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Nutrição na Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica: Fisiopatologia e Estratégias de Manejo

A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) representa um desafio significativo para a saúde pública devido à sua prevalência crescente e suas graves complicações associadas. Este distúrbio está intimamente ligado à obesidade, resistência à insulina, diabetes mellitus tipo 2 (DM2), hiperlipidemia, hipertensão e síndrome metabólica, abrangendo um amplo espectro patológico que vai desde a esteatose até a esteatohepatite (NASH), podendo progredir para fibrose hepática, cirrose e carcinoma hepatocelular (CHC). Atualmente, não existe um consenso claro sobre o tratamento farmacológico da DHGNA, destacando a importância das abordagens terapêuticas centradas na modificação do estilo de vida. Entre essas abordagens, as intervenções dietéticas e de exercício se destacam como a primeira linha de terapia, com estudos demonstrando que uma dieta saudável e a perda de peso nas fases iniciais da DHGNA podem ser eficazes para controlar sua progressão. 


No entanto, apesar das evidências claras sobre a eficácia das intervenções dietéticas, a extensão e a composição ideais da dieta ainda não foram totalmente estabelecidas, e muitos pacientes enfrentam dificuldades para aderir a essas intervenções. Portanto, são necessárias diretrizes nutricionais simplificadas e multidisciplinares que abordem diretamente os mecanismos da doença


Impacto dos Macronutrientes na Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica.


Vários estudos ressaltam a influência dos macronutrientes na doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). A composição da dieta, incluindo a quantidade e proporção de macronutrientes, desempenha um papel crucial no desenvolvimento e progressão da DHGNA, independentemente da ingestão calórica total. Ácidos graxos saturados, gorduras trans, açúcares simples e proteínas animais estão associados ao dano hepático, promovendo o acúmulo de triglicerídeos e afetando a sensibilidade à insulina. Por outro lado, ácidos graxos monoinsaturados, gorduras poli-insaturadas ômega-3, proteínas vegetais e fibras alimentares parecem exercer efeitos benéficos sobre o fígado, modulando o metabolismo lipídico e antioxidante.


Estudos sobre os efeitos das gorduras na doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) destacam a importância da composição da dieta, incluindo a ingestão de gorduras saturadas, monoinsaturadas e polinsaturadas. As gorduras saturadas estão associadas ao aumento da gordura hepática e ao comprometimento do metabolismo da glutationa, enquanto as gorduras insaturadas parecem exercer efeitos benéficos, especialmente quando provenientes de fontes como o azeite de oliva extra virgem (EVOO). Os ácidos graxos poli-insaturados, como os ômega-3, demonstraram reduzir o teor de gordura hepática, embora os efeitos em marcadores de lesões hepáticas graves ainda não estejam bem estabelecidos.


No que diz respeito aos carboidratos, há uma associação entre o consumo de açúcares adicionados, como sacarose, frutose e xarope de milho rico em frutose, e a DHGNA. A metabolização da frutose no fígado estimula a lipogênese de novo, contribuindo para o acúmulo de gordura hepática. Por outro lado, a troca isocalórica de carboidratos por glicose não parece induzir DHGNA, mas o aumento do consumo de frutose tem sido associado a complicações hepáticas em pacientes com DHGNA.


O papel das proteínas na DHGNA ainda não está claro devido à falta de evidências consistentes. A origem e a composição das fontes proteicas, bem como outros fatores dietéticos, podem influenciar os efeitos das proteínas na progressão da DHGNA. Mais pesquisas são necessárias para elucidar o papel específico das proteínas na doença hepática gordurosa não alcoólica.


O impacto dos micronutrientes e vitaminas


Os micronutrientes desempenham um papel crucial na DHGNA, com zinco, cobre, ferro, selênio, magnésio e vitaminas A, C, D e E influenciando seus mecanismos antioxidantes, antifibróticos, imunomoduladores e lipoprotetores. Pacientes com DHGNA geralmente apresentam deficiências de zinco, cobre e vitaminas A, C, D, E e carotenóides, enquanto um excesso de ferro e selênio pode agravar a condição. A suplementação de vitamina E é comum, mas pode ter efeitos secundários. Uma combinação de micronutrientes pode ser benéfica, mas as interações entre eles e com outros nutrientes devem ser consideradas.


A relação entre grupos alimentares e DHGNA destaca que alimentos como cereais integrais, frutas, vegetais e azeite de oliva extra virgem podem ser benéficos, enquanto carnes processadas, alimentos refinados e bebidas açucaradas podem agravar a condição. A Dieta Mediterrânea e a DASH têm mostrado benefícios na DHGNA, provavelmente devido à sua composição nutricional e efeitos na microbiota intestinal. No entanto, são necessários mais estudos para entender completamente o impacto das dietas na DHGNA e na microbiota intestinal.


Prática Clínica


Com base na extensa pesquisa sobre a relação entre nutrientes, padrões alimentares e DHGNA, é crucial reconhecer o papel significativo da nutrição no manejo desses pacientes. As modificações no estilo de vida, especialmente dieta, exercício e perda de peso, têm mostrado eficácia no controle da DHGNA a longo prazo. Embora a composição específica de macronutrientes ainda precise ser esclarecida, dietas hipocalóricas têm se mostrado igualmente eficazes na redução de lipídios hepáticos, independentemente de sua proporção de gordura e carboidratos. A adoção de uma dieta mediterrânea tem sido associada a melhorias significativas na esteatose hepática, mesmo sem perda de peso. 


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REFERÊNCIAS



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