top of page
  • Foto do escritorKcal da Science Play

Obesidade - Uma abordagem completa

O tratamento da obesidade vai além da simples prescrição de dietas hipocalóricas. De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade, essa condição é a principal causa de morte, desafiando a percepção de que indivíduos obesos não se esforçam o suficiente em seu tratamento. A obesidade, reconhecida como uma doença crônica não transmissível, tem sido um crescente problema de saúde pública desde a década de 70, levantando questionamentos sobre a eficácia das dietas no combate a essa endemia.


Um estudo longitudinal com gêmeos, observando a perda de peso intencional de mais de 5 kg ao longo de 25 anos, indicou que múltiplas tentativas de perda de peso estavam associadas a um índice de massa corporal (IMC) significativamente mais alto. Isso sugere que, assim como no diabetes mellitus tipo 2, apesar de algumas doenças crônicas serem potencialmente reversíveis, não é algo comum. Estudos também apontam que pacientes que perderam até 50% do seu peso tendem a recuperá-lo, ilustrando a complexidade da obesidade.


As diretrizes mais recentes da ABESO, de 2023, destacam a importância de uma abordagem personalizada e abrangente no tratamento da obesidade, reconhecendo que estratégias como o comer intuitivo podem não ser adequadas para todos os casos. Embora o comer intuitivo seja promovido como uma alternativa não restritiva e baseada no respeito ao corpo, estudos sugerem que essa abordagem não é eficaz para indivíduos com obesidade severa ou com padrões alimentares desregulados. Para esses casos, métodos mais estruturados, como a restrição calórica controlada e o acompanhamento nutricional detalhado, podem ser mais apropriados. A busca por soluções personalizadas e multifacetadas, que considerem as necessidades e características individuais de cada paciente, continua sendo essencial no enfrentamento da obesidade.


Do ponto de vista hormonal, observa-se um aumento da grelina em indivíduos submetidos a dietas restritivas, destacando que a fome em pessoas com obesidade não se deve à falta de disciplina, mas a uma resposta química. A resistência à insulina e alterações nos níveis de leptina e PYY também são observadas, complicando o controle do apetite.


Geneticamente, a obesidade é influenciada em cerca de 2% pela hereditariedade. Alterações epigenéticas, que podem ser modificadas pelo estilo de vida, e a poligênica, que envolve centenas de variáveis, contribuem para a maior probabilidade de desenvolvimento da obesidade.


As diretrizes mais recentes da ABESO, de 2023, recomendam uma abordagem centrada no paciente, integrando o comportamento alimentar como parte do tratamento e buscando combater o estigma relacionado ao peso. Este estigma, frequentemente perpetuado por profissionais da saúde, agrava o sofrimento de indivíduos com obesidade e pode retardar o tratamento.


A obesidade está intrinsecamente ligada à depressão, e o estigma do peso pode agravar essa conexão. A desinformação sobre a obesidade pode atrasar o tratamento em até seis anos, evidenciando a necessidade de uma abordagem multifacetada que considere aspectos nutricionais, físicos e psicológicos. A terapia cognitivo-comportamental, a entrevista motivacional e a terapia de aceitação e compromisso são métodos valiosos no tratamento.


Prática Clínica


Enfrentar a obesidade exige uma abordagem integrada, sem soluções fáceis para problemas complexos. A combinação de esforços, envolvendo ajustes nutricionais, aumento da atividade física e suporte psicológico, apresenta-se como a estratégia mais eficaz.


Continue Estudando...


Sugestão de estudo: A obesidade tem resolução?




Referências Bibliográficas


Pietiläinen KH, Saarni SE, Kaprio J, Rissanen A. Does dieting make you fat? A twin study. Int J Obes (Lond). 2012 Mar;36(3):456-64. doi: 10.1038/ijo.2011.160. Epub 2011 Aug 9. PMID: 21829159.

Comments


bottom of page