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Risco Nutricional e NRS 2002 na COVID 19

A disseminação mundial da doença de coronavírus 2019 (COVID-19), causada pelo coronavírus 2 da síndrome respiratória aguda grave, é uma séria ameaça à saúde global e pode levar à desnutrição em pacientes infectados, especialmente aqueles em estado crítico. Como forma de combate, ferramentas de triagem nutricional, como o Nutrition Risk Screening 2002 (NRS2002), são usadas para identificar pacientes com alto risco nutricional e fornecer suporte nutricional adequado, com o objetivo de melhorar seu estado nutricional e resultados clínicos.



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Risco Nutricional e Maior Resposta Inflamatória no COVID-19

Os pacientes com COVID-19 sofrem um estresse catabólico, podendo apresentar inflamação sistêmica em diferentes graus, inclusive uma possível “tempestade de citocinas”, o que pode resultar em complicações graves, como síndrome do desconforto respiratório agudo, acidose metabólica, choque séptico, polimorfismo e falência de órgãos.

De acordo com a literatura, pacientes em contextos estressores como infecções, têm maior risco nutricional, e quanto maior este risco, maior será a resposta inflamatória. O mecanismo provável é que o alto risco nutricional pode causar um desequilíbrio entre a ingestão e o gasto energético do organismo, tornando-o mais suscetível a infecções e aumentando a capacidade dos vírus de infectar células T. Isso leva à ativação e diferenciação de células T, produção de citocinas por diferentes subconjuntos de células T e subsequente liberação em grande quantidade de citocinas que amplificam a resposta inflamatória. Esse processo pode criar uma “tempestade de citocinas” que resulta em inflamação de alto grau.

Desnutrição no COVID-19

Existem diversas causas de desnutrição em pacientes com COVID-19. A sintomatologia do quadro inclui febre, que aumenta o gasto energético do organismo, diminuição do apetite que pode afetar a ingestão de nutrientes, diarreia que induz má absorção de nutrientes, além do estresse psicológico causado pela doença pode aumentar o risco de ansiedade e depressão, o que pode afetar ainda mais a ingestão de alimentos.

Portanto, é crucial que ferramentas de triagem nutricional sejam utilizadas em pacientes com COVID-19 para identificar o risco nutricional o mais cedo possível e fornecer suporte nutricional adequado para aqueles com alto risco nutricional, com o objetivo de melhorar o estado nutricional e os resultados clínicos. Dessa forma, a European Society for Clinical Nutrition and Metabolism (ESPEN) recomenda o uso do Nutrition Risk Screening 2002 (NRS2002) como uma ferramenta de triagem nutricional para pacientes internados em geral.

Nutrition Risk Screening 2002 

Em um estudo recente, o risco nutricional de pacientes com COVID-19 foi avaliado dentro de 48 horas após a admissão por meio do uso do NRS2002. Esta ferramenta de triagem nutricional consiste em três partes, que incluem avaliação do estado nutricional do paciente (com base na perda de peso, índice de massa corporal e ingestão alimentar), avaliação da gravidade da doença (com base no metabolismo de estresse devido ao grau de doença) e a idade do paciente (se maior ou igual a 70 anos). A pontuação da ferramenta varia de 0 a 7 pontos, sendo que uma pontuação mais alta indica um maior risco nutricional.

Dos 1.228 casos de COVID-19 avaliados, 1.131 foram classificados no grupo sem risco nutricional (pacientes com escore NRS2002 < 3) e 97 casos foram classificados no grupo com risco nutricional (pacientes com escore NRS2002 ≥ 3) de acordo com a pontuação NRS2002 obtida na admissão.

Risco Nutricional e COVID-19

O termo “risco nutricional” refere-se à possibilidade de ocorrerem resultados clínicos negativos decorrentes de condições nutricionais e metabólicas pré-existentes ou potenciais. Considerando que a COVID-19 é uma doença altamente contagiosa, os casos graves frequentemente envolvem outras disfunções orgânicas e podem levar à desnutrição. O estado nutricional é crucial para manter a função imunológica do corpo, sendo que a desnutrição não apenas prejudica os mecanismos de defesa imunológica, mas também pode aumentar a suscetibilidade a infecções.

