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O controle de apetite no processo de emagrecimento

A busca por um peso saudável e uma composição corporal adequada é uma jornada desafiadora para muitos indivíduos. Às vezes, o paciente está na sua frente após tentativas frustradas com outros profissionais, ou está buscando perder peso há mais de 10 anos. O processo de perda de peso envolve uma combinação de fatores, incluindo dieta, exercícios, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, intervenções médicas. Porém, existe uma variável que você precisa entender: o controle do apetite. 

Uma parte crucial desse acompanhamento médico é a avaliação clínica regular. Isso envolve a análise de vários parâmetros de saúde, incluindo o controle de apetite, uma área muitas vezes negligenciada, mas que desempenha um papel significativo no sucesso da perda de peso.



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O controle do apetite pode ser preditor de sucesso no emagrecimento 

Provavelmente, você deve saber que a avaliação do apetite desempenha um papel crucial na ingestão de energia, na eficácia de intervenções para perda de peso e na manutenção dessa perda de peso. Por isso, evidências recentes indicam que as mudanças no apetite podem ser interpretadas como um controle clínico durante a avaliação do seu paciente. Inquestionavelmente, conhecer a fisiologia por trás do mecanismo de saciedade é entender o porquê a clínica é soberana. 

A perda de peso desencadeia uma série de alterações hormonais intestinais que desempenham um papel fundamental na regulação do apetite. Diversos estudos revelam que a diminuição nos níveis de leptina, um hormônio produzido pelas células adiposas, consequentemente à alimentação, está associada a um aumento na sensação de fome e no desejo de comer. Essa diminuição na leptina, juntamente com mudanças na grelina, um hormônio liberado pelo estômago que estimula o apetite, pode contribuir para a intensificação das ânsias alimentares durante a perda de peso.

Além disso, a redução nos níveis de peptídeos intestinais como PYY (peptídeo YY) e CCK (colecistocinina) após a perda de peso pode impactar a sensação de saciedade, levando a um aumento na fome e na urgência de comer. Essas alterações hormonais e intestinais complexas demonstram como a perda de peso pode desencadear respostas fisiológicas que desafiam o controle do apetite.

Por outro lado, observou-se que o GLP-1 e o PYY em jejum diminuem após a perda de peso, contribuindo para uma sensação aumentada de fome e maior desejo de comer. O aumento nos níveis de grelina, também pode desempenhar um papel nesse processo, intensificando a sensação de fome após a perda de peso. Essas mudanças hormonais e intestinais revelam a complexidade da regulação do apetite durante o processo de perda de peso. Certamente, é importante compreender esses mecanismos para desenvolver estratégias de gerenciamento de peso eficazes que considerem não apenas a redução calórica, mas também a regulação dos hormônios e sinais intestinais envolvidos no controle do apetite.

Em geral, a maioria dos estudos que investigam as alterações nos peptídeos relacionados ao apetite após a perda de peso revela que déficits prolongados de energia contribuem para alterações nos reguladores hormonais do apetite de uma maneira que tende a aumentar a sensação de fome e diminuir a saciedade.

Essa condição provavelmente resulta em um estímulo geral para o consumo de alimentos e possivelmente em um consumo excessivo, o que, por sua vez, facilita a recuperação do peso perdido. Essa complexa interação entre as mudanças hormonais, a regulação do apetite e o comportamento alimentar realça a importância de uma abordagem racional para a perda de peso, que leve em consideração não apenas a redução de calorias, mas também as modificações hormonais que podem afetar o sucesso a longo prazo na manutenção do peso ideal.

Portanto, a compreensão das alterações hormonais e intestinais desencadeadas pela perda de peso é crucial para entender qual momento seu paciente está passando e desenvolver estratégias de gerenciamento de peso eficaz e sustentável a longo prazo.

Análise do Controle de Apetite na Literatura Científica

Um estudo que aborda isso fundamentalmente é o Weight Loss and Appetite Control in Women, publicado em Setembro de 2017, na Revista Current Obesity Reports, que apesar de não ser tão recente, mostra pontualmente como o apetite precisa ser avaliado e levado em conta em toda consulta com seu paciente. 

O estudo evidenciou que em um conjunto de voluntários com obesidade, incluindo homens e mulheres, houve uma recuperação de peso significativa, superior a 10%, após 32 semanas do início do programa de perda de peso. Esse aumento no peso foi correlacionado com níveis mais elevados de leptina em jejum e níveis mais baixos de grelina. 

Isso sugere que as restrições calóricas agudas e crônicas podem influenciar a preferência por alimentos, especialmente aqueles ricos em energia e palatáveis. Essa mudança na preferência alimentar pode resultar em um aumento subsequente na ingestão calórica, o que, por sua vez, pode comprometer os esforços de perda de peso e tornar mais desafiadora a manutenção do peso perdido. 

Assim, fica evidente que os padrões de comportamento alimentar desempenham um papel crucial na eficácia da perda de peso induzida pela dieta. De fato, observa-se que o aumento na restrição alimentar, aliado à redução da desinibição e da suscetibilidade à fome, está positivamente associado à magnitude da perda de peso alcançada.

Existem evidências sólidas que sustentam a ideia de que indivíduos bem-sucedidos na perda de peso apresentam uma maior atividade nos circuitos cerebrais relacionados à recompensa. Além disso, os dados indicam que essas pessoas demonstram maior capacidade de direcionar sua atenção visual e exercer um controle inibitório significativo em resposta a estímulos alimentares.

Portanto, as adaptações parecem manter-se mesmo após a perda de peso e, aparentemente, podem ser contrabalançadas pelo aumento do envolvimento do controle inibitório em certas regiões cerebrais. Essa alteração pode, em parte, explicar como alguns indivíduos conseguem manter a perda de peso a longo prazo.

Prática Clínica 

A jornada para a perda de peso e sua manutenção é intrinsecamente relacionada ao controle do apetite. Como foi minuciosamente explicado, o apetite desempenha um papel crucial na ingestão de energia e na eficácia das intervenções para a perda de peso. Isso enfatiza que as mudanças no apetite representam um dos maiores desafios a serem superados no caminho para o sucesso da perda de peso.  

Agora, você já sabe o que não pode deixar de perguntar para seu paciente na consulta: você está passando fome? Quando sente fome, come o que está programado ou procura uma brecha para comer alimentos mais palatáveis? Compreender a complexa interação entre os hormônios, as adaptações comportamentais e as respostas cerebrais associadas ao apetite é essencial para o desenvolvimento de estratégias de gerenciamento de peso eficazes e sustentáveis.

A abordagem considera não apenas a restrição calórica, mas também as influências psicológicas e fisiológicas do apetite, é fundamental para auxiliar os indivíduos na conquista de seus objetivos de perda de peso e na manutenção de um estilo de vida saudável a longo prazo. A nossa “take home message” para você é: reconhecer o apetite como um fator crítico na equação da perda de peso é o primeiro passo para garantir resultados duradouros e melhorias na saúde geral.

Referência Bibliográfica

Hintze LJ, Mahmoodianfard S, Auguste CB, Doucet É. Weight Loss and Appetite Control in Women. Curr Obes Rep. 2017;6(3):334-351. doi:10.1007/s13679-017-0273-8

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