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Magnésio e Intestino: Funciona na Prática Clínica?

Nos últimos anos, os estudos trouxeram novas perspectivas para o intestino, mostrando especialmente seu papel dentro do eixo intestino-cérebro. Este mecanismo bidirecional complexo, liga os centros emocionais e cognitivos do sistema nervoso com funções periféricas entéricas, tais como atividade imunitária, permeabilidade intestinal, reflexos entéricos e sinalização endocrinológica. 

A modulação do eixo intestino-cérebro serve como intervenção nas patologias gastrointestinais e neuropsiquiátricas. Por isso, os tratamentos de disbiose, usando probióticos, prebióticos, suplementação dietética e transplante de matéria fecal apresentam resultados promissores. Com isso, a associação de disfunções gastrointestinais e neuropsiquiátricas, desenvolveu a ideia de “psicobióticos” na comunidade médica, e o magnésio se tornou um importante trunfo para o conceito, por causa dos seus benefícios no intestino e no sistema nervoso central.  



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Absorção do magnésio

A absorção do magnésio ocorre no intestino delgado, principalmente na zona distal, a partir da ingestão alimentar. O nível de absorção numa base normal é de 25%, e num estado deficiente pode aumentar até 80%. Como o local de absorção é a área intestinal, as ligações entre a saúde intestinal e o magnésio são ainda mais importantes.

O magnésio é talvez o mais recente micronutriente surgido na literatura científica que se liga fortemente com o eixo do cérebro intestinal e o microbioma. Sua deficiência tem estado relacionada com múltiplas disfunções somáticas, como nas doenças neurológicas, metabólicas, osteomusculares e cardiológicas. Do lado da gastroenterologia, sabe-se que está ligado a perturbações gástricas durante todas as fases da vida. 

Quais os efeitos da suplementação de magnésio no intestino?

Vários estudos seguiram os efeitos do magnésio nas funções intestinais, por exemplo o consumo de água mineral rica em magnésio promoveu melhorias na mobilidade intestinal, sintomas indesejados no trato gastrointestinal e consistência das fezes durante um seguimento de seis semanas em pacientes com obstipação funcional. Além disso, o óxido de magnésio é utilizado para propriedades antiácidas e provou ser eficaz no alívio a curto prazo dos sintomas de dispepsia funcional. 

Alguns novos estudos têm demonstrado que a microbiota intestinal é diretamente afetada pela flutuação na ingestão de magnésio na dieta. Como tal, um estudo revelou que a concentração de ácidos graxos de cadeia curta e a diversidade da microbiota foram aumentadas pela administração conjunta de óxido de magnésio e fibra de inulina dietética, em vez da administração exclusiva de inulina.  Além disso, uma dieta de baixo teor de magnésio apresentaram uma diminuição qualitativa da microbiota intestinal, barreira intestinal menor e níveis mais elevados de fator de necrose tumoral α (TNF-α), Interleucina 6 (IL-6) e a ativação do estresse oxidativo. 

Vários estudos de modelos animais afirmam que a deficiência desse mineral não só altera o perfil microbiano, como também provoca sintomas psiquiátricos. Um estudo provou que uma dieta deficiente em magnésio ao longo de seis semanas resultou em comportamento de ansiedade. Outro estudo mostrou um comportamento depressivo, um perfil microbiano alterado e encontrou marcadores neuro inflamatórios aumentados.

Prática Clínica

A suplementação do magnésio é capaz de interagir com o eixo intestino-cérebro. Esta comunicação tem papel-chave na manutenção da homeostase do sistema gastrointestinal, mas também na manutenção da integridade das emoções, da motivação e das funções cognitivas superiores. Desde o stress, medicação, dieta, impacto ambiental, interacções sociais e emocionais até à genética e epigenética que moldam a fisiologia de cada pessoa. Os estudos provaram sua capacidade de melhorar a disbiose intestinal, a produção de ácidos graxos de cadeia curta, barreira intestinal, diminuir a sinalização de marcadores inflamatórios e consequentemente melhorar quadros de depressão e ansiedade.

Referências bibliográficas 

Assista o vídeo na Science Play com Ana Beatriz Baptistella: Vias de Destoxificação

Artigo: Schiopu C, Ștefănescu G, Diaconescu S, Bălan GG, Gimiga N, Rusu E, Moldovan CA, Popa B, Tataranu E, Olteanu AV, Boloș A, Ștefănescu C. Magnesium Orotate and the Microbiome–Gut–Brain Axis Modulation: New Approaches in Psychological Comorbidities of Gastrointestinal Functional Disorders. Nutrients. 2022; 14(8):1567. https://doi.org/10.3390/nu14081567

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