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Papel dos Ácidos Graxos de Cadeia Curta na Pancreatite Aguda

O papel do intestino na progressão e deterioração da pancreatite aguda tem atraído muita atenção dos pesquisadores. Nesse contexto, as áreas de interesse incluem a disbiose da microbiota intestinal, o enfraquecimento da barreira intestinal e a translocação de bactérias e endotoxinas. Ademais, estudos comprovaram que pacientes com pancreatite apresentam esgotamento dos ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs), um dos metabólitos da microbiota intestinal. Eles ajudam a restaurar a homeostase intestinal, reconstruindo a microbiota intestinal, estabilizando a barreira epitelial intestinal e regulando a inflamação. Além disso, também podem suprimir respostas inflamatórias sistêmicas, melhorar o pâncreas lesionado e prevenir e proteger outras disfunções orgânicas.



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Pancreatite aguda

A pancreatite aguda (PA) é uma emergência digestiva comum que pode evoluir para uma doença sistêmica com risco aumentado de morte. Conforme as complicações apresentadas, é possível classificar a PA como leve, moderadamente grave ou grave. A disfunção orgânica geralmente ocorre na fase inicial e a infecção do tecido pancreático é a principal causa de morte na fase tardia. Além disso, a disfunção intestinal desempenha um papel vital na deterioração da PA, associada a complicações infecciosas. Estudos recentes descobriram que a progressão está associada à resposta inflamatória sistêmica precoce, à disbiose, à função de barreira intestinal enfraquecida e à translocação de bactérias e endotoxinas.

Ácidos graxos de cadeia curta e pancreatite

Em pacientes com PA, ocorrem alterações na diversidade e composição da microbiota intestinal. Ainda, detectou-se o aumento de bactérias patogênicas e a redução de probióticos, além da diminuição dos níveis de ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs). A fermentação microbiana de carboidratos não digeridos no intestino produz principalmente acetato, propionato e butirato, que são os principais AGCCs. 

Existe um gradiente biológico para AGCCs do lúmen intestinal para a periferia. Como um dos metabólitos da microbiota, eles fornecem diretamente energia para as células epiteliais da mucosa intestinal. A parte restante pode ser absorvida na corrente sanguínea para fornecer energia a outras células do corpo. Além disso, participam do metabolismo da glicose e dos lipídios como substratos após o transporte para hepatócitos e adipócitos. Ademais, eles regulam o apetite interagindo com neurônios e são moléculas sinalizadoras importantes envolvidas na estabilização da barreira intestinal e na promoção da imunidade intestinal.

Especificamente, os AGCCs protegem a barreira intestinal regulando a expressão e distribuição de proteínas e promovendo a secreção de muco. Além disso, suprimem a produção de citocinas pró-inflamatórias e promovem o recrutamento de células do sistema imunológico, sendo considerados moléculas bioativas potenciais para o tratamento de doenças intestinais. 

Mecanismo fisiológico dos AGCCs

Existem duas principais vias funcionais dos AGCCs: a inibição da histona desacetilase para exercer efeitos epigenéticos e a ativação de receptores acoplados a proteínas G para transmitir sinais. Alterações na microbiota e a diminuição na produção de AGCCs estão envolvidas no aumento da permeabilidade intestinal, levando à translocação bacteriana intestinal, necrose tecidual pancreática e infecção. A proteção da barreira mucosa é a base fisiopatológica comum de quase todas as doenças gastrointestinais. Embora a inflamação na PA comece no pâncreas, o intestino desempenha um papel amplificador no curso da doença, levando a respostas inflamatórias agravadas. Portanto, no tratamento da PA, a manutenção da função intestinal intacta é uma parte significativa do controle da inflamação. 

Os AGCCs são um grupo de metabólitos da microbiota intestinal que podem ajudar a reconstruir a barreira epitelial intestinal e suprimir as respostas inflamatórias, mantendo assim um ambiente intestinal saudável. Além do intestino, como o primeiro passo mais importante, os AGCCs também reduzem a inflamação sistêmica e protegem outras funções orgânicas envolvidas na PA. Portanto, a suplementação de direta ou indiretamente é uma abordagem terapêutica promissora, embora os resultados de pesquisas existentes sejam limitados e controversos. No entanto, são necessários mais ensaios clínicos bem projetados para a aplicação abrangente e individualizada. 

Prática clínica

O papel dos ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs) na gestão da pancreatite aguda está se tornando cada vez mais evidente. Embora os estudos existentes forneçam uma compreensão promissora de como os AGCCs podem beneficiar os pacientes com pancreatite aguda, a aplicação clínica direta ainda requer mais pesquisas e ensaios clínicos bem projetados para validar sua eficácia e segurança. No entanto, a capacidade dos AGCCs de preservar a integridade da barreira intestinal e reduzir a inflamação sistêmica faz deles um alvo interessante para o desenvolvimento de terapias complementares no tratamento da pancreatite aguda. À medida que a pesquisa avança e mais informações se tornam disponíveis, os AGCCs têm o potencial de se tornar uma parte valiosa das estratégias de tratamento e recuperação para pacientes com essa condição médica desafiadora.

Referências bibliográficas

Sugestão de leitura: Inflamação

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YAN, Xiaxiao; LI, Jianing; WU, Dong. The Role of Short-Chain Fatty Acids in Acute Pancreatitis. Molecules, [S.L.], v. 28, n. 13, p. 4985, 25 jun. 2023. MDPI AG.

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