessivamente prolongado, o aumento da permeabilidade intestinal pode favorecer a translocação bacteriana do cólon com um risco subsequente associado de problemas gastrointestinais. Daí uma das várias associações entre esportes de longa duração e complicações gastrointestinais.

Um denominador comum do perfil microbiano em pessoas que praticam atividade física de forma regular é a composição da microbiota por bactérias tidas como “boas”. Essas bactérias “boas” estão associadas a uma maior produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC). Os AGCCs produzidos pela microbiota podem ativar a quinase dependente de AMP (AMPK), um regulador do metabolismo energético nas células musculares. Essa população bacteriana “boa” varia de acordo com o tipo de modalidade de exercício. 

Além disso, uma presença aumentada de Veillonella spp. e uma cepa particular de V. atypica foi observada em amostras de fezes de um grupo de corredores de maratona (SCHEIMAN et al, 2019). Já o filo Bacillota e F. prausnitzii spp. foram particularmente representados em atletas em um estudo observacional transversal feito com atletas profissionais de rugby (CLARKE et al, 2014).

Prática Clínica

As evidências demonstram que o treinamento regular, juntamente com adequação dietética e uma diversidade microbiana intestinal específica, podem contribuir de maneira significativa para a plena capacidade de performar fisicamente.

Nesse contexto, em casos de prescrição de probióticos, é necessário adequação ante as variações ocasionadas pelas diferentes práticas de exercício físico na microbiota intestinal. Podendo ser mais interessante uma abordagem com prebióticos, devido a complexidade individual do perfil microbiano. 

Referências Bibliográficas

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MAILING, Lucy J.; ALLEN, Jacob M.; BUFORD, Thomas W.; FIELDS, Christopher J.; WOODS, Jeffrey A.. Exercise and the Gut Microbiome: a review of the evidence, potential mechanisms, and implications for human health. Exercise And Sport Sciences Reviews, [S.L.], v. 47, n. 2, p. 75-85, abr. 2019. Ovid Technologies (Wolters Kluwer Health). http://dx.doi.org/10.1249/jes.0000000000000183.

RINNINELLA, Emanuele; RAOUL, Pauline; CINTONI, Marco; FRANCESCHI, Francesco; MIGGIANO, Giacinto; GASBARRINI, Antonio; MELE, Maria. What is the Healthy Gut Microbiota Composition? A Changing Ecosystem across Age, Environment, Diet, and Diseases. Microorganisms, [S.L.], v. 7, n. 1, p. 14, 10 jan. 2019. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/microorganisms7010014.

SANTACROCE, Luigi et al. Current knowledge about the connection between health status and gut microbiota from birth to elderly. A narrative review. Frontiers In Bioscience-Landmark, [S.L.], v. 26, n. 6, p. 135, 2021. IMR Press. http://dx.doi.org/10.52586/4930.

SCHEIMAN, Jonathan; LUBER, Jacob M.; CHAVKIN, Theodore A.; MACDONALD, Tara; TUNG, Angela; PHAM, Loc-Duyen; WIBOWO, Marsha C.; WURTH, Renee C.; PUNTHAMBAKER, Sukanya; TIERNEY, Braden T.. Meta-omics analysis of elite athletes identifies a performance-enhancing microbe that functions via lactate metabolism. Nature Medicine, [S.L.], v. 25, n. 7, p. 1104-1109, 24 jun. 2019. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1038/s41591-019-0485-4.

CLARKE, Siobhan F; MURPHY, Eileen F; O’SULLIVAN, Orla; LUCEY, Alice J; HUMPHREYS, Margaret; HOGAN, Aileen; HAYES, Paula; O’REILLY, Maeve; JEFFERY, Ian B; WOOD-MARTIN, Ruth. Exercise and associated dietary extremes impact on gut microbial diversity. Gut, [S.L.], v. 63, n. 12, p. 1913-1920, 9 jun. 2014. BMJ. http://dx.doi.org/10.1136/gutjnl-2013-306541.

Sugestão de Leitura: Microbiota

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