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Nutrição e Modulação da Dor Crônica como Limitante para a Prática Esportiva

A dor pode ser definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a lesões teciduais reais ou potenciais. Existem dois tipos principais: dor aguda, que dura até 3 meses, e dor crônica, que persiste por mais de 3 meses. As dores crônicas, especialmente as musculoesqueléticas, estão entre as principais causas de anos vividos com incapacidade.


A dor crônica afeta aproximadamente 20% da população mundial e é a principal causa de incapacidade prolongada. Caracteriza-se por uma resposta inflamatória tardia e hipersensibilização central. A abordagem ampla visa recuperar a função do local lesionado, envolvendo intervenções multifuncionais que consideram estilo de vida e fatores comportamentais que podem contribuir para a hipersensibilidade central.


Dor Crônica em Atletas


É essencial compreender os mecanismos da dor em atletas, sejam traumáticos ou não, e os fatores contribuintes. Estudos mostram alta prevalência ao longo da vida (63%), associada a alto volume de treinamento, períodos de aumento de carga e anos de exposição ao esporte. 


Tipos de Dor e Mecanismos


  1. Dor Nociceptiva: Resultante de trauma, processo inflamatório e dano tecidual.

  2. Dor Neuropática: Causada por lesão ou disfunção no sistema nervoso.

  3. Dor Nociplástica: Caracterizada pela hiperexcitabilidade do sistema nervoso, desenvolvendo-se após a lesão e observada em atletas com dor crônica.



Síndrome Dolorosa Miofascial


É uma condição de dor crônica caracterizada por pontos sensíveis e irritados na fáscia muscular, que se encontram tensos e contraídos. A pressão nesses pontos sensíveis pode causar dor localizada ou referida. As principais causas incluem estresse muscular, movimentos repetitivos, má postura e inadequado condicionamento físico.


Abordagens de Tratamento


Médicos frequentemente utilizam escalas para definir o tratamento da dor aguda, variando de analgésicos simples como dipirona a opioides mais potentes como morfina e fentanil. No entanto, atletas devem evitar opioides devido ao risco de doping.


Por outro lado, indivíduos com dor crônica enfrentam desafios para adotar um estilo de vida saudável. Profissionais de saúde devem quebrar barreiras como o medo de movimentação e a preocupação exacerbada com a dor. Intervenções personalizadas incluem exercício físico adaptado, higiene do sono, manejo do estresse e intervenção nutricional para alcançar o peso ideal.


Apesar da intensidade da dor influenciar na prática de atividade física, esta é fundamental para o tratamento da dor crônica. O exercício ativa o sistema opioide e endocanabinoide, reduzindo a percepção da dor, melhorando a obesidade e glicemia, aumentando a resistência muscular e o equilíbrio.


Além disso, distúrbios do sono são comuns entre atletas, com prevalência significativa associada a piora na resposta inflamatória e maior sensibilidade à dor. Ter menos de 8 horas de sono aumenta o risco de lesões em atletas juvenis em 1,7 vezes.


Por fim, Intervenções dietéticas são cruciais no manejo da dor crônica, incluindo mudanças no padrão alimentar, nutrientes específicos, suplementos e prática de jejum. Suplementos como colágeno têm evidências significativas para osteoartrite do joelho e dores articulares. Ademais, a vitamina D,  Vitamina B12, fibras, ômega 3 e minerais (Magnésio, Zinco e Selênio). Os melhores resultados dessa suplementação vieram para aqueles que já possuíam uma deficiência. 


Prática Clínica


Ao abordar pacientes com dor crônica, é essencial avaliar o estado nutricional, comportamentos alimentares, deficiências nutricionais, comorbidades e medicamentos em uso para um tratamento eficaz.


Esta reorganização estruturada oferece uma visão clara e sequencial sobre a dor crônica, abordando desde seus mecanismos até as intervenções terapêuticas e cuidados clínicos recomendados para atletas e pacientes em geral.


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Referências:


WILSON, F.; ARDERN, C. L.; HARTVIGSEN, J.; DANE, K.; TROMPETER, K.; TREASE, L.; VINTHER, A.; GISSANE, C.; McDONNELL, S. J.; CANEIRO, J. P.; NEWLANDS, C.; WILKIE, K.; MOCKLER, D.; THORNTON, J. S. Prevalence and risk factors for back pain in sports: a systematic review with meta-analysis. British Journal of Sports Medicine, 2020. Publicação online antecipada. DOI: 10.1136/bjsports-2020-102537.

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