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Terapia Antioxidante na Hipertensão Pulmonar

A hipertensão pulmonar (HP) é uma doença progressiva caracterizada pelo aumento da resistência dos vasos sanguíneos nos pulmões e das pressões arteriais nesta região. Atualmente, considera-se que a HP hemodinâmica ocorre quando a pressão arterial média nos pulmões aumenta em mais de 20 mmHg durante o repouso. Destaca-se que essa sobrecarga crônica de pressão devido à HP pode levar a vários desfechos negativos à saúde, sendo que vários estudos mostraram evidências de estresse oxidativo nos pulmões e na vasculatura pulmonar de animais e humanos com HP. 

Por outro lado, o metabolismo aeróbico envolve a produção de espécies reativas de oxigênio (ERO), mesmo em condições normais, desempenhando um papel importante em algumas vias de sinalização fisiológica, como a inflamação. Portanto, é necessário um contínuo processo de inativação dessas espécies reativas de oxigênio. 

Além disso, a produção excessiva de EROs provenientes de fontes mitocondriais, enzimáticas ou externas pode levar a um desequilíbrio entre a produção destes radicais e os sistemas de defesa das células, resultando em estresse oxidativo e alterações subsequentes em moléculas biológicas como DNA, lipídios, proteínas e carboidratos. Como resultado, o estresse oxidativo pode desempenhar um papel em processos como mutagênese, carcinogênese, danos nas membranas celulares, peroxidação de lipídios, oxidação e fragmentação de proteínas, danos aos carboidratos, além de estar envolvido na patogênese de várias doenças. Por exemplo, a vasoconstrição induzida pelo estresse oxidativo é considerada um dos fatores mais críticos nos estágios iniciais da HAP.



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Tratamento Antioxidante na Hipertensão Pulmonar

O estresse oxidativo pode ser mitigado através de sistemas de defesa internos ou por meio de tratamento com terapia antioxidante externa. Os antioxidantes são substâncias que eliminam as EROs, reduzindo assim o dano oxidativo e mantendo a homeostase redox nas células. O sistema de defesa antioxidante interno inclui antioxidantes não específicos e não enzimáticos, como a vitamina E (α-tocoferol), vitamina C, glutationa, ácido úrico e bilirrubina, além de antioxidantes enzimáticos específicos, como superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT) e glutationa peroxidase (GPx). Por outro lado, o sistema de defesa antioxidante externo inclui carotenóides, flavonóides e vitaminas.

No entanto, embora os sistemas de defesa antioxidante estejam presentes em todo o corpo, eles são distribuídos de forma desigual dentro das células, com maior concentração no citoplasma e nas mitocôndrias. Nesse sentido, as estratégias terapêuticas voltadas para a regulação do estresse oxidativo visam direcionar as EROs para alcançar níveis adequados de estresse oxidativo e obter benefícios terapêuticos. Essa abordagem tem sido aplicada em diversas doenças causadas pelo estresse oxidativo, como doenças neurodegenerativas e cardiovasculares.

Vitaminas na Hipertensão Pulmonar

Existem numerosas evidências que apontam para a relação entre a deficiência de certas vitaminas e o desenvolvimento da HP. Por exemplo, a falta de vitamina C e ferro, que resulta em atividade descontrolada do fator induzível por hipóxia e vasoconstrição pulmonar, tem sido associada à ocorrência de hipertensão pulmonar reversível. Além disso, a insuficiência de vitamina D tem sido relacionada a um aumento do risco de mortalidade em pacientes com HP.

Nesse contexto, a vitamina E desempenha um papel fundamental como um antioxidante poderoso, uma vez que ajuda a prevenir a peroxidação lipídica, interagindo com os radicais peroxil, neutralizando-os e impedindo que causem danos às membranas celulares. Os radicais peroxil são convertidos em radicais tocoferoxil, a forma oxidada da vitamina E, que são então regenerados pela vitamina C. Vale ressaltar que a vitamina C é uma vitamina solúvel em água que elimina os radicais livres e não pode ser produzida pelo organismo humano, portanto, deve ser ingerida como um suplemento.

Melatonina na Hipertensão Pulmonar

A melatonina, um hormônio neurológico produzido pela glândula pineal, oferece proteção contra as EROs por meio da sua capacidade de eliminar diretamente esses radicais, estimular enzimas antioxidantes e regular negativamente agentes que promovem a oxidação. O aumento excessivo de EROs, que é a principal causa da redução da capacidade de vasodilatação e da proliferação excessiva de células musculares lisas na artéria pulmonar, está relacionado à disfunção vascular presente na hipertensão pulmonar persistente em recém-nascidos. Pesquisas têm mostrado que em modelos experimentais de hipertensão pulmonar persistente em recém-nascidos em condições hipóxicas, a administração de melatonina tem demonstrado eficácia no alívio dos sintomas.

Polifenóis na Hipertensão Pulmonar

Os polifenóis são um amplo grupo de compostos vegetais que contêm moléculas bioativas encontradas na dieta humana, especialmente em vegetais, frutas e bebidas. Existem duas principais categorias de polifenóis dietéticos: os flavonoides, que são o maior grupo de compostos polifenólicos, e os polifenóis não flavonóides. Entre os polifenóis não flavonóides, estão os estilbenos, que contêm resveratrol, uma substância com diversas atividades biológicas, como propriedades antioxidantes, antiinflamatórias e antitumorais, e que também demonstrou melhorar o pH.

Além disso, diversos estudos têm relatado que o resveratrol, um polifenol, suprime a proliferação das células musculares lisas na artéria pulmonar e a vascularização dos vasos pulmonares em ratos com hipertensão arterial pulmonar induzida por monocrotalina. O resveratrol também demonstrou reduzir a lesão vascular e a pressão arterial pulmonar, promovendo não apenas a expressão da enzima superóxido dismutase e a eliminação de radicais livres de oxigênio, mas também inibindo a inflamação e a ativação plaquetária.

Prática Clínica

Pesquisas suportam a influência do estresse oxidativo no desenvolvimento da hipertensão pulmonar e têm demonstrado os benefícios da utilização de antioxidantes como terapia. No entanto, os estudos clínicos continuam a apresentar resultados contraditórios, e os efeitos positivos observados em estudos pré-clínicos não são reproduzidos na prática clínica. Portanto, é necessário realizar mais pesquisas para aprofundar a compreensão do papel dos radicais livres de oxigênio na HP e desenvolver intervenções terapêuticas eficazes.

Referências Bibliográficas

Assista o vídeo na Science Play: Eixo Intestino e Pulmão

Poyatos P, Gratacós M, Samuel K, Orriols R, Tura-Ceide O. Oxidative Stress and Antioxidant Therapy in Pulmonary Hypertension. Antioxidants. 2023; 12(5):1006. https://doi.org/10.3390/antiox12051006

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