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Impacto do treinamento físico nas doenças cardiovasculares

Até o momento, o exercício físico é reconhecido como a única intervenção capaz de consistentemente atenuar o declínio da função física relacionada à idade. No entanto, a questão de se o exercício físico também impacta a mortalidade de pacientes doentes, como aqueles com insuficiência cardíaca, ainda carece de evidências diretas. Um estudo multicêntrico, randomizado e controlado, conhecido como Trilha de Ação na Insuficiência Cardíaca, envolvendo 2.331 pacientes clinicamente estáveis com essa condição, mostrou que o treinamento físico resultou em reduções não significativas na mortalidade por todas as causas ou na hospitalização. A baixa adesão à intervenção de treinamento foi um fator-chave para esse resultado negativo. 


No entanto, há indícios de que a adesão ao treinamento, medida pela realização de mais de 4 MET-h por semana, pode estar associada a uma redução significativa na taxa de mortalidade. Introduzir o treinamento intervalado como uma estratégia para aumentar a adesão também foi explorado, mas ainda há questões sobre seu efeito superior em comparação com o treinamento físico contínuo moderado em pacientes com insuficiência cardíaca. Estudos recentes sugerem que o exercício de alta intensidade pode induzir maiores benefícios à saúde, embora a aplicação do treinamento intervalado de alta intensidade em pacientes com doenças cardiovasculares ainda seja objeto de debate.


Exercício Físico na Doença Cardiovascular: Uma Abordagem Holística


O sistema vascular enfrenta desafios significativos em pacientes com insuficiência cardíaca (IC), com a função endotelial comprometida e a rigidez vascular aumentada. No entanto, o treinamento físico (TE) emerge como uma intervenção terapêutica eficaz, melhorando a função endotelial e a complacência vascular. O óxido nítrico (NO), crucial na regulação vascular, é positivamente influenciado pelo exercício, aumentando a vasodilatação e a perfusão. A atividade da óxido nítrico sintase endotelial (eNOS), responsável pela produção de NO, é regulada positivamente pelo estresse de cisalhamento associado ao exercício, restaurando a função vascular comprometida em pacientes com IC.


Regulação Molecular e MicroRNA: Explorando Novos Horizontes


Os microRNAs (miRNAs) emergem como reguladores críticos da expressão gênica vascular. Estudos recentes destacam a influência do exercício na expressão de miRNAs como miRNA-19a, miRNA-21 e miRNA-92a. O exercício regula negativamente o miR-92a, aumentando a expressão da eNOS, enquanto o miR-19a contribui para a inibição da proliferação celular. Essas descobertas abrem caminho para novas estratégias terapêuticas visando a regulação molecular vascular através do exercício.


Seguindo, a intolerância ao exercício em pacientes com IC está relacionada à fraqueza muscular esquelética, afetando a qualidade de vida. O TE demonstrou reduzir a inflamação muscular, equilibrar os processos catabólicos e anabólicos, melhorar o metabolismo energético e modular a composição das fibras musculares. Esses efeitos contribuem para a melhoria da capacidade funcional e da tolerância ao exercício em pacientes com IC.


Efeitos Miocárdicos do Exercício: Redefinindo Paradigmas


Anteriormente considerado contraindicado, o TE agora é reconhecido por seus benefícios miocárdicos na IC. Estudos mostram que o TE pode aumentar a fração de ejeção do ventrículo esquerdo e reduzir o diâmetro diastólico final, possivelmente mediado por alterações moleculares que levam à remodelação miocárdica e hipertrofia fisiológica. Essas descobertas desafiam paradigmas e destacam o potencial terapêutico do exercício na doença cardiovascular.


Prática Clínica 


Com base nas evidências epidemiológicas, é recomendável manter um estilo de vida ativo ao longo da vida para reduzir o risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Esses benefícios do exercício são mais evidentes quando a atividade física é contínua. Além disso, o treinamento físico também traz benefícios na prevenção secundária de doenças cardiovasculares, independentemente da idade e da gravidade da doença. 


Considerando que o impacto genético nos benefícios do exercício é limitado, a adesão a programas de treinamento físico bem estruturados é crucial para colher os efeitos benéficos para a saúde. No nível molecular, o exercício ativo modula vários órgãos, desde o sistema vascular até o músculo esquelético, destacando a importância de manter uma rotina regular de atividade física para a saúde cardiovascular geral.


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Referências




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