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O Papel da Genômica na Medicina Esportiva Personalizada

Hoje em dia, o impacto das variantes genômicas na performance esportiva é um tema bastante controverso. Isso porque, apesar das mais de 250 variações gênicas encontradas, acredita-se que poucas impactam significativamente na performance dos atletas.


Além disso, já foi estimado que a genética contribui em aproximadamente 50% para performance esportiva. Em seguida, a outra metade é influenciada por fatores não genéticos, como método de treinamento, dieta e fatores ambientais. Sendo assim, leia abaixo para compreender melhor o papel da genômica na medicina esportiva.


O que é Genômica?


A genômica é o estudo dos genomas de organismos, incluindo a estrutura, função, evolução e mapeamento de genes e suas interações. Na medicina esportiva personalizada, a genômica desempenha um papel fundamental ao analisar o impacto dos genes na resposta individual ao exercício físico e no desempenho esportivo.


A individualidade genética refere-se às variações genéticas únicas presentes em cada indivíduo, que podem influenciar sua capacidade de se exercitar, responder ao treinamento e alcançar o máximo desempenho esportivo. Essas variações genéticas podem afetar diversos aspectos, como a capacidade aeróbica, a força muscular, a recuperação pós-exercício e a predisposição a lesões.


Ao considerar a individualidade genética na medicina esportiva, os profissionais de saúde podem personalizar programas de treinamento e nutrição com base nas características genéticas de cada atleta. Isso permite uma abordagem mais precisa e eficaz para otimizar o desempenho esportivo, minimizar o risco de lesões e acelerar a recuperação.


Variantes Genéticas Relacionadas ao Desempenho Esportivo


A influência das variantes genéticas no desempenho esportivo é um campo de estudo em constante evolução, com várias variantes genéticas conhecidas por desempenhar um papel significativo na aptidão física e no sucesso atlético. Genes como ACE e ACTN3 têm sido amplamente estudados devido à sua associação com características como resistência aeróbica, força muscular e potência. Variantes específicas nesses genes, como a inserção/deleção no gene ACE e a mutação R577X no gene ACTN3, foram identificadas como influentes no desempenho esportivo, especialmente em modalidades de resistência e potência.


Além dos genes ACE e ACTN3, outras variantes genéticas, como as relacionadas ao gene NRF2 e PPARA, também desempenham um papel na determinação da capacidade de recuperação muscular, resistência ao estresse oxidativo e metabolismo durante o exercício. Esses genes estão envolvidos em processos fisiológicos que podem impactar diretamente a resposta do corpo ao treinamento físico e ao desempenho esportivo. 


Além disso, genes como COL5A1, que codifica uma proteína estrutural do colágeno, estão associados à predisposição a lesões musculoesqueléticas em atletas. Variantes neste gene podem influenciar a integridade dos tecidos conjuntivos e a suscetibilidade a lesões durante a prática esportiva. Portanto, a identificação e compreensão dessas variantes genéticas relacionadas ao desempenho esportivo são essenciais para uma abordagem personalizada e eficaz na maximização do potencial atlético e na minimização dos riscos de lesões em atletas de todos os níveis.


Personalização de Programas de Treinamento e Nutrição 


A personalização de programas de treinamento e nutrição com base em informações genéticas é uma abordagem inovadora e promissora para otimizar o desempenho esportivo e a saúde dos atletas. Ao identificar variantes genéticas relevantes, como aquelas nos genes ACE, ACTN3, NRF2 e PPARA, os profissionais de saúde e treinadores podem adaptar os programas de treinamento para atender às necessidades específicas de cada indivíduo. Essa abordagem personalizada pode ajudar a maximizar os benefícios do treinamento, melhorar a recuperação muscular e reduzir o risco de lesões, levando a um desempenho esportivo aprimorado.


Além disso, a personalização da nutrição com base em informações genéticas pode ser fundamental para otimizar a dieta dos atletas, garantindo a ingestão adequada de nutrientes essenciais para o desempenho e a recuperação. Variantes genéticas em genes relacionados ao metabolismo de gorduras, resposta ao estresse oxidativo e integridade dos tecidos conjuntivos podem influenciar as necessidades nutricionais individuais. Ao considerar essas informações genéticas, os profissionais de saúde podem recomendar estratégias nutricionais personalizadas que atendam às demandas específicas de cada atleta, contribuindo para um melhor desempenho esportivo e bem-estar geral.


Prevenção de Lesões e Recuperação 


A recuperação pós-exercício desempenha um papel crucial no desempenho esportivo e na prevenção de lesões, sendo essencial para a adaptação do corpo ao estresse físico do treinamento. A genômica oferece insights valiosos sobre como indivíduos respondem à atividade física e se recuperam do exercício, permitindo a identificação de variantes genéticas em genes como COL5A1, que influenciam a integridade dos tecidos conjuntivos e a suscetibilidade a lesões musculoesqueléticas. Compreender essas variantes genéticas pode orientar estratégias de recuperação individualizadas, adaptando os protocolos de descanso, nutrição e terapias de recuperação para atender às necessidades específicas de cada atleta, promovendo uma recuperação mais eficaz e sustentável.


Além disso, genes como os relacionados ao metabolismo de glicogênio, como o gene GYS1, desempenham um papel fundamental na reposição de energia após o exercício, influenciando a capacidade do corpo de se recuperar e se preparar para futuros esforços físicos. Ao analisar essas variantes genéticas, os profissionais de saúde e treinadores podem desenvolver estratégias personalizadas de recuperação pós-exercício, otimizando a reposição de nutrientes, a regeneração muscular e a redução da fadiga, levando a uma recuperação mais eficiente e a um desempenho atlético aprimorado.


Prática Clínica 


O médico pode utilizar a genômica esportiva para personalizar os programas de treinamento e nutrição dos atletas, otimizando o desempenho e reduzindo o risco de lesões. Ao analisar variantes genéticas, como aquelas presentes nos genes ACE, ACTN3, NRF2 e PPARA, pode-se identificar predisposições individuais que influenciam a capacidade aeróbica, a força muscular, a recuperação pós-exercício e a susceptibilidade a lesões. Com base nessas informações, o médico pode elaborar planos de treinamento adaptados às características genéticas de cada atleta, bem como recomendar estratégias nutricionais personalizadas para atender às suas necessidades específicas.


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Referências Bibliográficas


PSATHA, Aikaterini; AL-MAHAYRI, Zeina N.; MITROPOULOU, Christina; PATRINOS, George P.. Meta-analysis of genomic variants in power and endurance sports to decode the impact of genomics on athletic performance and success. Human Genomics, [S.L.], v. 18, n. 1, p. 1, 17 maio 2024. Springer Science and Business Media LLC.

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