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  • Foto do escritorKcal da Science Play

Qual a relação entre obesidade e depressão?

A obesidade e a depressão são duas condições de saúde que afetam milhões de pessoas em todo o mundo e geram um prejuízo financeiro à saúde de uma nação. Embora possam parecer independentes à primeira vista, há uma conexão complexa entre essas duas condições que merece atenção e compreensão. Neste texto, exploraremos como a obesidade e a depressão estão interligadas e como uma pode influenciar a outra, principalmente no perfil de apetite do seu paciente. 

Nos últimos anos, no mundo pós pandemia da COVID-19, houve um aumento significativo no interesse e na pesquisa sobre a relação entre obesidade e outras condições de saúde. Um foco considerável desses estudos concentra-se na análise das comorbidades psiquiátricas, notadamente a depressão e a ansiedade. Esses esforços têm proporcionado um entendimento cada vez mais profundo da fisiopatologia subjacente, fornecendo, assim, ferramentas valiosas para o tratamento desses pacientes.



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Por que, em alguns casos, obesidade e depressão caminham juntas

Como a ciência já sabe, pessoas com depressão ou ansiedade podem experimentar ganho ou perda de peso devido à sua condição ou aos medicamentos que as tratam. A depressão e a ansiedade podem estar associadas a comer demais, como recompensa emocional, escolhas alimentares inadequadas e um estilo de vida mais sedentário. Como afirma uma pesquisa do Center for Disease Control & Prevention (CDC), um órgão americano, cerca de 43% dos adultos com depressão têm obesidade, e ainda, pessoas que foram diagnosticadas com depressão têm maior probabilidade de estar acima do peso. 

Onde está a ponte entre obesidade e depressão?

Podemos dizer que a depressão é um fator de risco para a obesidade? Segundo o estudo “Obesity and Depression: Its Prevalence and Influence as a Prognostic Factor: A Systematic Review”, publicado na Revista Psychiatric Investigation, pacientes com depressão que seguiram uma dieta rica em gordura tiveram maior taxas de obesidade do que aqueles pacientes com a mesma dieta, mas sem diagnóstico de transtorno depressivo. 

Porém, o subtipo de depressão deve ser levado em consideração para poder relacioná-lo à obesidade. Os dados encontrados revelaram que é apenas o subtipo de depressão atípica que tem sido estatisticamente associada ao ganho de peso. Essas descobertas apoiam tendências que sugerem que dentro da síndrome depressiva há entidades diferentes com várias características e que podem ser influenciadas de diversas maneiras por outras variáveis. Ficou confuso? Para resumir, nem sempre a obesidade está intimamente ligada a um transtorno depressivo, mas no caso do seu paciente todo o contexto precisa ser levado em conta.  

Por outro lado, um estudo um pouco mais velho, “Overweight, Obesity, and Depression A Systematic Review and Meta-analysis of Longitudinal Studies”, publicado na Revista Archives of General Psychiatry, encontrou uma relação surpreendente onde a obesidade está frequentemente associada a problemas emocionais, como tristeza, ansiedade e depressão. Com isso, após uma análise de dados de estudo longitudinais, que acompanham indivíduos a longo prazo,  descobriu-se que pessoas acima do peso tinham um risco de 55% maior de desenvolver depressão ao longo da vida do que as pessoas que não tinham obesidade.

Esse risco foi maior nos participantes americanos do que nos europeus e foi mais pronunciado em casos de depressão clínica do que em sintomas depressivos leves. Além disso, aqueles que estavam com sobrepeso também tinham um risco aumentado de desenvolver depressão no futuro, com um aumento de 27% no risco. Isso foi especialmente verdadeiro para adultos, mas não foi observado em pessoas mais jovens.

Por outro lado, surpreendentemente, ter depressão no início do estudo não aumentou o risco de ganho de peso ao longo do tempo. Os pesquisadores não encontraram fatores específicos que modificassem essa relação em grupos específicos de pessoas. Essa pesquisa nos oferece uma visão da relação entre obesidade e depressão. Ela nos lembra que nossa saúde mental e física estão intrinsecamente ligadas, e que entender essa interconexão é vital para proporcionar um tratamento mais completo e eficaz.

Felizmente, ele tem servido como ponto de partida para investigações voltadas à redução dessa associação, bem como para novas abordagens no cuidado dos pacientes, com o objetivo de prevenir o surgimento de outras condições de saúde a partir da condição subjacente.

Prática Clínica

Muitos antidepressivos prescritos listam o ganho de peso como um efeito colateral comum. Da mesma forma, algumas terapias anti obesidade podem levar a altos e baixos emocionais que podem causar ou piorar a depressão. Um planejamento de cuidados ao paciente oferece muitas oportunidades de fracasso ou retrocesso. Isso pode desafiar uma pessoa que já está lidando com problemas de saúde mental.

É importante lembrar que, à sua frente, está um paciente, não apenas uma lista de condições médicas. O cuidado eficaz não trata apenas doenças, mas também pessoas. É essencial ser especialista em seu campo, mas também entender profundamente os desafios enfrentados pelos pacientes que lidam com essas duas comorbidades. É fundamental orientá-los, incentivá-los e responsabilizá-los em seu caminho de tratamento. É possível encontrar um plano de tratamento que funcione para ambas as condições, desde que você aborde o paciente como um todo e não apenas como um conjunto de sintomas.

Referências Bibliográfica

Artigos: BLASCO, Beatriz Villagrasa; GARCÍA-JIMÉNEZ, Jesús; BODOANO, Isabel; GUTIÉRREZ-ROJAS, Luis. Obesity and Depression: its prevalence and influence as a prognostic factor. Psychiatry Investigation, [S.L.], v. 17, n. 8, p. 715-724, 25 ago. 2020. Korean Neuropsychiatric Association. 

LUPPINO, Floriana S.; WIT, Leonore M. de; BOUVY, Paul F.; STIJNEN, Theo; CUIJPERS, Pim; PENNINX, Brenda W. J. H.; ZITMAN, Frans G.. Overweight, Obesity, and Depression. Archives Of General Psychiatry, [S.L.], v. 67, n. 3, p. 220, 1 mar. 2010. American Medical Association (AMA).

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