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O Impacto da Nutrição na Saúde Mental

Atualmente, observa-se uma tendência crescente no aumento da prevalência de transtornos mentais, juntamente com o aumento da mortalidade associada a esses transtornos em todo o mundo, tornando-se um problema de saúde pública significativo. Segundo uma das principais revistas na área das ciências médicas, "The Lancet", a prevalência de distúrbios mentais na população em geral é de 22,1%, afetando uma parcela significativa da sociedade.

 

Qualidade da Dieta e Saúde Mental 

 

Um estudo demonstrou que pontuações mais altas em dietas com baixa ingestão de junk foods e bebidas açucaradas estão associadas a uma melhor saúde mental, mesmo após ajustes de co-variáveis que incluem comportamentos alimentares, índice de massa corporal e atividade física. Em outras palavras, uma dieta mais saudável está relacionada a uma redução significativa no risco de transtornos mentais. Além disso, quanto menor o índice inflamatório de uma dieta, menor é a incidência de depressão, reduzindo o risco em 24%.

 

Adicionalmente, o estilo de vida mediterrâneo, que abrange não apenas o padrão de consumo de alimentos, mas também outros aspectos como atividade física e interação social, pode ser responsável pelos benefícios de saúde associados à alimentação. Portanto, todos esses fatores combinados podem contribuir para a redução do risco de depressão.

 

Associação entre Dieta e Regulação do Humor

 

O hipocampo é uma estrutura cerebral associada ao aprendizado, memória e regulação do humor, e está especificamente implicado na depressão. Em um estudo longitudinal, uma menor ingestão de alimentos ricos em nutrientes e uma maior ingestão de alimentos não saudáveis foram associadas, independentemente, a um volume menor do hipocampo esquerdo.

 

Dieta e Desenvolvimento do Sistema Neuroendócrino

 

O período gestacional é crucial para o desenvolvimento neuroendócrino humano, impactando diretamente os primeiros anos de vida. Nesse contexto, observa-se um aumento do risco de desenvolvimento de transtornos mentais em bebês, especialmente o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), à medida que o índice de Massa Corporal das mães aumenta.

 

Portanto, garantir a ingestão adequada de certos nutrientes durante a gestação é essencial. O ácido fólico, por exemplo, é fundamental, pois mães com deficiência pré-natal (<7nmol/L) apresentaram maior risco de problemas emocionais em seus filhos. Além disso, o Ômega 3 desempenha um papel importante, uma vez que sua insuficiência pode estar relacionada ao declínio cognitivo. Vale ressaltar que mais estudos são necessários para confirmar a hipótese de que a insuficiência de DHA no útero está associada à dislexia, TDAH e Autismo.

 

Desnutrição e Saúde Mental na Literatura

 

Um estudo envolvendo crianças mal nutridas, que apresentavam pelo menos um dos seguintes sintomas: anemia ferropriva, cabelos finos e esparsos ou despigmentados, ou estomatite angular, demonstrou que aquelas com sinais de desnutrição aos 8 anos eram mais propensas a comportamentos agressivos e/ou hiperativos. Aos 11 anos, já exibiam maior tendência à delinquência, e aos 17 anos, apresentavam um aumento na desordem de conduta e atividade motora excessiva. Esses achados ressaltam a importância da nutrição adequada durante a infância para o desenvolvimento saudável e o comportamento adequado ao longo da vida.

 

Microbiota intestinal e Transtornos Mentais

 

O microbioma intestinal também pode influenciar o desenvolvimento neural, cognição e comportamento. Evidências recentes sugerem que mudanças no comportamento podem alterar a composição dessa microbiota, ao passo que modificações no microbioma podem induzir comportamentos depressivos. Embora a associação entre enteropatia e certas condições psiquiátricas seja reconhecida há muito tempo, agora parece que os micro-organismos intestinais representam mediadores diretos da psicopatologia.

 

Prática Clínica

 

Cada caso deve ser analisado individualmente; no entanto, alguns suplementos podem ter eficácia específica para transtornos de humor e saúde mental. O Ômega 3, por exemplo, demonstrou efeitos positivos de pequenos a moderados em fórmulas com alto teor de EPA (> 50% - 2.200mg EPA/dia) na depressão clínica geral, além de atuar como coadjuvante aos inibidores seletivos da recaptação de serotonina no transtorno depressivo maior, e também apresentou efeitos benéficos nos sintomas totais de TDAH (até 2.513mg EPA/dia).

 

Suplementos à base de folato mostraram pequenos benefícios gerais para a depressão unipolar, com destaque para o metilfolato em doses elevadas no tratamento do transtorno depressivo maior resistente (15 mg/dia), e também apresentaram reduções significativas nos sintomas de esquizofrenia como tratamento coadjuvante. A vitamina D demonstrou melhorias moderadas na depressão maior (50.000 UI/semana),enquanto a N-acetilcisteína evidenciou reduções pequenas a moderadas nos sintomas depressivos em diversos diagnósticos psiquiátricos (2.000mg/dia), com alguns efeitos observados também sobre sintomas bipolares (200mg/dia).

 

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Referências Bibliográficas

 

FIRTH, Joseph; TEASDALE, Scott B.; ALLOTT, Kelly; SISKIND, Dan; MARX, Wolfgang; COTTER, Jack; VERONESE, Nicola; SCHUCH, Felipe; SMITH, Lee; SOLMI, Marco. The efficacy and safety of nutrient supplements in the treatment of mental disorders: a meta⠰review of meta⠰analyses of randomized controlled trials. World Psychiatry, [S.L.], v. 18, n. 3, p. 308-324, 9 set. 2019. Wiley.

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