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A Conexão Intrigante entre Dieta e Autoimunidade

Os transtornos relacionados ao glúten englobam um espectro de condições médicas desencadeadas pela ingestão de glúten, destacando-se a doença celíaca (DC) pela sua prevalência e significância clínica. A DC é caracterizada por uma resposta autoimune ao glúten em indivíduos geneticamente predispostos, apresentando características comuns com outras doenças autoimunes. Veja abaixo a complexidade dos mecanismos subjacentes à autoimunidade na DC, bem como suas implicações clínicas e a relação com a sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC).


Relação Entre o Glúten e as Doenças Autoimunes  


 

A doença celíaca emerge como uma condição autoimune sistêmica induzida pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente suscetíveis. Distinta por sua prevalência, afetando aproximadamente 3% da população em diversas regiões globais, a DC compartilha características autoimunes com outras doenças, como tireoidite e diabetes tipo 1 (DM1). Essa associação entre DC e outras condições autoimunes sugere uma predisposição genética compartilhada, agravada pela ingestão de glúten.


Mecanismos Genéticos e Ambientais na Autoimunidade da Doença Celíaca

 

A predisposição genética, marcada pela presença dos haplótipos HLA-DQ2 e HLA-DQ8, é fundamental, mas não suficiente para o desenvolvimento da DC. Estudos têm mostrado que fatores ambientais, incluindo a dieta e possíveis infecções, desempenham um papel crucial na manifestação da DC em indivíduos geneticamente predispostos.


A interação entre a genética e o ambiente sugere um mecanismo complexo pelo qual o glúten e outros gatilhos ambientais induzem a perda de tolerância ao glúten, levando à ativação da resposta autoimune. Isso destaca a importância de considerar tanto a genética quanto os fatores ambientais na gestão e no entendimento da DC.

  

Dieta, Microbiota e Autoimunidade  


 

A dieta não apenas influencia a composição da microbiota intestinal, mas também afeta diretamente a expressão genética relacionada à resposta imune. O glúten, em particular, foi identificado como um gatilho potencial para a autoimunidade em indivíduos predispostos, destacando a importância de estratégias dietéticas na gestão da DC e outras condições autoimunes.


Ainda, a microbiota intestinal emerge como um fator significativo na modulação da resposta imune ao glúten. Alterações na composição da microbiota podem influenciar a permeabilidade intestinal e a resposta inflamatória, sugerindo um papel potencial na patogênese da DC e outras autoimunidades.


Outra consideração importante é a percepção de que adotar uma dieta sem glúten nem sempre significa adotar uma alimentação saudável. É muito comum no consultório nos depararmos com pacientes que substituem os carboidratos com glúten por opções sem glúten, muitas vezes ricas em carboidratos refinados. Isso pode agravar seus marcadores inflamatórios, como insulina, proteína C reativa, homocisteína, entre outros. Essas alterações na microbiota e no metabolismo podem gerar um impacto negativo na saúde a longo prazo desse indivíduo. 

 

Prática Clínica


 

À luz dos dados apresentados, torna-se evidente a necessidade de uma abordagem multidisciplinar no manejo da DC e doenças autoimunes relacionadas. A adoção de uma dieta livre de glúten mostra-se não apenas benéfica para indivíduos com DC, mas também pode oferecer vantagens para aqueles com outras condições autoimunes e SGNC. A compreensão da interação entre a dieta, a genética e a microbiota intestinal destaca o potencial de intervenções nutricionais personalizadas como um componente chave na prevenção e tratamento de doenças autoimunes.


Portanto, ressalto a importância de uma avaliação clínica e nutricional abrangente para aqueles em risco de desenvolver doenças autoimunes. A integração dessas estratégias não apenas proporcionará um caminho para uma melhor gestão clínica da DC, mas também inspirará a adoção de mudanças dietéticas e de estilo de vida que beneficiem a saúde autoimune de forma mais ampla. Assim, os profissionais de saúde devem prescrever e adotar essas mudanças estabelecidas, visando uma abordagem holística e personalizada no tratamento das doenças autoimunes.


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Sugestão de leitura: O que é glúten?




Referências Bibliográficas


MANDILE, Roberta; TRONCONE, Riccardo. Gluten intolerance and autoimmunity. Biotechnological Strategies For The Treatment Of Gluten Intolerance, [S.L.], p. 81-94, 2021. Elsevier.

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