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Qual a diferença entre gêneros no cenário da obesidade?

A obesidade é uma questão de saúde global que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, e suas implicações variam com base no gênero. Homens e mulheres enfrentam desafios únicos quando se trata de gerenciar o peso, moldando assim sua jornada na busca de um estilo de vida saudável. Por isso, me proponho a examinar as diferenças fundamentais entre homens e mulheres no que diz respeito à obesidade.

Pontos importantes como a composição corporal e o padrão alimentar podem influenciar esses aspectos e impactar a saúde em geral. Certamente, a compreensão das disparidades de gênero nesses domínios é essencial para a criação de estratégias de prevenção e tratamento mais eficazes para cada grupo.

Nos dias de hoje, há uma crescente conscientização sobre a importância de compreender as diferenças de gênero na obesidade. Por isso, o objetivo deste texto é apresentar as evidências atuais relacionadas às características antropométricas, aspectos nutricionais e farmacológicos da obesidade sob uma perspectiva de gênero.



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Disparidades de gênero na obesidade

A pesquisa nesse campo é fundamental para traçar estratégias de prevenção e tratamento mais eficazes que levem em consideração as individualidades de homens e mulheres. Reconhecer e abordar as disparidades de gênero na obesidade é um passo crucial para promover a igualdade de saúde e aprimorar a qualidade de vida de todas as pessoas.

É importante destacar que existe uma distribuição de tecido adiposo relacionada ao gênero. Mesmo com um índice de massa corporal (IMC) semelhante, existem diferenças notáveis na composição corporal entre homens e mulheres. Os homens apresentam maior massa livre de gordura e as mulheres apresentando uma maior adiposidade. Ainda, os homens geralmente têm uma distribuição central de tecido adiposo, em forma de pêra. Já as mulheres tendem a apresentar uma distribuição periférica de tecido adiposo, especialmente nos membros e quadris. 

A maior adiposidade visceral observada em homens está associada a consequências metabólicas negativas, como níveis elevados de insulina pós-prandial, ácidos graxos livres e triglicerídeos. Por outro lado, a distribuição periférica de tecido adiposo está menos associada ao desenvolvimento de complicações relacionadas à obesidade em comparação com a distribuição central. Essas diferenças na composição corporal desempenham um papel crucial na compreensão das disparidades de gênero na obesidade e suas implicações para a saúde metabólica.

Hormônios e obesidade: qual a relação?

Certamente, os hormônios sexuais estão envolvidos nessa disposição de gordura. Nas mulheres, o tecido adiposo se concentra principalmente na parte inferior do corpo, enquanto nos homens na parte abdominal e superior. A redução dos níveis de estrogênio durante a menopausa está associada à transição da acumulação de tecido adiposo glúteo-femoral para a região central nas mulheres. 

Estudos demonstram que a terapia de reposição hormonal em mulheres na pós-menopausa reduz o acúmulo de gordura em comparação com aquelas que não recebem tratamento. Por isso, é importante enfatizar que hormônios bem indicados reduzem significativamente o risco cardiovascular. Além disso, a composição corporal varia entre gêneros, com mulheres apresentando cerca de 10% a mais de massa de gordura em relação aos homens. Certamente, a distribuição de gordura ectópica difere entre os gêneros, com homens mais propensos ao acúmulo visceral de lipídios, enquanto as mulheres tendem a acumular mais gordura nas extremidades inferiores, como no caso do lipedema, uma condição que afeta a qualidade de vida e o comportamento alimentar das mulheres.

Obesidade e gênero na Literatura

O recente estudo Obesity: a gender‑view, publicado dia 8 de Setembro de 2023, na Revista Journal of Endocrinological Investigation, revela que os hormônios sexuais têm demonstrado influenciar o comportamento alimentar, tanto no controle “homeostático” da ingestão de energia quanto no controle “hedônico” da ingestão de alimentos. Fisiologicamente, os estrogênios afetam a ingestão de alimentos por meio de sinais tanto no sistema central, nos circuitos hipotalâmicos, quanto em sinais periféricos.

