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Síndrome do Intestino Irritável : Papel dos Probióticos, Prebióticos e Simbióticos

A síndrome do intestino irritável (SII) é um distúrbio funcional do intestino com uma história natural de recorrência e remissão. A prevalência global da condição na comunidade é de aproximadamente 10%, dependendo dos critérios usados para defini-la, embora, ao utilizar os critérios mais recentes de Roma IV, seja menor, estimada em 6%. Devido à compreensão incompleta da fisiopatologia do distúrbio, o tratamento médico é empírico e geralmente baseado no sintoma predominante relatado pelo paciente.

 

Além disso, alguns sintomas de SII, como inchaço, trânsito gastrointestinal lento e saciedade precoce, foram associados a perfis específicos de microbioma intestinal. Dados de estudos sugerem que alterações no microbioma intestinal podem induzir sintomas de SII novamente ou exacerbar sintomas existentes.  Isso levanta a questão de se antibióticos, ou outras intervenções relacionadas, podem ser usados para modular o microbioma intestinal e assim melhorar os sintomas de SII.

 

Prebióticos na SII

 

Embora os estudos atuais tenham encontrado resultados variados quanto à eficácia dos prebióticos na SII, alguns sugerem que modificações na microbiota intestinal podem ter efeitos significativos nos sintomas gastrointestinais. Por exemplo, pacientes que receberam doses tanto baixas quanto altas de prebióticos experimentaram uma redução significativa nas pontuações médias de sintomas globais em comparação com o período de wash-out, o que sugere que intervenções destinadas a modular a microbiota intestinal podem oferecer benefícios para os pacientes com SII.

 

Apesar dos resultados mistos dos estudos com prebióticos na SII, muitos clínicos consideram os probióticos como uma terapia benigna e comum para essa condição. No entanto, o entendimento completo do papel dos probióticos na SII ainda é limitado, e há uma necessidade contínua de pesquisas bem projetadas e ensaios clínicos randomizados para avaliar sua eficácia e segurança.

 

Probióticos na Síndrome do Intestino Irritável

 

Em uma revisão sistemática avaliou-se 53 ensaios clínicos randomizados (RCTs) sobre probióticos na SII, envolvendo 5545 pacientes, dos quais 26 foram considerados de baixo risco de viés. As intervenções variaram entre probióticos combinados, Lactobacillus, Saccharomyces, Bifidobacterium, E. coli, Streptococcuse uma combinação de Lactobacillus ou Bifidobacterium.

 

Entre os estudos que compararam probióticos com placebo para o tratamento da SII, houve uma significativa redução nos sintomas com probióticos combinados, mas com heterogeneidade entre os estudos. Diversas combinações de probióticos foram testadas, com resultados variados, incluindo benefícios significativos com algumas combinações de Bifidobacterium e E. coli, mas sem clara vantagem com Lactobacillus ou Saccharomyces.

 

Além disso, a análise mostrou um padrão variado de eficácia entre os diferentes tipos de probióticos testados, com tendência a um benefício com Bifidobacterium e E. coli, mas sem superioridade evidente para Saccharomyces cerevisiae. Enquanto isso, os resultados sobre Lactobacillus foram mistos, embora uma certa eficácia tenha sido observada em estudos específicos, como aqueles envolvendo Lactobacillus plantarumDSM 9843. No geral, os resultados ressaltam a diversidade de respostas individuais aos diferentes tipos de probióticos e a necessidade de mais pesquisas para entender melhor seu papel na gestão da SII.

 

Simbióticos na SII

 

Dois ensaios clínicos randomizados de simbióticos na Síndrome do Intestino Irritável recrutaram um total de 198 pacientes. O primeiro foi realizado na Itália, utilizando uma combinação de Lactobacillus acidophilus e helveticus, com espécies de Bifidobacterium, em 68 pacientes com SII definida pelo critério de Roma II por 12 semanas. O segundo estudo, conduzido na Coreia do Sul, utilizou Bifidobacterium lactis em combinação com fibra de acácia em 130 pacientes que atenderam aos critérios de Roma III para a SII por 8 semanas. Embora um único estudo tenha relatado dados dicotômicos, ambos os ensaios não encontraram um efeito estatisticamente significativo dos simbióticos na redução dos sintomas da SII, apesar de resultados positivos individualmente. Eventos adversos foram relatados em ambos os estudos, mas nenhum deles foi significativo em qualquer um dos braços de tratamento.

 

Prática Clínica

 

Na prática clínica da síndrome do intestino irritável (SII), o manejo envolve frequentemente o uso de prebióticos e probióticos, embora sua eficácia ainda seja incerta. Estudos mostram resultados variados, com alguns indicando benefícios dos prebióticos na redução dos sintomas gastrointestinais, enquanto outros apresentam resultados mistos para os probióticos. Revisões sistemáticas destacam a diversidade de respostas individuais aos diferentes tipos de probióticos, como Bifidobacterium e E. coli, com resultados positivos em alguns estudos, mas não em outros. Além disso, a eficácia dos simbióticos, uma combinação de prebióticos e probióticos, permanece incerta. Assim, apesar do interesse crescente, mais pesquisas são necessárias para esclarecer o papel desses suplementos e orientar abordagens terapêuticas mais eficazes para a SII.

 

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Referências Bibliográficas

 

FORD, Alexander C.; HARRIS, Lucinda A.; LACY, Brian E.; QUIGLEY, Eamonn M. M.; MOAYYEDI, Paul.Systematic review with meta‐analysis: the efficacy of prebiotics, probiotics, synbiotics and antibiotics in irritable bowel syndrome. Alimentary Pharmacology & Therapeutics, [S.L.], v. 48, n. 10, p. 1044-1060, 8 out. 2018. Wiley.

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