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Uso de Medicamentos para o Emagrecimento: O que a Ciência diz?

Um dos princípios da farmacoterapia da obesidade é que a farmacologia deve ser considerada em pacientes com um IMC >30 ou IMC > 27 com pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, sendo que o indivíduo não consegue alcançar pelo menos 5% de perda de peso com intervenções no estilo de vida. No cenário da obesidade, qualquer perda de massa gorda para um indivíduo obeso é benéfica, não só fisicamente, mas também para a saúde em geral. Nesse sentido, um estudo que relaciona alimentos e obesidade mostra que uma alta restrição calórica na dieta não tem adesão por muito tempo. 


Obesidade vs. Farmacoterapia


A obesidade é uma condição crônica, multifatorial e considerada uma doença, portanto, a farmacoterapia deve ser prescrita com a intenção de uso a longo prazo como parte de um plano abrangente de um estilo de vida. A interrupção provavelmente resultará em recuperação de peso. Nesse sentido, 80% das pessoas falham em continuar a redução de peso a longo prazo, logo a medicação deve ser mantida enquanto for necessário, sendo que normalmente os resultados rápidos não são duradouros. 


Prescrição de Medicamentos para Diferentes Casos de  Pacientes com Obesidade


O princípio 3 dos regimes medicamentosos para o paciente deve ser individualizado, a fim de otimizar os benefícios em relação aos riscos. É preciso entender como cada medicamento funciona para enfim realizar uma prescrição. Desse modo, ao estabelecer que a obesidade é o desequilíbrio entre o gasto e a ingestão, pode-se classificar o paciente em 4 tipos: aquele paciente que tem o cérebro faminto (que não consegue identificar a saciedade), intestino faminto (hungry gut), o comedor emocional e o paciente de metabolismo lento.


Um dos medicamentos interessantes para ser utilizado nesse caso é a fentermina com topiramato, que aumenta o tônus gabaérgico que inibe a sinalização de fome. O Vyvanse é usado em casos de transtorno compulsivo alimentar para aqueles pacientes que comem muito rápido e sentem constrangimento após a compulsão. Em casos de "hungry gut", é usado GLP1 que tem efeitos no cérebro, fígado, pâncreas e músculo. O mounjaro, que é a junção de dois peptídeos intestinais, tem efeitos muito similares que, quando combinados, se complementam e possuem função em todos os tecidos do corpo.


Em pacientes bariátricos, o uso desses medicamentos causam uma redução de grelina, alterando todos os hormônios e favorecendo para  que a pessoa continue magra. Logo, o GLP1 se mostrou versátil, sendo combinado com vários peptídeos. Em relação ao comer emocional, que é quando uma pessoa come por qualquer motivo é usado o Contrave. Em casos de pacientes com metabolismo lento, estudos mostram a utilização da fentermina com topiramato, que ajuda a inibir a sinalização de fome. 


Importância de uma Prescrição Individualizada


Entender o porquê e para quem se está prescrevendo o medicamento, ajuda a fazer uma individualização das prescrições. Estudos demonstram que pacientes que foram individualizados na sua terapêutica tiveram uma resposta melhor aos resultados. As combinações de medicações com diferentes mecanismos de perda de peso devem ser consideradas para superar os mecanismos compensatórios biológicos que impulsionam o reganho de peso. A prescrição off-label pode ser necessária para superar as barreiras ao cuidado e deve ser informada pelas evidências atuais, porém, essas medicações não receberam a aprovação da  FDA (Food and Drug Administration).


Por último, outro ponto importante, é o diálogo entre médico e paciente, pois,  a falta de diálogo faz gerar dúvidas por parte do paciente a respeito da conduta que o médico está tomando, como o porquê dele ter que tomar certo medicamento que funciona com um propósito diferente do que ele precisa, acarretando em falta de adesão.


Prática Clínica


Para incorporar a farmacoterapia no tratamento da obesidade na prática clínica, médicos devem prescrever medicamentos para pacientes com IMC > 30 ou IMC > 27 com comorbidades relacionadas ao peso, especialmente quando intervenções no estilo de vida não resultam em perda significativa de peso. A medicação deve ser usada a longo prazo, individualizando o tratamento conforme as necessidades específicas do paciente, como fome cerebral, fome intestinal, alimentação emocional ou metabolismo lento. Medicamentos como fentermina com topiramato, Vyvanse, GLP-1 e Contrave podem ser considerados. É crucial manter um diálogo claro com os pacientes para garantir a adesão ao tratamento e esclarecer dúvidas sobre as prescrições, inclusive o uso off-label.


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Referências Bibliográficas


ACOSTA, Andres; CAMILLERI, Michael; DAYYEH, Barham Abu; CALDERON, Gerardo; GONZALEZ, Daniel; MCRAE, Alison; ROSSINI, William; SINGH, Sneha; BURTON, Duane; CLARK, Matthew M.. Selection of Antiobesity Medications Based on Phenotypes Enhances Weight Loss: a pragmatic trial in an obesity clinic. Obesity, [S.L.], v. 29, n. 4, p. 662-671, 23 mar. 2021. Wiley.

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