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Osteoporose na pós menopausa: um cenário para hormônios?

A diminuição da densidade óssea e o desenvolvimento da osteoporose representam frequentemente um desafio significativo no contexto clínico do nosso dia a dia de consultório. As mulheres em fase pós-menopausa enfrentam uma série de sintomas associados ao climatério e à menopausa, que as levam a procurar atendimento médico. No entanto, devido à sua natureza frequentemente assintomática, a perda de massa óssea não costuma ser a queixa mais comum. Por essa razão, é crucial dedicar uma atenção especial a essa questão durante a consulta médica.


Tabela de conteúdos:

No atendimento médico às mulheres em fase pós-menopausa, é fundamental que você esteja apto a gerenciar e prevenir a diminuição da densidade óssea. Isso requer uma compreensão aprofundada da fisiopatologia do envelhecimento, bem como das mudanças metabólicas e hormonais que ocorrem nesse período. À medida que as mulheres enfrentam os desafios do climatério e da menopausa, é importante que os profissionais de saúde estejam cientes de que a osteoporose, embora frequentemente silenciosa, é uma preocupação significativa que merece atenção especial durante a consulta médica.


O que é a osteoporose?

A osteoporose é uma doença caracterizada pela baixa densidade óssea e deterioração estrutural do tecido ósseo, que resulta em fragilidade óssea. A massa óssea é comumente medida por meio do conteúdo mineral ósseo e da densidade mineral óssea areal ou volumétrica usando a absorciometria de raios-X de dupla energia (DXA).


Operacionalmente, a osteoporose costuma ser definida como tendo uma densidade mineral óssea igual ou abaixo de 2,5 desvios-padrão do valor médio observado em mulheres jovens e saudáveis.


A massa óssea na fase do envelhecimento tem resultado proporcional a densidade alcançada durante a fase de crescimento e pela taxa de perda. Diversos estudos sugerem que o pico de densidade óssea na idade adulta de uma mulher tem um impacto maior na composição óssea do que a perda acentuada nos primeiros 15 anos após a menopausa.


Ou seja, um aumento de 10% no pico de massa óssea poderia potencialmente reduzir o risco de fraturas osteoporóticas em adultos mais velhos em 50%. Portanto, alcançar e manter uma alta massa óssea no pico durante as três primeiras décadas de vida oferece uma promissora perspectiva de prevenção da osteoporose.


A acumulação de minerais nos ossos, desde a infância até a pós-puberdade, é um processo complexo. Em geral, a massa óssea máxima atingida é maior nos homens do que nas mulheres e nos afro-americanos em comparação com os brancos não-hispânicos. Vários fatores interconectados e modificáveis influenciam a acumulação de massa óssea, como nutrição, atividade física, ambiente hormonal e tabagismo. Esses fatores podem ser responsáveis por 20-50% dessa variação.


Osteoporose e pós-menopausa na Literatura

Neste sentido, dados publicados no estudo Peak Bone Mass and Patterns of Change in Total Bone Mineral Density and Bone Mineral Contents From Childhood Into Young Adulthood, em Abril de 2016, no Journal of Clinical Densitometry: the official journal of international society for clinical densitometry, mostrou evidências que indicam a Terapia de Reposição Hormonal pode desempenhar um papel significativo na preservação da saúde óssea da nossa paciente.


Certamente, considerar a possibilidade de iniciar tratamentos hormonais, especialmente nas fases iniciais da menopausa, é uma abordagem que merece atenção. A escolha da forma mais adequada de reposição hormonal pode ser determinante para aumentar as chances de sucesso na manutenção da saúde dos ossos. Além disso, ela contribui para uma melhor qualidade de vida para as mulheres nessa fase da vida. 

Futuro da osteoporose

Contudo, as diretrizes mais recentes publicadas destacam não apenas a relevância de compreender como e quando prescrever a Terapia de Reposição Hormonal (TRH), mas também enfatizam a importância da duração adequada do tratamento. Nestas circunstâncias, a personalização e adaptação do acompanhamento de acordo com as necessidades individuais do paciente são cruciais para assegurar uma evolução clínica satisfatória.


O estudo, ainda, demonstra que a densidade mineral óssea tem uma tendência de seguir uma trajetória estável desde a infância até a idade adulta inicial. Por isso, crianças com baixa DMO provavelmente manterão essa baixa DMO, a menos que intervenções eficazes sejam implementadas. Além disso, meninas que atingem a puberdade tardiamente tendem a acumular menos conteúdo mineral ósseo em comparação com suas colegas que amadurecem cedo ou na média. 


O resultado desse estudo sugere que alcançar uma alta massa óssea inicialmente prediz uma maior DMO e um menor risco de osteoporose. Ademais, a análise revela uma correlação positiva significativa entre a DMO máxima até a fase adulta com a DMO no envelhecimento.


Prática Clínica

Em resumo, é crucial reconhecer que os fatores modificáveis desempenham um papel fundamental na saúde óssea e devem ser implementados de forma ampla em toda a população que frequenta o seu consultório. Não se trata apenas de uma única ação, mas sim de um compromisso contínuo em fortalecer ossos e músculos desde cedo, para colher os benefícios e alcançar um desempenho saudável no futuro.


Por fim, a Terapia de Reposição Hormonal se destaca como uma opção de tratamento superior em comparação com outros medicamentos para a manutenção e estímulo da matriz óssea. Estudos e consensos recentes têm contribuído para desmistificar a ideia de um limite máximo de tempo para o uso da TRH, que anteriormente era de 10 anos. Ou qualquer outro mito sobre a relação entre uso de hormônios femininos e câncer de mama, claro que baseado no histórico pessoal de cada paciente.


Atualmente, as mulheres têm a flexibilidade de decidir quanto tempo desejam usar hormônios na fase pós-menopausa, desde que isso seja feito sob o acompanhamento cuidadoso de um médico endocrinologista. Essa abordagem personalizada abre novas possibilidades para a promoção da saúde óssea e o bem-estar das mulheres à medida que envelhecem.


Referências

LU, J. et al. Peak Bone Mass and Patterns of Change in Total Bone Mineral Density and Bone Mineral Contents From Childhood Into Young Adulthood. Journal of Clinical Densitometry, v. 19, n. 2, p. 180–191, abr. 2016. 


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