Para o nosso cenário é importante destacar outros estudos que relacionaram o comportamento alimentar com o ciclo menstrual, evidenciando que a fase lútea está associada a um desejo por carboidratos e alimentos ricos em açúcar. Por outro lado, é sabido que as escolhas alimentares variam entre os sexos, com as mulheres consumindo mais frutas e vegetais, enquanto os homens consomem mais alimentos ricos em gordura e sal.

Por fim, o estresse e as emoções também desempenham um papel na alimentação, com a ingestão de alimentos relacionada a situações estressantes, especialmente em mulheres. Portanto, esses dados sugerem que os hormônios sexuais desempenham um papel fundamental no comportamento alimentar, mas a influência de emoções também deve ser considerada.

Tratamento medicamentoso para a obesidade

Segundo o estudo, é importante mencionar que ainda não está claro em que medida as diferenças de gênero afetam a eficácia clínica desses medicamentos, embora existam considerações sensíveis ao gênero na farmacocinética e farmacodinâmica desses medicamentos.

Dois mecanismos principais explicam o efeito anorexígeno da liraglutida: um efeito anorexígeno central e a inibição do esvaziamento gástrico. O efeito anorexígeno central age em regiões cerebrais envolvidas no comportamento alimentar. Curiosamente, estudos em roedores mostram que o efeito do GLP-1 nas vias centrais de recompensa é modulado de forma crítica pelos estrogênios.

No caso da bupropiona, ela afeta fortemente a neurotransmissão noradrenérgica e dopaminérgica no cérebro, alterando o controle alimentar. A naltrexona atua em conjunto com a bupropiona, contrapondo um mecanismo de feedback dependente de opiáceos ativado durante o tratamento com bupropiona, limitando o efeito da bupropiona sobre neurônios POMC no hipotálamo. Há evidências de que o efeito anorexígeno central da combinação naltrexona/bupropiona pode ser modulado por esteróides sexuais.

Embora tenham sido identificadas diferenças relacionadas ao gênero em alguns aspectos da farmacocinética desses medicamentos, estudos clínicos até o momento não mostraram de forma consistente diferenças significativas na eficácia ou segurança desses medicamentos para a perda de peso entre homens e mulheres que justificariam ajustes de dose com base no gênero. Portanto, com base nas evidências científicas disponíveis, não foi necessário estabelecer diretrizes de dosagem diferentes para homens e mulheres. Isso indica que, apesar das teorias, as diferenças de resposta a esses medicamentos entre os gêneros não se mostraram substanciais para exigir dosagem distintas.

Take home message

Os resultados indicam que os homens têm uma maior propensão a desenvolver obesidade em comparação às mulheres. No entanto, existem diferenças consideráveis que dependem da região geográfica e do nível de desenvolvimento econômico do país. Além disso, homens e mulheres apresentam diferenças na composição corporal, na distribuição de tecido adiposo e no metabolismo, fatores que dependem de diferentes contextos hormonais.

Fica evidente também que os hormônios sexuais desempenham um papel significativo na influência dos hábitos alimentares entre homens e mulheres. Além disso, foi observado que as respostas aos medicamentos anti-obesidade podem variar entre os gêneros, levantando o questionamento: terapias medicamentosas precisam ser adaptadas? Hoje, a resposta é não, mas podemos individualizar o tratamento. 

Em resumo, a compreensão das diferenças de gênero na obesidade é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de prevenção, tratamento e intervenção mais eficazes. Isso não apenas reconhece a complexidade das variáveis de gênero, mas também destaca a importância de abordar as individualidades de homens e mulheres para melhorar os resultados.

Referências

MUSCOGIURI, G.; VERDE, L.; VETRANI, C.; BARREA, L.; SAVASTANO, S.; COLAO, A.. Obesity: a gender-view. Journal Of Endocrinological Investigation, [S.L.], p. 1, 23 set. 2023. Springer Science and Business Media LLC.

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