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Jejum Intermitente: Bom pra quem?

Estima-se que 38% da população adulta terá sobrepeso e 20% será obesa até 2030. A obesidade é uma doença caracterizada por um acúmulo excessivo de gordura que se origina quando a ingestão é maior que o gasto energético, desencadeando assim um desequilíbrio energético que se expressa fenotípicamente na forma de excesso de gordura corporal. No entanto, genes, hormônios e química desempenham importante papel no ganho de peso quanto ao comportamento do paciente com sobrepeso ou obesidade. 

Além disso, existem diferentes formas de classificar os tipos de obesidade: de acordo com a causa (obesidade genética ou ambiental, índice de massa corporal (IMC) (sobrepeso grau I-II, obesidade tipo I-IV) e de acordo com a distribuição da gordura corporal (obesidade andróide, ginóide ou generalizada). Sendo importante salientar que a patologia está associada ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e maior mortalidade. 



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Tratamento Convencional da Obesidade 

Os pilares básicos para a prevenção e tratamento precoce da obesidade são as mudanças no estilo de vida, exigindo a adoção de hábitos alimentares saudáveis, além da prática regular de atividade física para evitar o sedentarismo. Sendo que, a maioria das diretrizes recomenda como tratamento a dieta hipocalórica clássica, que consiste na restrição de 500 a 1.000 kcal/dia com o objetivo de reduzir o peso corporal em 5 a 10% em um período de 6 meses, com perda de 0,5 a 1 kg/semana. 

Ademais, a distribuição recomendada de macronutrientes do total do valor calórico seria de 45 a 55% na forma de carboidratos, 15 a 25% de proteínas e 25 a 35% de gordura (15 a 20% de gordura monoinsaturada). Associada a uma ingestão de 20 a 40 g/dia de fibras por dia.

Tipos de Jejum Intermitente

Nos últimos anos, surgiu um método alternativo à dieta hipocalórica e à restrição calórica contínua, que tem demonstrado a capacidade de alcançar objetivos nutricionais semelhantes aos anteriores no que diz respeito à perda de peso e melhoria do estado de saúde. É chamado de jejum intermitente (JI), no qual os indivíduos inibem a ingestão calórica por períodos superiores a 12 h/dia. 

Contudo, existem vários tipos de regimes de JI, sendo que entre eles está o jejum em dias alternados, jejum periódico (também chamado de dieta 5:2), alimentação com restrição de tempo e jejum religioso ou espiritual (Ramadã). Ou seja, o jejum em dias alternados, consiste em dias de jejum alternados em que apenas 25% das calorias diárias necessárias são consumidas com ingestão de alimentos ad libitum (a depender da vontade do paciente) ou sem restrições durante os dias restantes. Já o jejum periódico ou a dieta 5:2 inclui 5 dias de padrão alimentar habitual ou ad libitum e 2 dias de jejum por semana em que um máximo de 500 e 600 kcal por dia é geralmente consumido em mulheres e homens, respectivamente.  Finalmente, o jejum religioso ou espiritual (Ramadã) envolve um período de jejum diário entre 12 e 16 horas. 

Jejum Intermitente na Metanálise 

No geral, as dietas baseadas em jejum intermitente foram associadas a maior perda de peso em quatro estudos e redução semelhante na circunferência da cintura em um estudo, em comparação com a restrição energética contínua. Além disso, a massa gorda tende a diminuir mais nos grupos JI, no entanto, a perda de massa magra e muscular foi semelhante em ambos os grupos. 

Já, no que se trata de parâmetros bioquímicos, apenas três estudos observaram diferenças significativas nas variáveis do perfil lipídico, principalmente nos grupos JI. Por fim, o triglicérides (TG) diminuiu significativamente no grupo intermitente no início da intervenção, enquanto a partir da oitava semana houve um aumento e no segundo estudo, uma queda pronunciada de TG plasmático em indivíduos que realizaram JI.

Qual o tempo para o Jejum Intermitente?

Outro ponto que está tomando linhas de frente de pesquisa está associado à duração do tempo de jejum. A recomendação ainda segue sendo de, pelo menos, 12 horas por ser o tempo necessário para iniciar a lipólise no tecido adiposo, ou seja, muda-se o metabolismo da síntese de lipídios e armazenamento de gordura para a mobilização desta como uma forma de gerar cetonas derivadas de ácidos graxos, as quais serão usadas como combustível energético. A partir disso,  pode-se esperar uma melhora da resistência à insulina, alterações nos níveis de adipocinas e redução da massa gorda. 

Jejum Intermitente e Parâmetros Bioquímicos 

Assim como as dietas com restrição calórica, o jejum intermitente é eficaz na melhora dos níveis circulantes de colesterol total, LDL e TG, mas não HDL, havendo estudos que apontam o jejum prolongado como propensos ao aumento dos níveis de HDL. No mais, são reparados diversos efeitos benéficos nos indicadores cardiometabólicos. 

Dessa forma, sugere-se que os mecanismos subjacentes responsáveis pelos efeitos do JI na lipidemia estão relacionados à adaptação metabólica ao jejum.  Visto que durante o jejum, a concentração de glicose diminui e as reservas de glicogênio no fígado são consumidas, ativando a gliconeogênese e a oxidação de ácidos graxos. Quando os estoques de glicose estão esgotados, o corpo começa a usar cetonas que surgem da transformação de ácidos graxos liberados pelos adipócitos no processo de lipólise. Esses processos metabólicos resultam em perda de peso e melhora na concentração de lipídios plasmáticos, além de maior resistência ao estresse, lesões e doenças degenerativas. 

Prática Clínica 

Portanto, fica claro que o jejum intermitente é uma ótima estratégia para diminuir o consumo calórico e também trabalhar a flexibilidade metabólica do paciente. Sua aplicação pode ser em dias alternados ou não, com o tempo variando entre 12 a 16 horas. Além disso, é importante que durante as janelas de alimentação seja ofertado a quantidade calórica necessária de acordo com as necessidades individuais do paciente, bem como macronutrientes e micronutrientes racionalizados da maneira mais saudável possível. 

Sendo importante salientar que o JI não é superior a nenhum outro déficit calórico no que se trata da perda de peso. Porém, por atuar como um estressor leve, tende a aumentar a plasticidade metabólica e atuar prolongando a expectativa de vida e melhorando doenças como diabetes mellitus tipo 2, cardiovasculares e distúrbios neurológicos como Alzheimer e Parkinson.  

Contudo, pesquisas adicionais devem examinar se a dieta intermitente afeta os hormônios do apetite desfavoravelmente em estudos de longo prazo e se os traços comportamentais influenciam a tolerabilidade individual da restrição intermitente de energia.

Referências Bibliográficas 

Assista ao vídeo na plataforma da Science Play: Jejum intermitente x restrição calórica: qual a melhor para o esporte

Enríquez Guerrero A, San Mauro Martín I, Garicano Vilar E, Camina Martín MA. Effectiveness of an intermittent fasting diet versus continuous energy restriction on anthropometric measurements, body composition and lipid profile in overweight and obese adults: a meta-analysis. Eur J Clin Nutr. 2021 Jul;75(7):1024-1039. doi: 10.1038/s41430-020-00821-1. Epub 2020 Dec 9. PMID: 33293678.

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