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Mindful Eating e seu papel na luta contra obesidade e transtornos alimentares

O excesso de peso corporal representa um desafio significativo para a saúde pública, com repercussões negativas bem documentadas. Apesar da prevalência crescente, os métodos tradicionais de tratamento, muitas vezes centrados em dietas restritivas, têm mostrado resultados insatisfatórios devido à falta de abordagem dos comportamentos alimentares disfuncionais. Além disso, os transtornos alimentares, embora menos prevalentes, apresentam morbidade e mortalidade consideráveis, com impactos substanciais na vida pessoal e psicossocial.


Diante desse cenário desafiador, estratégias inovadoras têm sido exploradas, destacando-se o mindfulness, o mindful eating (ME) e o comer intuitivo (CI). O mindfulness, caracterizado pela atenção plena ao momento presente, pode ser treinado e aplicado no contexto da alimentação. O mindful eating, por sua vez, propõe que as escolhas alimentares sejam feitas de maneira consciente, atentando aos sinais de fome e saciedade, enquanto o CI enfatiza o respeito às necessidades fisiológicas do corpo e a rejeição de dietas restritivas. Vamos saber mais a respeito ao longo dessa matéria.


Mindful Eating e Comer Intuitivo


Essas abordagens, ao valorizarem não apenas os aspectos biológicos, mas também os psicossociais, emocionais e ambientais relacionados à alimentação, promovem uma reconexão com os sinais internos de fome e saciedade. O foco não está na restrição alimentar, mas sim na compreensão da relação indivíduo-comida e na experiência do ato de comer. O ME, em particular, destaca a importância do não-julgamento e da não-segmentação dos alimentos, promovendo uma relação mais saudável e flexível com a comida.


Os benefícios dessas intervenções incluem uma melhoria significativa no comportamento alimentar, redução do comer emocional, maior consciência das emoções relacionadas à alimentação e diminuição do estresse e ansiedade associados ao ato de comer. Embora não sejam projetadas para a perda de peso, estudos indicam resultados positivos nesse aspecto, sugerindo que a abordagem centrada no mindfulness, ME e CI pode ser eficaz para indivíduos com excesso de peso.


Em resumo, a atenção plena na alimentação, a valorização dos sinais internos do corpo e a promoção de uma relação saudável e compassiva com a comida parecem ser elementos-chave na abordagem da obesidade e dos transtornos alimentares. Essas estratégias inovadoras oferecem uma perspectiva holística, considerando não apenas o aspecto físico, mas também o emocional e psicossocial na busca por uma relação mais equilibrada e sustentável com a alimentação.


Prática Clínica 


No contexto do consultório de nutrição, incorporar o "mindful eating" pode ser uma estratégia eficaz para promover uma abordagem mais consciente e equilibrada em relação à alimentação. Essa prática envolve uma mudança de mentalidade em relação ao ato de comer, enfatizando a importância de estar presente e atento ao momento presente durante as refeições.


O "mindful eating", ou comer com atenção plena, baseia-se em vários princípios essenciais que podem ser transmitidos aos pacientes para promover uma relação mais saudável com a comida. Um dos fundamentos centrais é a atenção aos sinais internos de fome e saciedade. Educar os pacientes sobre a importância de reconhecer e respeitar esses sinais ajuda a evitar a ingestão excessiva e promove uma alimentação mais intuitiva.


Além disso, destacar a necessidade de comer com calma e apreciar os sabores, texturas e aromas. Encorajar os pacientes a desacelerar durante as refeições permite uma conexão mais profunda com a experiência alimentar, facilitando uma melhor compreensão dos próprios hábitos alimentares.


Durante as consultas de nutrição, é possível introduzir práticas de atenção plena de maneira prática e acessível. Incorporar exercícios simples de meditação ou técnicas de respiração consciente antes das refeições pode ajudar os pacientes a se conectar com seus corpos e a focar no momento presente. Essas práticas podem incluir respirações profundas, momentos de reflexão sobre a origem dos alimentos ou até mesmo exercícios de visualização positiva relacionados à refeição iminente.


Além disso, fornecer recursos, como folhetos informativos ou links para meditações guiadas, pode apoiar os pacientes em sua jornada de incorporar o "mindful eating" em suas rotinas diárias. Ao promover a conscientização e a conexão com a experiência alimentar, o consultório de nutrição se torna um ambiente propício para o desenvolvimento de habilidades que contribuem para uma relação mais equilibrada e saudável com a comida.


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Referências Bibliográficas


Barbosa, M. R. ., Penaforte, F. R. de O. ., & Silva, A. F. de S. . (2020). Mindfulness, mindful eating e comer intuitivo na abordagem da obesidade e transtornos alimentares. SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool E Drogas (Edição Em Português), 16(3).

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