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O Poder da Anamnese na Nutrição Esportiva: A Relevância de uma Ferramenta Esquecida

A ascensão da inteligência artificial tem preocupado os profissionais de saúde, entretanto, ela carece de uma das habilidades mais preciosas do ser humano: a capacidade de compreender o contexto completo do paciente, levando em conta aspectos psicológicos, sociais e culturais. 


Por sua vez, a anamnese é essencial na prática clínica, buscando conhecer o paciente de forma individualizada e profunda, indo além de um simples questionário pré-estabelecido. Ela deve, então, ser uma interpretação profunda, capaz de causar uma transformação no estilo de vida do paciente. Tendo isso em vista, o modelo biomédico e técnico muitas vezes negligencia essas diferenças, e a alimentação se apresenta como algo muito mais complexo do que uma teoria de calorias e macronutrientes.


Consulta


A consulta pode ser dividida em algumas etapas: pré-anamnese, anamnese, avaliação antropométrica, rotina de atividades do paciente, recordatório alimentar, suplementação adicional e apresentação do plano e prescrições.


  • A pré-anamnese busca entender o contexto de vida do paciente, seu histórico patológico, medicamentos em uso e exames recentes.

  • A anamnese propriamente dita visa compreender os objetivos do paciente, aumentar sua consciência sobre seu estado clínico e analisar exames juntamente com o paciente.

  • A avaliação antropométrica e a rotina de atividades do paciente fornecem informações cruciais sobre seu estado físico e estilo de vida.

  • O recordatório alimentar é fundamental para avaliar padrões alimentares, hidratação, aversões e intolerâncias. É importante considerar que esse é o momento ideal para avaliar os hábitos alimentares, fatores socioeconômicos e nível de comprometimento do paciente.

  • A suplementação adicional também pode ser necessária para aprimorar a prescrição. Se for esse o caso, deve ser feita uma prescrição magistral.


Comunicação


A comunicação entre paciente e nutricionista é essencial para garantir a assertividade na consulta, embora muitas vezes seja subestimada na formação profissional. Demonstrar interesse genuíno e concentração na conversa, praticar a escuta ativa e fazer perguntas abertas são práticas fundamentais para construir vínculos eficazes com os pacientes. A linguagem corporal também desempenha um papel crucial na comunicação, complementando o que é dito verbalmente. Além disso, é importante fazer uma prescrição dietética que atenda às necessidades reais do paciente, em vez de simplesmente impor aquilo que o profissional acredita ser o melhor.


Ademais, outro ponto a ser analisado, principalmente no contexto atual, em que a atenção é um recurso escasso, é o foco. A capacidade de treinar o foco para estabelecer uma conexão significativa com o paciente e garantir que suas necessidades sejam adequadamente compreendidas e atendidas é imprescindível quando o objetivo é estabelecer um bom vínculo com o paciente e, portanto, causar uma mudança significativa no estilo de vida do mesmo. Em suma, a anamnese vai muito além de um roteiro de perguntas pré-estabelecidas. Tendo isso em vista, ela se torna necessária para uma prática profissional transformadora.


Prática Clínica


Priorize uma abordagem humanizada e personalizada em suas consultas nutricionais. Aprofunde-se na anamnese, buscando compreender não apenas os aspectos físicos, mas também os psicológicos, sociais e culturais do paciente. Dedique tempo à comunicação eficaz, demonstrando interesse genuíno, praticando a escuta ativa e utilizando perguntas abertas para construir vínculos sólidos. Além disso, treine o foco para garantir uma conexão significativa com o paciente e uma compreensão completa de suas necessidades. Lembre-se de que a anamnese é mais do que um roteiro de perguntas; é uma ferramenta poderosa para uma prática profissional transformadora.


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Sugestão de estudo: Nutrição Esportiva




Referências Bibliográficas


ALBALA, Ken. Comendo na pós-modernidade: como o comprar, o cozinhar e o comer estão se transformando na era digital. Estudos Sociedade e Agricultura, [S.L.], v. 25, n. 2, p. 238, 1 jun. 2017. Revista Estudos Sociedade e Agricultura.

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