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Movendo-se na direção certa contra a Doença de Parkinson

Enquanto os benefícios da atividade física na prevenção de doenças cardiovasculares e obesidade são amplamente reconhecidos e celebrados, uma área emergente de pesquisa está lançando luz sobre como o exercício pode desempenhar um papel fundamental na redução da incidência e na melhoria da qualidade de vida para aqueles que enfrentam uma batalha silenciosa contra a doença de Parkinson.

Esta condição neurodegenerativa, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, trouxe desafios consideráveis para pacientes e profissionais de saúde. Mas à medida que a ciência avança, estamos descobrindo que uma abordagem pró-ativa que inclui a atividade física pode trazer esperança e melhorias notáveis na vida das pessoas afetadas.



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Doença de Parkinson vs. Atividade Física 

Recentemente, conexões fascinantes têm surgido, revelando o exercício como um aliado neuroprotetor na luta contra o Parkinson. Isso ocorre porque certas substâncias chamadas miocinas, liberadas durante a atividade física, estabelecem uma comunicação crucial com o sistema nervoso central, estimulando a tão necessária neuroplasticidade. No entanto, é importante ressaltar que o Parkinson é uma doença crônica sem cura definitiva, e os pacientes frequentemente enfrentam desafios consideráveis. É aqui que a atividade física entra em cena, oferecendo uma esperança tangível ao melhorar a função motora e estimular a produção de dopamina, duas áreas onde os pacientes com Parkinson frequentemente enfrentam dificuldades significativas.

Dessa forma, o estudo Physical Activity and the Risk of Parkinson Disease: Moving in the Right Direction, destacou a prática regular de exercícios físicos, que engloba atividades como ciclismo, caminhadas, jardinagem, tarefas de limpeza e envolvimento em esportes, tem demonstrado, por meio de novas pesquisas, a capacidade de reduzir significativamente o risco de desenvolvimento da doença de Parkinson.

De acordo com o estudo, mulheres que praticaram atividades físicas de forma mais intensa apresentaram uma redução de 25% na taxa de incidência da doença de Parkinson em comparação com aquelas que se exercitavam menos. Por outro lado, e infelizmente, é importante notar que o estudo não estabelece uma relação causal entre o exercício e a diminuição do risco de desenvolver a doença de Parkinson, mas sim demonstra uma associação entre ambos os fatores.

No estudo, foram englobados 95.354 participantes do sexo feminino, em sua maioria professoras, cuja média de idade era de 49 anos no início da pesquisa. Todos os participantes não apresentaram diagnóstico de doença de Parkinson no início do estudo. Ao longo de um período de três décadas de acompanhamento, os pesquisadores registraram que, entre esses participantes, 1.074 desenvolveram a doença de Parkinson.

Após a devida correção para variáveis como local de residência, idade do primeiro período menstrual, estado menopausa e histórico de tabagismo, os pesquisadores identificaram que aqueles pertencentes ao grupo que se exercitou mais intensamente apresentaram uma redução de 25% no risco de desenvolvimento da doença de Parkinson em comparação com aqueles no grupo que praticava menos atividade física. Essa associação se manteve consistente quando os níveis de atividade física foram avaliados em intervalos de 10, 15 ou 20 anos antes do diagnóstico da doença.

Além disso, os resultados permaneceram consistentes mesmo após o ajuste para variáveis como dieta e condições médicas, incluindo pressão alta, diabetes e doenças cardiovasculares. Uma descoberta notável foi que, observando o período de 10 anos antes do diagnóstico, a atividade física diminuiu em uma taxa mais acelerada entre os indivíduos que eventualmente desenvolveram a doença de Parkinson em comparação com aqueles que não a desenvolveram. Essa diferença pode ser atribuída, em grande parte, aos primeiros sintomas da doença de Parkinson, destacando ainda mais a importância da pesquisa na compreensão da interação entre o exercício e essa condição neurodegenerativa.

Por isso, os resultados deste estudo fornecem evidências convincentes do impacto da atividade física na prevenção da doença de Parkinson. O básico funciona, não estou falando de atividade física extenuantes como o HIIT ( High Intensity Interval Training ), a mensagem do estudo é clara que até jardinagem faz parte do leque de opções na melhora da função motora. 

Este estudo abre caminho para uma compreensão mais profunda e promissora do papel da atividade física na prevenção e no gerenciamento da doença de Parkinson. Os resultados sólidos, apoiados por uma ampla coorte de participantes e um longo período de acompanhamento, destacam a importância de incentivar a prática regular de exercícios físicos em pessoas de todas as idades, especialmente aquelas em risco de desenvolver a doença. 

Embora a pesquisa não demonstra uma relação causal definitiva, a associação positiva entre o exercício e a redução do risco é notável. Portanto, a promoção de um estilo de vida ativo e saudável não só pode contribuir para a prevenção do Parkinson, mas também melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas pela doença. Com uma abordagem de longo prazo, podemos aspirar a um futuro em que a atividade física seja uma ferramenta vital na luta contra essa condição neurodegenerativa e, assim, oferecer esperança e bem-estar a milhões de pessoas em todo o mundo.

À medida que avançamos na compreensão dos benefícios da atividade física na prevenção da doença de Parkinson, é fundamental reconhecer que essa pesquisa representa um marco significativo, mas não o ponto final. A doença de Parkinson continua sendo uma condição desafiadora, sem uma cura definitiva, e, portanto, qualquer abordagem que ofereça alívio e possibilidade de prevenção é um avanço notável. 

Por fim, é preciso destacar que os benefícios da atividade física vão além da prevenção do Parkinson. A prática regular de exercícios é uma pedra angular para uma vida saudável, afetando positivamente não apenas a saúde física, mas também a mental. Portanto, promover uma cultura de exercícios em todas as idades deve ser uma prioridade em nossas sociedades.

Referências Bibliográficas

Chahine LM, Darweesh SKL. Physical Activity and the Risk of Parkinson Disease: Moving in the Right Direction. Neurology. 2023;101(4):151-152. doi:10.1212/WNL.0000000000207527

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