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Não somos apenas o que comemos, mas sim, o que comemos, absorvemos e excretamos


O funcionamento adequado do nosso organismo depende basicamente do consumo e da digestão de alimentos capazes de fornecer energia e nutrientes a todas as células. A presença de determinados nutrientes na alimentação não garante que eles serão efetivamente utilizados pelo organismo em função da importância do processo digestivo e absortivo. Nesse ponto o mais importante é considerar a biodisponibilidade dos componentes da dieta.

A quantidade e a qualidade dos alimentos ingeridos, a capacidade de digerir e metabolizar alguns nutrientes, a utilização de fármacos, os aspectos genéticos do indivíduo e os mecanismos homeostáticos que regulam a absorção e a excreção de moléculas são alguns dos fatores que interferem na biodisponibilidade dos nutrientes e dos compostos bioativos dos alimentos e dos suplementos.

Algumas variações genéticas - conhecidas como polimorfismos - interferem na predisposição e na ocorrência de doenças e na capacidade de utilização de determinados nutrientes. Nesses casos, pode ser necessária a utilização de uma quantidade maior ou de uma forma química específica de uma vitamina, por exemplo. Outra consequência desse polimorfismo é o efeito gerado por determinados componentes da dieta no organismo. Algumas pessoas, por exemplo, não conseguem metabolizar adequadamente a forma inativa da vitamina A e apresentam mais benéficos quando ingerem a forma ativa dessa vitamina. A cafeína pode exercer efeitos ergogênicos mais significativos em determinados indivíduos e maior impacto ansiogênico em outros.

A composição da microbiota intestinal também é capaz de interferir na absorção de alguns componentes da dieta. A maior parte dos polifenóis ingeridos é metabolizada pelas bactérias intestinais e gera metabólitos que podem ser absorvidos pelos enterócitos e utilizados pelo organismo.

A capacidade de o organismo utilizar efetivamente os componentes da dieta é influenciada por inúmeros fatores. Avaliar como o corpo reage a cada alimento e buscar sinais de possíveis deficiências nutricionais, mesmo quando o consumo estiver adequado às recomendações para a população em geral, é necessário para garantir uma nutrição adequada. Nesse sentido, buscar o equilíbrio da saúde intestinal deve ser um pilar essencial de qualquer estratégia nutricional proposta.


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