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Manutenção de Massa Muscular no Emagrecimento

Massa muscular diminuída é uma constante em pessoas com sobrepeso ou obesidade, devido a dietas de baixa qualidade que carecem de frutas e vegetais, grãos integrais e legumes e contêm quantidades excessivas de açúcar adicionado e ácidos graxos saturados, em comparação com ácidos graxos insaturados. Perfil que é propício para o desenvolvimento de ganho de peso e doenças crônicas não transmissíveis (DCNT’s). Sendo assim, neste contexto temos estudos que sugerem dietas com restrição calórica e ricas em proteínas, como capazes de emagrecimento e ao mesmo tempo melhorar o perfil alimentar, reduzir a perda de massa magra e surgimento de DCNT’s.

Diante disso, dados da literatura mostram que a perda de peso entre 5% a 10% pode prevenir doenças crônicas, e quando este é associado a uma maior ingestão de proteínas tem sido extensivamente relacionado a um peso corporal saudável, bem como os benefícios já listados anteriormente. Ademais, já foi demonstrado que a proteína dietética contribui para a adequação de nutrientes na população em geral. 

Por outro lado, evidências mostram que uma dieta de melhor qualidade traz benefícios para a saúde e que está associada a um menor ganho de peso, ou perda de peso maior. Ou seja, tem-se um maior incentivo para a ingestão de frutas, vegetais, grãos integrais e alimentos proteicos ricos em fibras e gorduras insaturadas. Assim como, desencoraja a ingestão de ácidos graxos saturados , grãos refinados, adição de açúcar e sódio.

Com isso, o estudo discutido aqui buscou pesquisar se uma maior ingestão de proteína durante a perda de peso e uma melhor qualidade da dieta estaria associado a uma atenuação da perda de massa magra em comparação com uma menor ingestão de proteína. Logo, 207 adultos com sobrepeso ou obesidade foram examinados antes e durante 6 meses de restrição calórica com aproximadamente 10 registros alimentares por pessoa. No qual, a qualidade da dieta foi avaliada por meio do Índice de Alimentação Saudável em 2 grupos: menor (LP) e maior (HP) ingestão de proteína.



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Proteínas, Restrição Calórica e Dieta

Uma dieta de maior qualidade está associada com a perda de peso, em grande parte isso pode ser explicado pela maior ingestão de fibras, frutas e vegetais e tamanhos de porções controlados. Condizente com esse dado, os resultados do estudo em questão mostraram uma melhora na qualidade da dieta durante a restrição calórica (RC) em comparação com a linha de base. Além disso, foi demonstrado que uma maior ingestão de proteínas durante a restrição calórica contribui para benefícios relacionados à saúde, os quais podem ser atribuídos a uma maior ingestão de proteínas, assim como pela alteração nos padrões alimentares causadas pela mudança na ingestão de proteínas.

De modo geral, os resultados encontrados mostram que os indivíduos que tiveram uma maior ingestão de proteína (79 g/d), em comparação com menor ingestão de proteína (58 g/d), durante a restrição calórica tiveram uma melhora maior na qualidade da dieta. Outrossim, além da a mudança na ingestão de proteína no grupo HP em comparação com o grupo LP resultou não apenas em maiores pontuações de proteína total e laticínios, mas também maior ingestão de vegetais verde-escuros e redução da ingestão de grãos refinados e adição de açúcar.

Distribuição de Proteínas na Dieta e Massa Muscular

Outro dado importante é que os indivíduos que tiveram uma maior ingestão de proteína durante a RC perderam menos massa muscular do que aqueles que consumiram menor ingestão de proteína. Em outras palavras, os grupos LP e HP consumiram 58 e 79 g/d de proteína, e tiveram uma alteração de massa muscular de -1,0 e -0,6 kg, respectivamente. Logo, quando examinado 2 níveis de ingestão de proteína, observou-se uma tendência para maior perda de massa magra corporal no grupo LP.

Em consonância com esses dados, em um estudo com idosos, a ingestão de proteína auto-selecionada foi examinada ao longo de 3 anos em 2.066 indivíduos que não estavam passando por um processo de perda de peso. Neste estudo, os níveis de proteína consumida foram de 55 g/d em comparação com 79 g/d, e a mudança na massa magra corporal foi de -0,9 kg e -0,5 kg nos 2 grupos, respectivamente.

Resumidamente, os pesquisadores do estudo discutido aqui sugerem que que uma proteína dietética mais alta de cerca de 80 g/d (ou 1 g/kg/d) preserva a massa muscular em comparação com uma ingestão normal de proteína de ~60 g/d (ou 0,8 g/kg/d). Perfil o qual pode ser especialmente importante a ser considerado em mulheres e populações idosas que são mais suscetíveis a consumir proteínas dietéticas inadequadas.

Qualidade das Proteínas e Massa Muscular

Dados mostram que durante a redução da ingestão de energia, as fontes de proteína magra, em especial as aves, foram responsáveis por uma proporção significativa da variação na alteração da massa muscular corporal durante o processo de perda de peso. 

Além disso, uma maior ingestão de proteínas de fontes magras de origem animal e vegetal, com aconselhamento dietético para apoiar a perda de peso, pode contribuir para um padrão alimentar mais saudável, conforme indicado por um menor consumo de grãos refinados e açúcar adicionado e um maior consumo de vegetais verdes. Vale destacar que em ambos grupos de proteína HP e LP  a ingestão de ácidos graxos saturados foi de 23 g/d no início e diminuiu para 17 g/ d em ambos os grupos de proteína durante a restrição calórica. 

Em conclusão, os dados encontrados mostram que uma ingestão moderadamente maior de proteína durante a RC melhora a qualidade da dieta e atenua a perda de massa magra. Além de que, a qualidade da dieta foi melhorada devido ao consumo de fontes de proteína com baixo teor de gordura, maior ingestão de vegetais verdes e redução da ingestão de grãos refinados. 

Prática Clínica

Clinicamente, a ingestão moderadamente mais alta de proteína (1,0 g/kg/d) a 20% da ingestão de energia, pode ser incentivada para uma perda de peso bem-sucedida, para melhorar a qualidade da dieta e para atenuar a perda de massa magra corporal.

Referências Bibliográficas

Assista o vídeo na Science Play: Deficiência de Ferro

Artigo Doenças atópicas: Peroni DG, Hufnagl K, Comberiati P, Roth-Walter F. Lack of iron, zinc, and vitamins as a contributor to the etiology of atopic diseases. Frontiers in Nutrition. 2023;9. doi:https://doi.org/10.3389/fnut.2022.1032481

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