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  • Foto do escritorKcal da Science Play

O consumo de refrigerante pode aumentar em 57% a chance de calvície em homens?

Foi matéria recentemente em diversos portais de notícias do Brasil e do exterior, o desfecho encontrado por um grupo de pesquisadores na China que associaram o consumo de 1 lata de refrigerante por dia com o aumento da chance de desenvolvimento da calvície em até 57%. Para você entender mais sobre o tema, a queda de cabelo de padrão masculino (MPHL) consiste em uma forma progressiva e não cicatricial de perda de cabelo, na qual tornou-se uma questão de saúde pública, visto que a ocorrência aumenta em larga escala enquanto a idade de início começa a sofrer regressão. Ou seja, ao passo que a idade para aparecimento da queda capilar diminui, mais homens se queixam do quadro, porém, será que existe mesmo uma relação entre o consumo de refrigerante e calvície?

Posto isso, seu desenvolvimento está relacionado a vários fatores, incluindo genética, ansiedade, tempo de sono, idade, índice de massa corporal (IMC), histórico de doenças, atividades físicas, nutrição e tabagismo, além de que outro fator de extrema relevância é a ingestão dietética, visto que diversos estudos apontam o efeito negativo da dieta ocidental no MPHL. Sendo assim, presume-se que em razão do alto consumo de açúcares adicionados influencia diretamente nas vias de poliol e, assim, desencadeia a queda capilar, logo, pode existir uma relação entre o consumo de refrigerante e a calvície.

Na literatura científica, os estudos voltados para compreensão das causas do MPHL comumente referem-se ao consumo de bebidas adoçadas com açúcar, dentre elas estão inclusos incluem refrigerantes, suco com adição de açúcar, bebidas esportivas, bebidas energéticas, leite adocicado e chá/café com açúcar. Além disso, estudos atuais indicam a correlação entre o consumo destas com o desenvolvimento de doenças crônicas, obesidade, cárie dentária e problemas emocionais.



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Interpretação do Estudo sobre refrigerante e calvície

Um recente estudo de coorte foi realizado buscando compreender a associação entre o consumo de bebidas adoçadas com açúcar e a queda de cabelo de padrão masculino em homens jovens. Para compor a amostragem foram selecionados jovens com idade entre 18 a 45 anos residentes da China continental, sendo que a idade média é de 27 anos. 

No que se trata da ingestão alimentar, em comparação com indivíduos com dieta balanceada, o grupo MPHL consumia mais frituras, açúcar, mel, doces, sorvetes e menos vegetais, além de consumirem bebidas adoçadas com açúcar, como o refrigerante, no mínimo uma vez por dia. Dessa forma, fica evidente que estas apresentam uma tendência para o aumento do risco de calvície de padrão masculino. Entretanto, vale ressaltar que esta associação foi encontrada entre pessoas que consomem refrigerante em sua versão “original”, não a versão zero açúcar.

Ademais, idade, escolaridade, IMC, tabagismo, etilismo, histórico familiar, coloração/permanente/descoloração/relaxamento, tempo de sono, atividade física, quadros de ansiedade e transtorno do estresse pós-traumático (TEPT), também contribuem para maior suscetibilidade ao desenvolvimento do MPHL.

Contudo, os pesquisadores levantam a hipótese de que a maior ingestão de refrigerantes entre os homens mais jovens deve-se a uma “falta de consciência dos efeitos nocivos” das bebidas açucaradas. Ainda julgam que “Doenças crônicas e mortes são tão vagas e distantes para os jovens que eles não estão dispostos a desistir da satisfação trazida pelos refrigerantes em prol de metas de saúde de longo prazo”. 

A justificativa bioquímica ao desfecho

No que se trata do efeito direto das bebidas adoçadas com açúcar no MPHL, o alto teor de açúcar induz uma maior concentração sérica de glicose, o que desencadeia a via do poliol criando uma alta afinidade pela aldose redutase. Visto que os sintomas bioquímicos da alopecia androgenética (AGA) no couro cabeludo são altamente sugestivos de uma via de poliol hiperativa, devido a um fornecimento contínuo de glicose, a via do poliol é reforçada por um loop de feedback positivo. 

Ainda para consolidar tal hipótese, estudos in vitro e in vivo demonstraram que a utilização de glicose na via do poliol reduz a quantidade de glicose disponível para os queratinócitos da bainha externa da raiz dos folículos pilosos, e a gliconeogênese também é antagonizada pela depleção dos níveis de ATP e fosfato. Dessa forma, a falta de energia nos queratinócitos da bainha externa da raiz é considerada uma possível causa de MPHL.

Prática clínica: existe relação entre o consumo de refrigerante e calvície?

Quando o assunto é o consumo de refrigerante e a calvície, bioquimicamente, esta relação existe, mas como foi um estudo de coorte, não podemos afirmar que de fato haverá este aumento tão acentuado na chance de desenvolvimento de calvície, mesmo com uma justificativa que envolve os mecanismos bioquímicos da glicose para tal. Como os próprios pesquisadores destacam no artigo, o estilo de vida dos voluntários, composto por dieta hipercalórica e com alto consumo de ultraprocessados, o sedentarismo entre outros fatores, também contribui muito ao desfecho encontrado.

Portanto, mais pesquisas com o desenho de ensaios clínicos randomizados e futuramente revisões sistemáticas e meta-análises são necessárias,  mas de antemão é prudente de nossa parte como profissionais de saúde, aconselhar o nosso paciente a reduzir o consumo de refrigerantes de acordo com cada indivíduo.

Referências Bibliográficas

Assista ao vídeo do Médico Bruno César na plataforma Science Play – Alterações Hormonais na Obesidade

O artigo: Shi, X.; Tuan, H.; Na, X.; Yang, H.; Yang, Y.; Zhang, Y.; Xi, M.; Tan, Y.; Yang, C.; Zhang, J.; Zhao, A. The Association between Sugar-Sweetened Beverages and Male Pattern Hair Loss in Young Men. Nutrients 2023, 15, 214. https://doi.org/10.3390/nu15010214

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