top of page

O consumo de vinho faz bem para a saúde?

Embora esteja claro que o abuso do álcool é bastante prejudicial para a saúde, muitos estudos mostraram o papel protetor de quantidades moderadas do vinho para o organismo. Isso se justifica por causa da grande quantidade de compostos bioativos (antocianinas, flavonas, flavonóides, flavonóis, alquilfenóis, tirossóis, ácidos fenólicos, ligninas, estilbenos) que apresenta em sua composição.

Esses compostos bioativos do vinho são frequentemente definidos como moléculas capazes de proteger o organismo contra uma variedade de danos relacionados com o stress, modulando as vias de sinalização intracelular que levam à inibição da síntese de moléculas pró-inflamatórias, formação de radicais livres e danos nucleares, e induzindo a expressão do gene da enzima antioxidante. 



Table of ContentsToggle

Ação dos fitoquímicos presente no vinho 

O resveratrol é o estilbeno mais estudado e mais conhecido, possui propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antienvelhecimento e anti-carcinogênica. Entretanto, a produção de uvas e vinhos com elevado teor de resveratrol depende da qualidade de toda sua fabricação. Em regra, quanto maior for a concentração de uvas, maior será a concentração de resveratrol no vinho. Além disso, está mais presente em vinhos tintos em comparação com os brancos.

Tal como com a maioria dos fitoquímicos, para poder definir claramente o seu potencial impacto na saúde, é essencial definir a sua taxa de absorção e metabolismo. A taxa de absorção do resveratrol é de aproximadamente 75% (dose oral de 25 mg), mas a biodisponibilidade é fraca. O resveratrol é rapidamente metabolizado e absorvido através do trato gastrointestinal.

Dessa forma, o resveratrol não pode ser considerado o único responsável pelos benefícios associados ao consumo moderado de vinho tinto, mas estes efeitos são atribuíveis a todo o conjunto de antioxidantes presentes que demonstraram neutralizar o stress oxidativo, ativando a via Nrf2 e regulando uma série de enzimas antioxidantes que são cruciais para a prevenção de doenças crônicas/degenerativas.

Consumo do álcool

No entanto, o vinho fornece álcool à dieta. E o álcool, mesmo a um baixo consumo, pode exercer efeitos nocivos sobre a saúde, seu consumo crônico está relacionado com doenças não transmissíveis, tais como a cirrose hepática e os câncer. Durante o seu metabolismo, o álcool é oxidado a acetaldeído, substância reativa com alta capacidade de toxicidade, podendo interagir diretamente com proteínas, lipídios e DNA e por isso se torna tão preocupante. No entanto, o resveratrol e os flavonóides do vinho tinto modulam a expressão de enzimas que participam diretamente da desintoxicação do acetaldeído.

O teor alcoólico do vinho varia entre 11% a 14%, sendo bem inferior ao das bebidas espirituosas (cerca de 35%). Além disso, a concentração de compostos polifenólicos nas bebidas destiladas são praticamente insignificantes.

O impacto do estilo de vida e padrão alimentar

Os componentes bioativos não são a única razão para os efeitos benéficos associados ao consumo de vinho; os fatores sociais também são importantes. A dieta do mediterrâneo foi eleita a melhor em 2023 e esse modelo dietético sugere o consumo moderado de vinho durante as refeições. Quando consumido durante as refeições, o vinho tende a ser bebido mais lentamente do que outras bebidas alcoólicas, o que pode proporcionar benefícios metabólicos. Além disso, a presença de alimentos no estômago retarda a absorção do etanol, ajudando o metabolismo e a detoxificação hepática, e baixando o pico da concentração de álcool no sangue. 

A presença de alimentos pode também reduzir a quantidade de álcool disponível para a microbiota oral, que tem a capacidade de metabolizar o etanol a acetaldeído. Além disso, a presença de álcool pode melhorar a biodisponibilidade dos polifenóis no bolo alimentar, tornando-os mais assimiláveis e pode reduzir a bioacessibilidade da glicose, o que é consistente com os efeitos hipoglicêmicos observados nos estudos.

Prática Clínica 

Ao pensar se vinho faz bem para a saúde, existem fortes provas científicas de países mediterrânicos e não mediterrânicos de que o consumo moderado de vinho aumenta a longevidade, reduz o risco de doenças cardiovasculares e não influencia o risco global de câncer, embora seja necessário sublinhar que não beber álcool seja melhor em todos aspectos para a saúde. Dessa forma, os profissionais de saúde não devem recomendar o álcool a não bebedores e além disso é importante promover uma educação comportamental para prevenir o abuso, especialmente entre os jovens. 

Referências bibliográficas

Assista o vídeo na Science Play com Roberta Thawana: Dieta anti-inflamatória: estratégias na prática clínica 

Artigo: Hrelia S, Di Renzo L, Bavaresco L, Bernardi E, Malaguti M, Giacosa A. Moderate Wine Consumption and Health: A Narrative Review. Nutrients. 2023; 15(1):175. https://doi.org/10.3390/nu15010175

Classifique esse post

3 visualizações

Comments


bottom of page