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Nutrição Funcional Na Menopausa: Estratégias Alimentares

A Menopausa e suas Implicações para a Saúde


A menopausa, caracterizada pela cessação permanente dos ciclos menstruais após a perda da atividade folicular ovariana, é um evento marcante na vida das mulheres. A transição da menopausa pode se estender por vários anos, e o impacto do hipoestrogenismo pós-menopausa na saúde pode perdurar décadas após o seu início, mesmo na ausência de sintomas. Além disso, a menopausa está associada ao aumento da prevalência de condições como obesidade, síndrome metabólica, doenças cardiovasculares e osteoporose. Recomenda-se a prática de exercícios físicos e restrição calórica em mulheres pós-menopáusicas com sobrepeso para reduzir os riscos metabólicos e cardiovasculares.


Durante a transição da menopausa, observa-se uma redução nos níveis de estrogênio, associada à perda de massa corporal magra e ao aumento da massa gorda. Essas mudanças metabólicas contribuem para o ganho de peso, especialmente na região central do corpo, o que aumenta o risco cardiovascular. Um estilo de vida sedentário e uma dieta com alto teor de carboidratos também são fatores de risco nesse contexto.


O Padrão da Dieta Mediterrânea e a Ingestão Hídrica


Embora a alta ingestão de proteínas na dieta não seja diretamente associada à manutenção da massa magra em mulheres pós-menopáusicas, padrões alimentares saudáveis, como a dieta mediterrânea, têm sido relacionados a melhores medidas musculares. Os componentes dessa dieta, ricos em antioxidantes, têm efeitos benéficos no combate ao estresse oxidativo, inflamação e resistência à insulina, contribuindo para a preservação dos músculos. 


A melhor dieta para perda de peso ainda é discutível, seja dieta com baixo teor de gordura, baixo teor de carboidratos ou rica em proteínas, sem superioridade evidente de uma sobre as outras para o propósito específico de perda de peso. As diretrizes de gerenciamento da obesidade do American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines e da Obesity Society recomendam um déficit calórico diário de 500 a 750 kcal, o que para a maioria das mulheres significa comer 1.200 a 1.500 kcal/dia, e é esperado que resulte em uma perda de peso média de 0,5 a 0,75 kg/semana. 


Além disso, durante a menopausa, a ingestão adequada de líquidos desempenha um papel crucial na regulação do metabolismo celular, na manutenção da hemostasia e no equilíbrio térmico. Além disso, contribui para a desintoxicação, o funcionamento gastrointestinal adequado e a hidratação das mucosas, assim como para a saúde da pele. As alterações hormonais, especialmente do estrogênio e da progesterona, influenciam não apenas o sistema cardiovascular, mas também o equilíbrio de fluidos e eletrólitos, afetando a sede e podendo resultar em uma redução na ingestão de líquidos. A recomendação individualizada para a ingestão diária de líquidos é de 33 mL/kg/dia, distribuídos uniformemente ao longo do dia.


Doenças Crônicas na Menopausa


O declínio dos níveis hormonais durante a menopausa está relacionado ao aumento do risco e da incidência de doenças crônicas, como osteoporose, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer de mama sensível a hormônios. Recomenda-se uma dieta equilibrada, rica em ácidos graxos insaturados, fibras, cálcio e vitamina D, para reduzir esses riscos. Além disso, manter um peso saudável e uma composição corporal adequada é fundamental para prevenir complicações associadas a essas doenças. 


Nesse sentido, a Sociedade Norte-Americana de Menopausa na verdade recomenda 1.000 a 1.500 mg de cálcio dietético por dia para mulheres na pós-menopausa. As evidências disponíveis de ECRs concluídos não forneceram suporte para o uso isolado de suplementação de vitamina D ou cálcio para prevenir fraturas. Por outro lado, a suplementação diária com vitamina D (400–800 UI/dia) e cálcio (1000–1200 mg/dia) foi uma estratégia mais promissora. 


Ainda, em relação ao câncer, o câncer de mama é uma preocupação importante, e fatores como excesso de peso, consumo regular de álcool e falta de atividade física são conhecidos por aumentar significativamente o risco dessa doença. Estudos mostram que um ganho de peso de 20 kg na idade adulta pode dobrar o risco de câncer de mama, enquanto o consumo regular de álcool e um estilo de vida sedentário, tanto antes quanto após a menopausa, também estão ligados a um maior risco. 


Manter um estado nutricional adequado e uma composição corporal saudável desempenha um papel fundamental na redução desse risco. É importante alcançar e manter uma faixa normal de massa muscular e massa livre de gordura. Além de seguir uma dieta equilibrada, é recomendável incluir regularmente vegetais crucíferos na alimentação, como repolho, brócolis, couve-flor, rabanete e canola, e consumir pelo menos meio quilo de vegetais e frutas diariamente. E caso haja excesso de peso, é recomendado reduzir a ingestão calórica em 500 a 700 kcal, limitando a ingestão de gordura a 30-35% da energia total, preferencialmente com ácidos graxos monoinsaturados e poli-insaturados, presentes em gorduras vegetais. Além disso, uma redução de peso corporal de 5 a 10% em casos de sobrepeso ou obesidade pode ajudar a diminuir o tamanho do tumor.


Prática Clinica


Uma abordagem nutricional adequada durante a menopausa pode contribuir significativamente para o bem-estar geral e a prevenção de doenças crônicas. Embora a dieta mediterrânea tenha demonstrado benefícios nesse contexto, é importante adaptar as recomendações nutricionais às preferências e necessidades individuais. Enfatizar uma alimentação balanceada e sustentável é crucial para promover a saúde a longo prazo durante essa fase da vida.


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Referências Bibliográficas


SILVA, Thais R.; OPPERMANN, Karen; REIS, Fernando M.; SPRITZER, Poli Mara. Nutrition in Menopausal Women: a narrative review. Nutrients, [S.L.], v. 13, n. 7, p. 2149, 23 jun. 2021. MDPI AG. 


ERDÉLYI, Aliz; PÁLFI, Erzsébet; Tőő, László; NAS, Katalin; SZőCS, Zsuzsanna; TÖRÖK, Marianna; JAKAB, Attila; VÁRBÍRÓ, Szabolcs. The Importance of Nutrition in Menopause and Perimenopause—A Review. Nutrients, [S.L.], v. 16, n. 1, p. 27, 21 dez. 2023. MDPI AG.


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