Dessa forma, estudos têm demonstrado que a pontuação NRS2002, bem como os níveis de albumina sérica (ALB), proteína sérica total (TP) e hemoglobina (HGB) na admissão, são fatores de risco para a gravidade da doença COVID-19.

Alterações Laboratoriais no COVID-19

Os níveis de albumina sérica (ALB), proteína sérica total (TP) e hemoglobina (HGB) são frequentemente utilizados na prática clínica como indicadores de desnutrição. Evidências indicam que, quando comparados aos pacientes sem risco nutricional, aqueles com risco nutricional apresentam níveis significativamente mais baixos de ALB, HGB e TP no momento da admissão e da alta hospitalar. Além disso, a ALB no momento da admissão foi identificada como um fator significativo para a gravidade da doença.

Melhor explicando, a albumina sérica (ALB) é um indicador confiável do estado nutricional do paciente e está correlacionada com o prognóstico da gravidade do COVID-19. Níveis mais baixos de ALB podem indicar deficiências nutricionais ou um organismo em estado de estresse intenso. Especula-se que a ALB mais baixa em pacientes com COVID-19 com risco nutricional possa ser devido à redução da síntese proteica, condições estressantes e presença de mais comorbidades nos pacientes. Em resumo, a ALB é um importante indicador para avaliar o estado nutricional e o prognóstico de pacientes com COVID-19.

Comorbidades em Pacientes com COVID-19

Foi observado que no grupo de pacientes com risco nutricional, houve uma proporção significativamente maior de pacientes com três ou mais comorbidades, e as taxas de doenças críticas e mortalidade foram maiores do que no grupo sem risco nutricional. Assim, quanto mais comorbidades um paciente apresentar e quanto mais grave for sua condição, maior será a probabilidade de terem funções orgânicas prejudicadas. 

Além disso, pacientes que estão gravemente desnutridos ou incapazes de comer devido a condições relacionadas à COVID-19, têm maior probabilidade de desenvolver risco nutricional. Em outras palavras, a presença de comorbidades graves e a desnutrição podem aumentar o risco de complicações e mortalidade em pacientes com COVID-19. Isso leva a um comprometimento mais significativo da função imunológica do indivíduo e contribui para a evolução de infecções leves, comuns e assintomáticas para formas mais graves e críticas, resultando em prognósticos ruins.

NRS 2002 e Risco Nutricional

Os achados indicam que o escore NRS2002 não somente teve um efeito importante na evolução da COVID-19, mas também apresentou um alto poder de predição tanto para a gravidade quanto para o prognóstico da doença.

Dessa forma, quanto maior for a pontuação obtida no NRS2002, maior será o risco de o paciente desenvolver doença crítica e pior será o prognóstico dele em relação à COVID-19. Assim, é crucial realizar uma triagem nutricional precoce em pacientes diagnosticados com a doença. É extremamente importante fornecer suporte nutricional adequado para aqueles que apresentarem quadros graves da COVID-19. O suporte nutricional pode ajudar a controlar melhor as infecções, o que resultará em uma melhora do prognóstico do paciente.

Prática Clínica

Resumidamente, tanto o risco nutricional quanto o escore NRS2002 são fatores cruciais que afetam a gravidade e o prognóstico da COVID-19. Portanto, o uso dessa ferramenta na prática clínica torna-se um importante aliado no tratamento dessa doença.

Referências Bibliográficas

Assista o vídeo na Science Play com  : Fitoterapia na síndrome pós-COVID

Artigo NRS2002: Zhou Y, Chen Y, Zhang X, et al. Nutritional risk and a high NRS2002 score are closely related to disease progression and poor prognosis in patients with COVID-19. Frontiers in Nutrition. 2023;10. doi:https://doi.org/10.3389/fnut.2023.1089972

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