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N-acetilcisteína: Uma Estratégias Promissora no Manejo de Endometriose

A endometriose é uma das doenças ginecológicas benignas mais frequentes, caracterizada pela implantação e crescimento de tecido endometrial fora da cavidade uterina, produzindo uma resposta inflamatória geral e sistêmica. Nesta condição clínica, os sintomas mais comuns incluem dor abdominal e pélvica crônica, dismenorréia, dispareunia, sangramento uterino anormal e infertilidade. Confira tudo de mais importante sobre n-acetilcisteína e endometriose.

A remoção cirúrgica de lesões ectópicas, representa a intervenção de primeira linha, porém pode ser prejudicada por uma série de recorrências. Além disso, uma variedade de terapias hormonais destinadas a reduzir os níveis de estrogênios circulantes, estão disponíveis atualmente. No entanto, esses tratamentos geralmente são insatisfatórios e não podem ser usados por longos períodos de tempo devido à ocorrência de efeitos adversos graves.

Dessa forma, é desejável soluções terapêuticas novas e melhoradas que possam reduzir eficientemente as lesões com efeitos colaterais limitados e sem interferência na fertilidade da paciente.



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Porque N-acetilcisteína?

Recentemente, a literatura tem demonstrado que a administração de N-acetilcisteína (NAC), forma acetilada do aminoácido cisteína naturalmente presente em algumas substâncias como o alho, exerce uma ação antiproliferativa em células cancerígenas de origem epitelial, onde também se originam as células endometriais. 

Sua ação deve-se ao estabelecimento de uma complexa via de diferenciação, incluindo a ativação de vários mecanismos moleculares que convergem para interromper proliferação-diferenciação, implicando em uma diminuição da proliferação celular e do comportamento locomotor celular, relevante na endometriose. 

Além disso, o NAC também regula negativamente a atividade de proteínas inflamatórias e sua expressão gênica, devido a efeitos que estão muito além de uma capacidade antioxidante. Por esse conjunto de atividades exercidas, o tratamento com NAC demonstrou induzir uma redução relevante no tamanho dos endometriomas associada à diminuição da inflamação tecidual e invasão celular.  Assim, quando pensamos em n-acetilcisteína e endometriose, vamos te ensinar o que você precisa saber!

N-acetilcisteína e endometriose: o que temos na literatura?

Foi publicado um estudo que analisou a evolução dos endometriomas ovarianos em termos de diâmetro e volume médios, avaliados por ultrassom, em pacientes tratados e não tratados com NAC, através da administração por via oral durante 3 meses de acordo com o seguinte protocolo: 600 mg três vezes ao dia, três dias consecutivos por semana demonstrou que, de fato, o grupo suplementado quando comparado a controles não tratados, o tratamento com NAC levou a um aumento no número de cistos que encolheram ou desapareceram, bem como em um número menor de cistos aumentados e neoformados. 

Além disso, foi possível registrar gestações no grupo suplementado, indicando que, em contraste marcante com todos os outros tratamentos hormonais disponíveis para endometriose (por exemplo, danazol, análogos do hormônio liberador de gonadotropina, progestágenos e contraceptivos orais), o NAC não interfere na fertilidade da paciente e representa uma abordagem adequada para tratar endometriose em mulheres que desejam engravidar.

Patogênese

Embora a patogênese da endometriose ainda seja debatida, várias evidências destacam que tanto o início quanto a progressão dessa doença são sustentados por um desarranjo das propriedades invasivas, proliferativas, adesivas e locomotoras das células endometriais, juntamente com um aumento na produção de moléculas inflamatórias. Nesse contexto, a NAC por meio de sua ação sobre o tiol e sinalização redox, modula positivamente várias vias relevantes que estão envolvidas na patogênese da endometriose. 

Prática Clínica

De acordo com os dados demonstrados na literatura, fica claro que a ação do NAC na sinalização celular e na atividade proteica, com o efeito geral de reverter uma proliferação desordenada para um comportamento fisiológico, pode ajudar na prevenção de recorrências. No entanto, tanto a completa elucidação dos mecanismos ativados pela N-acetilcisteína quanto seu possível papel na prevenção de recorrências merecem estudos futuros mais amplos. Entretanto, o nutricionista pode utilizar desse suplemento para garantir maior efetividade no manejo de pacientes com endometriose. Referências Bibliográficas

Assista ao vídeo da Nutricionista Débora Valadão na plataforma Science Play – SOP e endometriose: abordagem integrativa eficiente

Porpora MG, Brunelli R, Costa G, Imperiale L, Krasnowska EK, Lundeberg T, Nofroni I, Piccioni MG, Pittaluga E, Ticino A, Parasassi T. A promise in the treatment of endometriosis: an observational cohort study on ovarian endometrioma reduction by N-acetylcysteine. Evid Based Complement Alternat Med. 2013;2013:240702. doi: 10.1155/2013/240702. Epub 2013 May 7. PMID: 23737821; PMCID: PMC3662115.

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