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Kisspeptina: O que é e qual sua função?

A descoberta da kisspeptina como um fator central crítico na regulação da liberação de GnRH (hormônio liberador de gonadotropina) foi de grande importância para o entendimento da regulação neuroendócrina na reprodução humana. Ela ativa a via de sinalização ao se ligar ao seu receptor, o receptor de kisspeptina (KISS1R), promovendo a secreção de GnRH e, assim, regulando o eixo hipotálamo-hipófise-gônada (HPG).


Estudos recentes revelaram que os neurônios de kisspeptina localizados no núcleo arqueado (ARC) coexpressam neurocinina B (NKB) e dinorfina (Dyn), formando os chamados neurônios KNDy. Esses neurônios desempenham um papel crucial no feedback positivo e negativo do estrogênio na secreção de GnRH. Além disso, ela é essencial para a iniciação da puberdade e regula processos como o desenvolvimento folicular, a maturação de oócitos e a ovulação no sistema reprodutivo feminino, por meio do eixo HPG.


Tabela de conteúdos

O que é a Kisspeptina? 

A kisspeptina é um neuropeptídeo descoberto em 1996. Curiosamente, mais tarde revelou-se que ela originalmente estava associada à metástase do câncer, mas é um regulador-chave da reprodução. Ela atua ativando o receptor de kisspeptina, através do qual desencadeia uma série de eventos que influenciam o sistema reprodutivo.


O gene KISS1 foi primeiramente encontrado por Lee e colaboradores enquanto estudavam diferentes habilidades metastáticas de células de melanoma humano. Diante disso, o nome do gene foi inspirado no local de sua descoberta, onde era produzido o chocolate Hershey’s chamado “kisses”.


A kisspeptina age por meio do receptor acoplado à proteína G, GPR54, e é parte fundamental da regulação do eixo HPG. Sua ação ocorre antes do GnRH, controlando a secreção de LH e FSH. Além do papel no hipotálamo, ela também tem efeitos diretos nas gônadas, atuando de forma autócrina-parácrina. Em mulheres, a kisspeptina regula negativamente o desenvolvimento folicular pré-antral e aumenta a maturidade dos oócitos. Nos homens, a kisspeptina está associada à espermatogênese, embora seu papel detalhado ainda não seja completamente compreendido. 


Função da Kisspeptina na regulação da reprodução

A função primordial da kisspeptina é a regulação do eixo hipotálamo-hipófise-gônada (HPG), um complexo sistema de controle hormonal associado à reprodução. A kisspeptina atua como um verdadeiro maestro nesse processo. Em particular, ela desempenha um papel central na secreção do hormônio liberador de gonadotropina (GnRH), um hormônio-chave que desencadeia a liberação de hormônios sexuais, como o hormônio luteinizante (LH) e o hormônio folículo-estimulante (FSH).


Estes hormônios são fundamentais para o funcionamento dos órgãos reprodutivos masculinos e femininos. Um dos achados mais interessantes é que a kisspeptina está envolvida no controle da puberdade. Ela sinaliza quando é a hora certa para o corpo entrar na fase reprodutiva, iniciando o desenvolvimento sexual.


Além disso, a kisspeptina também desempenha um papel importante na reprodução feminina, influenciando o desenvolvimento dos folículos ovarianos, a maturação dos óvulos e a ovulação. Na reprodução masculina, a kisspeptina regula a função das células de Leydig, envolvidas na produção de testosterona, além de afetar a espermatogênese e a função dos espermatozoides. Além disso, ela desempenha um papel nos comportamentos reprodutivos, como a monta, impulso e ejaculação.


Desafios e Perspectivas da Kisspeptina

Nos últimos anos, avanços significativos na pesquisa com mamíferos têm melhorado a compreensão dos mecanismos relacionados à kisspeptina. Modernas abordagens, como optogenética, modelos matemáticos e imagens de cálcio in vivo, têm contribuído para responder a perguntas de longa data sobre o feedback negativo e positivo, bem como o papel do sistema kisspeptina/KISS1R na reprodução feminina.


Ainda há questões em aberto, especialmente no que diz respeito à reprodução masculina, onde a função da kisspeptina na esteroidogênese, na função dos espermatozoides e nos comportamentos reprodutivos requerem investigações adicionais.


Apesar dos avanços, muitos estudos foram realizados apenas em modelos animais, exigindo evidências mais robustas para aplicar as descobertas à reprodução humana. Além disso, as pequenas populações de neurônios de kisspeptina encontradas no sistema límbico do cérebro apresentam desafios adicionais, já que sua função e linhagem precisam ser exploradas. O desenvolvimento de novas tecnologias promete trazer novos insights para esta área em constante evolução.


Prática clínica 

A compreensão do papel da kisspeptina na regulação do sistema reprodutivo tem se mostrado de grande relevância. Ela pode ser uma ferramenta para o diagnóstico e tratamento de distúrbios relacionados à reprodução, como puberdade precoce, hipogonadismo e infertilidade. Além disso, a pesquisa contínua nesse campo tem o potencial de aprimorar as opções terapêuticas disponíveis, permitindo abordagens mais personalizadas e eficazes. A kisspeptina está se estabelecendo como um componente crucial no campo da medicina reprodutiva, trazendo novas perspectivas para aqueles que enfrentam desafios na área da reprodução.


Referências

Assista o vídeo na Science Play com Omar de Faria: Ciclo circadiano e fertilidade: Qual a relação?  

XIE, Qinying; KANG, Yafei; ZHANG, Chenlu; XIE, Ye; WANG, Chuxiong; LIU, Jiang; YU, Caiqian; ZHAO, Hu; HUANG, Donghui. The Role of Kisspeptin in the Control of the Hypothalamic-Pituitary-Gonadal Axis and Reproduction. Frontiers In Endocrinology, [S.L.], v. 13, p. 1, 28 jun. 2022. Frontiers Media SA.

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