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Obesidade Infantil: Um panorama no Brasil

Segundo a Federação Mundial de Obesidade, estima-se que no ano de 2025 cerca de 206 milhões de crianças e adolescentes vivam em estado de obesidade em todo o mundo. Este dado requer atenção, visto que evidencia como os hábitos alimentares construídos na infância interferem no desenvolvimento da obesidade e em um comportamento alimentar que trará consequências por toda a vida. Assim, elaboramos aqui um panorama acerca da obesidade infantil. 



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Prevalência da Obesidade 

O Brasil é o sexto país com a maior população jovem obesa no mundo. A prevalência de tal doença ultrapassa os 30% tanto em meninos quanto em meninas. Como sabemos, o desenvolvimento da obesidade envolve fatores biosocioecológicos, genéticos e epigenéticos o que dificulta o gerenciamento e tratamento da doença. Além disso, o ambiente moderno que apresenta cada vez mais potencial “obesogênico” e o baixo nível de atividade física contribuem de forma expressiva para tal.

Ademais, a ampla oferta de alimentos com baixa qualidade nutricional associados ao tempo de tela exacerbado e a baixa interação social corroboram para que o número de crianças com obesidade aumente. Neste contexto, sabe-se que a partir dos seis anos de idade, o nível de atividade física cai e os comportamentos sedentários surgem no cotidiano da criança, sendo possível observar também uma má qualidade de sono e maior exposição à luz artificial, principalmente de smartphones, que se associa diretamente com a patogênese da obesidade.

Complicações Associadas a Obesidade Infantil 

A obesidade gera problemas em todos os tecidos do corpo no decorrer da vida. Quando apresentada em crianças, essa patologia interfere precocemente no funcionamento do sistema respiratório, causando desenvolvimento de apneia do sono e asma. Além disso, doenças relacionadas como a síndrome dos ovários policísticos, diabetes tipo II, hipertensão arterial, disfunção endotelial, problemas musculoesqueléticos relacionados à postura podem surgir já nos primeiros anos de vida. 

Avaliação Clínica Assertiva na Obesidade Infantil

Diversos fatores devem ser levados em consideração para avaliar esses pacientes, a fim de rastrear as causas que estão atreladas ao desenvolvimento da obesidade. Elencamos alguns itens primordiais que devem constar na avaliação clínica, como:

História Geral: Questões como presença ou ausência de obesidade e diabetes durante a gestação, além do tipo de parto, são fundamentais para o entendimento do quadro clínico da criança. 

Histórico Familiar: Importante avaliar a presença de obesidade em outros familiares, bem como, outras doenças crônicas como a hipertensão, dislipidemia e diabetes tipo II. 

Fatores Comportamentais: Entender a rotina e os hábitos alimentares não só da criança, mas também da família é indispensável para elaborar condutas realmente transformadoras. Dessa forma, hábitos como almoçar acompanhado, consumo de bebidas açucaradas e lanches entre as refeições, além de rastrear comportamentos sedentários e rotina noturna. 

Prática Clínica

Assim, o panorama da obesidade infantil é desfavorável e mostra-se como um desafio a ser enfrentado pelos profissionais de saúde em conjunto com toda a sociedade. Nesse sentido, além das estratégias tradicionais de controle e redução do peso por meio de intervenções dietéticas e nos hábitos sedentários, novas abordagens que incluam as questões adjacentes à obesidade devem ser adotadas para que o tratamento seja mais efetivo. De maneira prática, a avaliação clínica e aplicação de uma anamnese detalhada é fundamental para que o sucesso no tratamento seja alcançado. 

Referências Bibliográficas

Artigo: Obesidade em crianças e adolescentes: Jebeile H, Kelly AS, O’Malley G, Baur LA. Obesity in children and adolescents: epidemiology, causes, assessment, and management. Lancet Diabetes Endocrinol. 2022;10(5):351-365. doi:10.1016/S2213-8587(22)00047-X 

Leia mais sobre o tema no portal Science Play:  O Comportamento Alimentar na Infância e a Obesidade em Adolescentes

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