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Suplementação com Antioxidantes e sua Eficácia em Atletas

Os programas de treinamento físico são elaborados para induzir um estado de fadiga temporária, aumentando a capacidade de regeneração do corpo e promovendo uma supercompensação nos sistemas biológicos envolvidos. Em particular, atividades físicas intensas, que consomem seis ou mais equivalentes metabólicos (METs) por minuto, provocam danos estruturais nas células musculares, resultando em dor, inchaço, aumento de radicais livres, comprometimento da função imunológica e remoção de proteínas da circulação, entre outros efeitos.

 

Esses processos se manifestam clinicamente por meio de inflamação e supressão do sistema imunológico, aumentando a suscetibilidade a infecções. Portanto, se o desequilíbrio entre os períodos de atividade e recuperação persistir, o corpo pode não ser capaz de se adaptar adequadamente à carga física.

 

Relação entre Treinamento e Estado Pró-Inflamatório

 

Quando ocorre esse estado de treinamento, o organismo produz espécies reativas de oxigênio (ROS), que atuam como mensageiros moleculares, interagindo com proteínas sensíveis a reações de oxidação-redução (REDOX), regulando diversos processos no corpo, como a sensibilidade à insulina, a sinalização de fatores de crescimento, a dilatação dos vasos sanguíneos e a resposta imunológica.

 

Além disso, o exercício pode alterar o sistema imunológico com a entrada de neutrófilos nos tecidos danificados para eliminar células necróticas. Essa resposta imunológica envolve a produção de mediadores pró-inflamatórios por macrófagos residentes nos tecidos, especialmente nos músculos, e pelos linfócitos T. Alguns desses mediadores, como a interleucina 6 (IL-6), têm ações locais nos tecidos lesados durante o exercício intenso.

 

Eles também podem amplificar sinais em nível sistêmico, desencadeando uma resposta aguda ao dano tecidual e estimulando o sistema neuroendócrino por meio de vias paralelas ao eixo hipotálamo-hipofisário-adrenal, em reações às vezes desproporcionais e prejudiciais. O aumento na síntese das enzimas creatinoquinase (CK), glutamato-oxaloacetato transaminase (GOT) e glutamato-piruvato transaminase (GPT) indica dano muscular recente, e a administração de substâncias antioxidantes externas pode reduzir essa produção.

 

Como Conter e Reduzir essas Respostas Inflamatórias?

 

Um imunomodulador pode ser definido como uma substância que altera a resposta imunológica, seja aumentando ou diminuindo a capacidade do sistema imunológico de produzir anticorpos séricos específicos ou células que reconhecem e reagem com os antígenos que desencadeiam sua produção.

 

Algumas dessas substâncias são naturais, enquanto outras são de origem farmacológica. Nesse sentido, antioxidantes dietéticos são úteis para estabilizar os radicais livres e as espécies reativas de oxigênio produzidas pelo estresse oxidativo durante o exercício físico. Eles também contribuem para otimizar a resposta adaptativa dos sistemas biológicos ao exercício físico. 

 

Antioxidantes para Atletas

 

Um desses antioxidantes é a vitamina C, que interage diretamente com os radicais livres e reduz a peroxidação lipídica, que pode danificar a membrana celular. A peroxidação lipídica também pode ser reduzida pela vitamina E. Ambas as vitaminas atuam como antioxidantes diretos, regulando os níveis de REDOX por meio da eliminação de ROS.

 

No entanto, uma ampla variedade de substâncias imunomoduladoras com capacidades antioxidantes é atualmente utilizada como suplementação oral, como a coenzima Q10 (CoQ10), que participa da cadeia de transporte de elétrons produzindo ATP, daí seu poderoso papel antioxidante e protetor celular.

 

Além disso, a melatonina, um hormônio sintetizado pela glândula pineal, possui propriedades antioxidantes que incluem a eliminação de radicais livres e a regulação da atividade de enzimas antioxidantes. Outra substância que pode neutralizar os efeitos negativos do exercício físico são os grãos de aveia (Avena sativa), pois podem ter um efeito protetor contra a apoptose celular causada pelo estresse oxidativo.

 

Mesmo que a curcumina ainda não seja considerada um suplemento esportivo com nível A de evidência, sua suplementação também é considerada segura e benéfica para o esporte e atividade física, devido à redução da inflamação e do estresse oxidativo, à redução da dor e do dano muscular, à melhora na recuperação muscular, ao desempenho esportivo, às respostas psicológicas e fisiológicas (térmicas e cardiovasculares) durante o treinamento, assim como à função gastrointestinal.

 

Prática Clínica

 

O nutricionista deve realizar as recomendações com base nas necessidades individuais, metas esportivas, preferências alimentares e histórico de saúde. Antes de recomendar a utilização desses suplementos, é importante avaliar as necessidades nutricionais e o estado de saúde do atleta, visto que nem todos podem se beneficiar desse uso, especialmente se já estiverem consumindo o suficiente através da alimentação.

 

Embora os antioxidantes tenham muitos benefícios, o consumo excessivo pode ter efeitos adversos, como interferir na adaptação ao treinamento, reduzir a resposta do sistema imunológico e prejudicar a saúde geral. É importante que esses riscos também sejam discutidos com o atleta antes de dar início à essa suplementação. 

 

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Referências Bibliográficas

 

CANALS-GARZÓN, Cristina; GUISADO-BARRILAO, Rafael; MARTÍNEZ-GARCÍA, Darío; CHIROSA-RÍOS, Ignacio Jesús; JEREZ-MAYORGA, Daniel; GUISADO-REQUENA, Isabel María. Effect of Antioxidant Supplementation on Markers of Oxidative Stress and Muscle Damage after Strength Exercise: a systematic review. International Journal Of Environmental Research And Public Health, [S.L.], v. 19, n. 3, p. 1803, 5 fev. 2022. MDPI AG.

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