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Síndrome Fúngica e a Microbiota Intestinal Como Alvo Terapêutico

A microbiota é um conjunto complexo e diversificado de várias espécies bacterianas. Embora a maioria dos fungos seja patogênica apenas em circunstâncias específicas, estudos recentes têm destacado a presença de fungos como a Candida e a Saccharomyces nas secreções digestivas. A Candida, por exemplo, é um fungo que coloniza o trato gastrointestinal de forma assintomática e desempenha um papel importante na resposta imunológica. 


No entanto, sua proliferação anormal, muitas vezes facilitada por bactérias de baixa virulência, pode levar a alterações na microbiota intestinal. Quando uma paciente apresenta candidíase recorrente, muitas vezes sem conhecimento prévio, o tratamento eficaz envolve não apenas o tratamento local, mas também a abordagem do intestino, um processo que pode demandar tempo significativo. A Candida é uma comensal adaptável, presente no organismo em quantidade adequada, e sua proliferação excessiva pode ser prejudicial para a resposta imunológica. Nesse contexto, é essencial não apenas o uso de antifúngicos, mas também a melhoria da resposta imunológica da paciente e o equilíbrio da microbiota intestinal. A candidíase pode surgir em decorrência de alterações na microbiota, estresse, uso de antibióticos, imunossupressores ou deficiências vitamínicas, bem como mudanças na dieta que favoreçam o crescimento do fungo.


A formação de biofilme por Candida dificulta o tratamento antifúngico e torna o controle da infecção um desafio. Na intervenção nutricional, a quebra do biofilme é uma consideração importante para potencializar a eficácia do tratamento. Os fatores de risco para a candidíase incluem envelhecimento, alterações na permeabilidade intestinal, sexo feminino (devido à influência do estradiol na facilitação de infecções fúngicas), resistência à insulina, diabetes, doenças inflamatórias intestinais, entre outros. 


O reconhecimento da Candida pelo sistema imunológico, mediado por componentes como IgA e IL-17, destaca a importância da integridade da barreira gástrica e da resposta imunológica adequada para prevenir a colonização fúngica. A diminuição da resposta imunológica intestinal evidenciada por exames pode indicar a necessidade de uma abordagem terapêutica mais abrangente do que apenas o uso de antifúngicos.


O supercrescimento fúngico no intestino delgado (SIFO) é uma condição que pode ter repercussões sistêmicas, apresentando sintomas semelhantes ao crescimento bacteriano excessivo, como gases, diarreia, distensão abdominal e dor, além de sintomas externos como fadiga e infecções fúngicas cutâneas. O aumento do fungo no intestino está associado a fatores como estresse crônico, deficiências nutricionais e sedentarismo, e pode desencadear um ciclo de inflamação e estresse oxidativo. O controle do crescimento fúngico requer uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir fitoterapia, medicamentos, atividade física e fisioterapia pélvica, além de mudanças no estilo de vida e na alimentação.


Sintomas


Na síndrome fúngica, podem aparecer os seguintes sintomas:

  • Digestivos: gases, distensão abdominal, diarreia, mau hálito, hipersensibilidade

  • Nervoso: fadiga, confusão mental, irritabilidade, tontura, dor de cabeça e etc.

  • Pele: sudorese noturna, eczema, acne e micoses.

  • Outros: infecções vaginais e coceira anal 


A disbiose vaginal, caracterizada pela redução de lactobacilos, pode levar ao aumento de microrganismos polimicrobianos e anaeróbicos, predispondo a infecções fúngicas.


Prática Clínica


Na prática clínica do nutricionista, a relação entre síndrome fúngica e microbiota intestinal é uma área crucial a ser considerada para o sucesso do tratamento. Um tratamento bem-sucedido geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar, onde a mudança do estilo de vida, a melhoria do padrão alimentar e a modulação do intestino desempenham papéis fundamentais. O nutricionista trabalha em conjunto com outros profissionais de saúde para controlar o crescimento de fungos no organismo, por meio de estratégias dietéticas específicas e suplementação quando necessário. Ao promover um ambiente intestinal saudável e equilibrado, o nutricionista visa não apenas aliviar os sintomas da síndrome fúngica, mas também restaurar o equilíbrio da microbiota intestinal, contribuindo assim para a saúde geral do paciente.


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Referências Bibliográficas


FONSECA, Lyca R. da; RODRIGUES, Rafaele de A.; RAMOS, Aline de S.; CRUZ, Jefferson D. da; FERREIRA, José Luiz P.; SILVA, Jefferson Rocha de A.; AMARAL, Ana Claudia F.. Herbal Medicinal Products fromPassiflorafor Anxiety: an unexploited potential. The Scientific World Journal, [S.L.], v. 2020, p. 1-18, 20 jul. 2020. Hindawi Limited.

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