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Saxenda no Emagrecimento: O que você precisa saber?

Já não é mais novidade que a farmacoterapia pode ajudar as pessoas com obesidade a atingir e manter sua meta de perda de peso, reduzindo assim o risco de complicações relacionadas à obesidade. E, embora já exista disponibilidade de medicamentos anti- obesidade aprovados, esta população pode não ter acesso ou receber tratamento em níveis consistentes. Desse modo, aprenda mais sobre o uso do Saxenda no emagrecimento.

Dentre as razões para os baixos níveis de iniciação e uso prolongado dos medicamentos anti-obesidade podem ser citados a relutância da saúde pública e organizações médicas em reconhecer a obesidade como uma doença, falta de reembolso, inexperiência do provedor e percepções errôneas sobre a eficácia e segurança dos tratamentos disponíveis. 



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Medicamentos Antiobesidade

Existem vários medicamentos anti-obesidade atualmente disponíveis no mercado como auxiliar na modificação do estilo de vida, cada um com diferentes mecanismos de ação. Dentre estes estão a liraglutida e semaglutida, que foram inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, mas demonstraram ser eficazes não apenas na redução dos níveis de glicose no sangue, mas também no peso corporal.

No que se trata da liraglutida, comercializada como saxenda, indica-se a administração subcutânea de 3,0 mg/dia para o tratamento da obesidade. Por ser um agonista do receptor do peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GLP 1RAs), reduz o peso corporal de várias maneiras, ou seja, através da diminuição do apetite e da fome, bem como aumentando a saciedade, o que resulta em um déficit calórico. 

O GLP-1 é liberado pelas células L no intestino em resposta à ingestão de energia e facilita uma infinidade de ações fisiológicas, incluindo um atraso no esvaziamento gástrico. Enquanto que no sistema nervoso central, os receptores de GLP-1 estão localizados no hipotálamo, o qual está envolvido na regulação da ingestão de alimentos e a redução da sensação de fome está associada a um aumento na conectividade funcional dos núcleos solitários com o hipotálamo e tálamo. 

Além disso, alterações compensatórias nos níveis de hormônios reguladores de peso como leptina, grelina, peptídeo YY e peptídeo inibidor gástrico, podem neutralizar o processo de emagrecimento induzido pela dieta, destacando a dificuldade em manter a perda de peso apenas com a dieta. Por isso, sugere-se que o tratamento da obesidade deve ser considerado crônico (como no caso da hipertensão), e não um tratamento curto associado a doenças agudas. 

Tolerabilidade ao Saxenda no Emagrecimento

Por se tratar de um medicamento antidiabético sendo usado para tratar a obesidade, preocupa-se com a possibilidade de aumentar o risco de hipoglicemia nestes pacientes. No entanto, a ação do GLP-1 é dependente de glicose e a glicose no sangue só é reduzida pelo GLP-1 se as concentrações estiverem acima dos níveis de jejum. 

Neste contexto, os eventos adversos relatados com mais frequência tendem a envolver o sistema gastrointestinal, com náuseas, vômitos e diarreia que em pacientes apenas com obesidade ou com obesidade e diabetes, tendem ser de leves a moderados e transitórios. 

Além disso, existem várias estratégias que podem ser empregadas para ajudar a gerenciar ou minimizar possíveis desconfortos gastrointestinais ao iniciar o uso de GLP-1RA como, por exemplo, um aumento gradual da dose é recomendado para liraglutida 3,0 mg, começando com a dose inicial de 0,6 mg por dia durante 1 semana, aumentando a dose em incrementos semanais até atingir a dose terapêutica máxima de 3,0 mg.

Por que optar pelo Saxenda no emagrecimento?

Atualmente, a farmacoterapia é recomendada como adjuvante na modificação do estilo de vida para indivíduos com IMC de pelo menos 30 kg/m2 ou pelo menos 27 kg/m2 associado a comorbidades, visto que a perda de peso pode melhorar os parâmetros cardiometabólicos, incluindo pré-diabetes, dislipidemia e hipertensão. 

Sendo assim, a tomada de decisão do tratamento pode ser guiada pelos diferentes mecanismos de ação dos medicamentos antiobesidade para determinar a adequação da terapia para o paciente de forma individual. Por exemplo, se os pacientes apresentarem sintomas como fome precoce ou falta de saciedade, um GLP-1RA pode ser apropriado em comparação com outros tratamentos disponíveis que funcionam apenas suprimindo o apetite ou inibindo a absorção de gordura. Além de levar em consideração o mecanismo de ação de cada classe de medicamento, há certas contra indicações e efeitos adversos a serem considerados como no caso da naltrexona-bupropiona que não é adequada para pacientes com hipertensão não controlada, a fentermina que é contraindicada em pacientes com histórico de doença cardiovascular ou a fentermina-topiramato que é contra-indicado para aqueles que tomam certos medicamentos antidepressivos. 

Portanto, a liraglutida mostra-se uma opção alternativa quando o paciente tiver problemas de saúde mental contínuos, embora deva ser evitada em pacientes com histórico de tentativas de suicídio ou ideação suicida ativa. É importante ressaltar que o orlistat é contraindicado em pacientes com síndrome de má absorção crônica e colestase, condições que exigem evitar alimentos gordurosos.

Prática Clínica 

Uma vez que a terapia com GLP-1RA demonstrou reduzir também a preferência por alimentos gordurosos, a terapia com GLP-1RA pode ser preferida para pacientes que achariam difícil evitar este tipo de alimento em circunstâncias normais. Se outros problemas de saúde como pré-diabetes ou síndrome dos ovários policísticos (SOP) estiverem presentes, a terapia com GLP-1RA é ainda mais preferível frente às outras opções de tratamento, com o uso do Saxenda no emagrecimento.

Entretanto, a liraglutida tem um aviso de caixa preta para tumores de células C da tireoide, sendo contraindicada para pacientes com história pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

Referências Bibliográficas

Dicionário da saúde: Emagrecimento

Ard J, Fitch A, Fruh S, Herman L. Weight Loss and Maintenance Related to the Mechanism of Action of Glucagon-Like Peptide 1 Receptor Agonists. Adv Ther. 2021 Jun;38(6):2821-2839. doi: 10.1007/s12325-021-01710-0. Epub 2021 May 11. PMID: 33977495; PMCID: PMC8189979.

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