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Qual a relação entre microbiota intestinal e envelhecimento da pele?

A pele é um verdadeiro reflexo do tempo, sofrendo influência de uma variedade de fatores intrínsecos e extrínsecos ao longo do processo de envelhecimento. Uma teoria fundamental nesse processo é a senescência celular, originada por danos oxidativos, já que o sistema antioxidante natural da pele tende a se enfraquecer com o passar dos anos. Além disso, a complexa microbiota humana, composta por uma comunidade diversa de microrganismos, age na proteção contra invasores patogênicos, na regulação de condições inflamatórias e na modulação do sistema imunológico, um pilar central das defesas naturais do organismo.


Contudo, ao longo da vida, a microbiota humana pode sofrer alterações e ser impactada por diversos distúrbios. Mudanças significativas na microbiota intestinal, por exemplo, podem resultar na chamada "disbiose microbiana", associada a uma série de condições, incluindo o próprio processo de envelhecimento. Nesse contexto, o interactoma da pele emerge como uma nova abordagem integrativa. O que evidências recentes dizem sobre o envelhecimento da pele? Vamos entender nesta matéria.


Visão Detalhada do Processo de Envelhecimento


O envelhecimento é um processo natural e inevitável que ocorre ao longo da vida de um organismo, levando a mudanças físicas e funcionais. Mesmo que a idade socialmente considerada como "velha" varie em torno de 60 a 70 anos, o envelhecimento biológico acontece de forma contínua desde o início da vida. Esse processo ocorre a nível celular e molecular, resultando na deterioração das funções e estruturas dos sistemas do corpo.


Fatores genéticos podem influenciar no envelhecimento, explicando por que algumas pessoas tendem a viver mais e com melhor saúde do que outras. O envelhecimento é considerado universal, inevitável e irreversível na perspectiva científica atual. Apesar disso, é possível influenciar a velocidade do envelhecimento através da modificação de fatores externos, como a prática de atividade física, padrões alimentares, descanso, exposição ao ambiente e tratamento de doenças. Esses fatores afetam a taxa de envelhecimento ao impactar mecanismos moleculares comuns, resultando na acumulação de danos celulares e na redução da capacidade de recuperação.


Os principais impulsionadores do envelhecimento incluem alterações genéticas e epigenéticas, o acúmulo de proteínas anormais, o estresse oxidativo, a disfunção mitocondrial e a senescência celular. O DNA sofre danos, mutações e encurtamento dos telômeros devido ao estresse oxidativo e à replicação celular. Embora as células possuam sistemas de reparo de DNA, esses sistemas se tornam menos eficazes com o tempo, resultando na acumulação de defeitos e disfunções celulares. Além disso, fenômenos epigenéticos desempenham papéis importantes na proteção do DNA e na regulação da expressão gênica. Fatores externos, como a exposição à poluição ambiental e a dieta desequilibrada, podem levar a alterações anormais nos fatores epigenéticos, eventualmente levando à disfunção celular.


A Influência da Microbiota Intestinal no Processo de Envelhecimento da Pele


O envelhecimento da pele está intimamente ligado às mudanças na composição e diversidade da microbiota intestinal. À medida que uma pessoa transita da idade adulta para a velhice, ocorre uma diminuição na diversidade microbiana e uma maior variação na composição da microbiota. Essas mudanças ocorrem gradualmente ao longo do tempo e estão associadas ao envelhecimento e à inflamação relacionada à idade. Estudos indicam que a longevidade está positivamente relacionada à presença de certas espécies bacterianas benéficas.


A produção de metabólitos bioativos, como ácidos graxos de cadeia curta, age na função intestinal. Esses metabólitos têm efeitos anti-inflamatórios e imunomoduladores. A disbiose associada ao envelhecimento pode aumentar a progressão do envelhecimento, inflamação e fragilidade, comprometendo a saúde geral e a longevidade.


Estudos recentes exploram a relação entre senescência celular (processo de envelhecimento celular) e disbiose microbiana. Descobriu-se que certas composições microbianas estão correlacionadas com marcadores de senescência e inflamação. Prebióticos e probióticos mostraram eficácia na prevenção de condições patológicas em idosos, reduzindo a inflamação crônica e fortalecendo as respostas imunes.


Isso porque a disbiose intestinal associada à idade pode levar ao vazamento de produtos microbianos pró-inflamatórios na corrente sanguínea, resultando em efeitos sistêmicos e contribuindo para um estado crônico de inflamação. Isso pode prejudicar a remoção de células senescentes, um processo importante na manutenção da saúde celular.


Além disso, existe uma comunicação bidirecional entre o microbioma intestinal e a pele, conhecida como o eixo intestino-pele. Embora a relação causal entre o microbioma intestinal e as doenças da pele ainda não esteja completamente esclarecida, estudos indicam uma ligação entre eles. A disbiose intestinal pode afetar a pele, levando a problemas como envelhecimento prematuro e comprometimento da integridade da pele.


Prática Clínica


Além da orientação alimentar, o nutricionista também pode recomendar o uso de nutracêuticos e suplementos, de forma personalizada. Esses complementos nutricionais serão coadjuvantes e, em alguns casos, até protagonistas na prevenção e minimização dos sintomas associados ao envelhecimento, como rugas, flacidez e perda de elasticidade da pele.


No entanto, é fundamental ressaltar que, ao longo do processo, a prioridade do nutricionista é sempre a saúde do paciente. Isso significa que as intervenções devem estar alinhadas com o estado de saúde geral do indivíduo, garantindo que as recomendações nutricionais sejam adequadas e seguras. Dessa forma, a prática clínica do nutricionista que trabalha com Nutrição Estética no processo de envelhecimento se destaca pela abordagem personalizada, focada na promoção da saúde e na melhoria da estética, contribuindo para um envelhecimento mais saudável e equilibrado.


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Referência Bibliográfica


Ratanapokasatit Y, Laisuan W, Rattananukrom T, Petchlorlian A, Thaipisuttikul I, Sompornrattanaphan M. How Microbiomes Affect Skin Aging: The Updated Evidence and Current Perspectives. Life (Basel). 2022 Jun 22;12(7):936. doi: 10.3390/life12070936. PMID: 35888025; PMCID: PMC9320090.



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