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  • Foto do escritorKcal da Science Play

Ritmo Circadiano e Doenças Cardiometabólicas

O ritmo circadiano, também conhecido como relógio biológico, é um regulador endógenos responsável pela logística das atividades fisiológicas e comportamentais, de forma que permite que os organismos se adaptem a um ambiente em mudança dentro de um ciclo de 24 horas. Alguns autores acreditam que o principal papel desse ciclo é organizar os processos fisiológicos temporalmente, com o objetivo de antecipar períodos de atividade e períodos de descanso. A regulação desses processos é devido aos “relógios” internos, que possuem um relógio central localizado no núcleo supraquiasmático do hipotálamo no cérebro, o qual atua como condutor dos relógios encontrados em quase todos os tecidos do corpo.

Diante disso, é importante que se tenha uma sincronia entre nossos relógios internos e o mundo externo, bem como a sincronia entre todos os relógios internos. Assim, vale destacar que nossos ritmos internos são sincronizados com o mundo exterior principalmente por meio dos sinais de luz que atingem o núcleo supraquiasmático através do olho, ou seja, pelas células ganglionares da retina. Por outro lado, o relógio central regula os relógios periféricos através de vários mecanismos, os quais incluem o controle do ritmo da temperatura corporal, da atividade do sistema nervoso autônomo e de vários hormônios, como o cortisol e a melatonina.

Ademais, os relógios periféricos também podem ser sincronizados por meio de outros sinais, incluindo alimentação e jejum. Em vista disso, a interrupção crônica do ritmo circadiano resultante de fatores como trabalho noturno, horário de sono tardio ou irregular ou horário das refeições pode contribuir para o efeitos capazes de prejudicar a saúde relacionados a doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, câncer e diabetes. 



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Interrupção Circadiana e Doenças Cardiometabólicos

Estudos observacionais mostram que trabalhadores por turnos, que possuem horários de trabalho fora do horário tradicional das 9h00 às 17h00, possuem uma alteração no ciclo de sono-vigília, pois estes geralmente precisam dormir durante o dia, o que interrompe os ritmos circadianos e, consequentemente, possui um maior risco para doenças crônicas. 

Em vista disso, meta-análises descobriram que trabalhadores em turnos tinham aproximadamente 23% mais chances de ter sobrepeso ou obesidade, um risco 14% maior de diabetes incidente, 11% a 35% de chances aumentadas de síndrome metabólica, e 10% de chances aumentadas de hipertensão prevalente e 30% de chances de hipertensão incidente. Além disso, em uma revisão apresentou dados no qual mostrava que os trabalhadores noturnos tinham pressão arterial sistólica e diastólica significativamente mais alta. 

Ritmo Circadiano e Doenças Cardiometabólicas na Literatura

Estudos mostram que trabalhadores e ex-trabalhadores por turnos apresentaram a proteína C reativa de alta sensibilidade, um marcador de inflamação, significativamente maior em comparação com trabalhadores diurnos. Sendo esse um dado importante, pois a inflamação é um fator de risco para doença cardiovascular, diabetes tipo 2 e obesidade; logo, a inflamação crônica entre os trabalhadores por turnos pode desempenhar um papel no início e na progressão dessas condições. Salienta-se, que longas horas de trabalho também apresentou relação significativa com níveis elevados de proteína C reativa de alta sensibilidade. 

O trabalho noturno pode contribuir para mudanças nos horários das refeições, perfil que tem potencial para afetar os hormônios reguladores do apetite e levar a distúrbios circadianos internos. Por exemplo, pela manhã tem-se o pico do hormônio cortisol, que regula a energia do corpo e o prepara para a fase ativa. A grelina, hormônio que estimula o apetite, tem seus picos durante o dia, enquanto a leptina, responsável pela diminuição do apetite e quebra de gordura, tem seu pico à noite. 

Além disso, outro fator que pode explicar parcialmente o aumento do risco de doenças cardiometabólicas em trabalhadores por turnos é o sono ruim. Logo, dependendo do momento do sono, este pode levar a uma interrupção circadiana, principalmente se ocorrer em um momento em conflito com o relógio biológico.

Prática Clínica

Os ritmos circadianos são essenciais para regular os processos fisiológicos do corpo humano. Assim, diante das evidências que associam a interrupção do ritmo circadiano e as doenças cardiometabólicas é importante agregar a rotina mecanismos que auxiliem na mediação desse quadro. Exemplo disso é o consumo de refeições durante a fase ativa, quando muitos hormônios atingem o pico do organismo! 

Referências Bibliográficas

Assista o vídeo na Science Play com Omar de Faria: Condutas Nutricionais para a Regulação do Ciclo Circadiano

Artigo doenças cardiovasculares: Ansu Baidoo V, Knutson KL. Associations between circadian disruption and cardiometabolic disease risk: A review [published online ahead of print, 2023 Feb 7]. Obesity (Silver Spring). 2023;10.1002/oby.23666. doi:10.1002/oby.23666

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