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  • Foto do escritorFabiola Maniglia

Consumo de Carne Vermelha e Risco de Diabetes Mellitus Tipo 2: O que mostra a ciência?

O diabetes mellitus tipo 2 é uma das doenças crônicas não transmissíveis associadas ao acúmulo de gordura corporal, que ameaça a saúde pública pelos seus índices crescentes e prejuízos gerados pelas suas complicações. Diversos estudos procuram associar o padrão dietético com a prevenção ou predisposição a essa doença.


No presente trabalho, procurou-se investigar especificamente o consumo total de carnes e, separadamente, dos tipos processada e não processada. Estimou-se também os efeitos da substituição de diferentes fontes de proteína.

O estudo contou com mais de 200 mil participantes, predominantemente do sexo feminino, e o consumo alimentar foi investigado por meio de um questionário semiquantitativo de frequência alimentar.


Os pesquisadores observaram que as pessoas que estavam no quintil de maior consumo de carne vermelha apresentavam risco aumentado de desenvolver diabetes mellitus tipo 2. 

Deve-se ressaltar que as pessoas que se encontravam neste quintil superior de consumo de carnes apresentavam também outras características associadas à maior predisposição à doença. No entanto, o risco de desenvolver diabetes tipo 2 se mantinha mesmo após o ajuste de variáveis, como: Índice de Massa Corporal (IMC), uso de tabaco e presença de hipertensão. 


Os autores reforçaram que o consumo de carnes processadas se mostrou ainda mais deletério e apontaram algumas possíveis justificativas para a associação da carne vermelha com a resistência insulínica:


  • Metabólitos, como gorduras, aminoácidos, xenobióticos e outros desconhecidos;

  • Alto teor de gordura saturada, que pode reduzir a função das células beta do pâncreas e provocar resistência insulínica; 

  • Excesso de ferro heme, que pode aumentar o estresse oxidativo, prejudicando a função das células beta e a sensibilidade à insulina;

  • Presença de nitratos e seus subprodutos, no caso das carnes processadas, que levam à disfunção endotelial e resistência insulínica.


Vale ressaltar que, como qualquer doença crônica de etiologia multifatorial, mais estudos são necessários para a avaliação do risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 a partir do consumo de alimentos específicos. 


Prática Clínica


Recomenda-se limitar o consumo de carnes vermelhas e processadas, utilizando-se de outras fontes alimentares de proteína, como as leguminosas, para a diminuição do risco de desenvolver diabetes tipo 2.


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Referências Bibliográficas


Xiao Gu, Jean-Philippe Drouin-Chartier, Frank M. Sacks, Frank B. Hu, Bernard Rosner, Walter C. Willett. Red meat intake and risk of type 2 diabetes in a prospective cohort study of United States females and males. The American Journal of Clinical Nutrition, Volume 118, Issue 6, 2023.

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