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  • Foto do escritorKcal da Science Play

O que é a alicina e quais suas propriedades biológicas? 

A alicina (dialiltiossulfinato) é uma molécula de defesa do alho (Allium sativum L.). Ela é um composto natural presente no alho que contém enxofre e possui muitas propriedades biológicas diferentes. É responsável pelo cheiro e sabor típicos do alho acabado de cortar ou amassado.  Acredita-se que a maioria dos efeitos da alicina seja mediada via mecanismo de redox. A alicina tem uma variedade de propriedades promotoras da saúde, como por exemplo, efeitos de redução do colesterol e da pressão sanguínea que são vantajosas para o sistema cardiovascular.



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Alicina e doenças cardiovasculares

Os distúrbios cardiovasculares são complexos, pois são influenciados por diversos fatores. Em particular, eventos oxidativos gerais como a oxidação da proteína lipídica de baixa densidade (LDL) correlaciona-se frequentemente com a aterosclerose. Embora a alicina seja quimicamente um oxidante, ela atua em doses menores como antioxidante no nível fisiológico. Esta observação pode ser explicada pelo fato de que condições oxidativas brandas induzem a expressão das chamadas enzimas desintoxicantes, por exemplo, pela ativação de enzimas redox-sensíveis e aumentam a proteção contra insultos oxidativos adicionais e mais fortes.

Um exemplo para a oxidação de um fator de transcrição sensível a redox pelo eletrófilo alicina é o sistema Nrf2/Keap1 que regula a expressão de várias enzimas antioxidantes (entre outras da biossíntese da glutationa). O fato de que a alicina pode induzir o sistema Nrf2/Keap1 foi demonstrado em vários estudos. É necessário mencionar que a ativação do Nrf2 pela alicina não é apenas importante no contexto das doenças cardiovasculares, mas também para vários outros eventos relacionados à saúde, como doenças neurodegenerativas.

Nesse contexto, foi demonstrado que a alicina atenua os efeitos cognitivos relacionados à idade e déficits de memória ativando o sistema Nrf2. De acordo com a chamada “hipótese do receptor de LDL”, o colesterol é fator central para a aterosclerose, possivelmente devido à atração e ativação de macrófagos pela LDL oxidada, causando posteriormente placas nas artérias. Assim, assume-se que o colesterol é um fator de risco para aterosclerose e, portanto, para distúrbios isquêmicos. Uma estratégia, para interferir com a progressão da deposição de placas nas artérias é a redução da biossíntese endógena do colesterol, comumente pela aplicação de estatinas. A alicina também mostra a capacidade de suprimir a biossíntese do colesterol, que é atribuída à inibição das enzimas esqualeno-monooxigenase e acetil-CoA sintetase. 

Atividade imunomoduladora da alicina

A alicina é um forte agente anti-microbiano e, portanto, pelo menos in vitro, é um antibiótico potente. Além desse impacto direto sobre patógenos, outra faceta de sua atividade é a influência sobre o sistema imunológico endógeno. A alicina estimula a atividade das células imunes, isso resulta em uma defesa fortalecida contra patógenos e a supressão de processos imunológicos. Diante disso, pode ser interessante em relação a alergias ou distúrbios autoimunes.

A alicina inibe a migração de granulócitos neutrofílicos para epitélio, que é um processo crucial durante a inflamação. Além disso, atua nos linfócitos T por inibição da quimiotaxia induzida por SDF1α-quimiocina e este efeito está correlacionado com um prejuízo na dinâmica do citoesqueleto de actina. Assim também, é demonstrado que a alicina inibe a migração transendotelial de neutrófilos. 

Prática clínica 

A alicina é um enxofre reativo e sofre uma reação redox com grupos tiol em glutationa e proteínas que é considerado essencial para sua atividade biológica. A alicina é fisiologicamente ativa em células microbianas, vegetais e de mamíferos. Ela pode inibir a proliferação de bactérias e fungos ou matar células imediatamente. Além disso, promove saúde cardiovascular e atividade imunomoduladora. 

Referências bibliográficas 

Assista o vídeo na Science Play com Marcelo Carvalho: Ação dos compostos bioativos no sistema nervoso central 

Artigo: Alicina – Borlinghaus J, Albrecht F, Gruhlke MC, Nwachukwu ID, Slusarenko AJ. Allicin: chemistry and biological properties. Molecules. 2014;19(8):12591-12618. Published 2014 Aug 19. doi:10.3390/molecules190812591

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