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Corpos Cetônicos e Performance Esportiva

Teoricamente, a suplementação de corpos cetônicos melhoraria a performance esportiva por alterar o substrato metabólico durante o exercício, servindo como fonte alternativa para a produção de energia, seja em condições de disponibilidade reduzida de carboidratos (CHO) ou na economia de CHO. Contudo, as evidências científicas ainda são bastante heterogêneas quanto a eficácia da suplementação (MARGOLIS, 2020), apesar de existir um potencial fisiológico que a justifique (EVANS, 2017).

A suplementação exógena de corpos cetônicos tem por objetivo evitar os efeitos indesejáveis das estratégias dietéticas de indução de produção endógena desses corpos, enquanto pretende proporcionar uma combinação de economia de substrato e eficiência energética melhorada.

De modo geral, as estratégias que resultam na produção endógena de corpos cetônicos envolvem a restrição de CHO, seja por jejum prolongado ou por dietas de baixo, ou muito baixo consumo de CHO. Vale ressaltar que as evidências sustentam que não existem benefícios para a performance para a maioria dos atletas que se valem dessas estratégias de restrição de carboidrato (BURKE, 2015).



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Corpos Cetônicos e Mudança de Substrato Energético

Faltam evidências científicas para concluir se há mudança de substrato energético durante o exercício físico quando sob condições de cetose exógena, bem como se ela favorece ou não a performance.

Visto que, em Margolis, não foram encontradas evidências que insinuam que essa mudança de fato ocorreu. Em Evans, algumas evidências sugeriram um efeito negativo a depender da modalidade desportiva. Tal se dá pela possível inibição momentânea das vias glicolíticas e lipolíticas. Esportes de alta intensidade ou intermitentes seriam prejudicados por essa inibição. Já esportes de resistência e longa duração se beneficiariam dela.

Corpos Cetônicos na Literatura

Aparentemente a melhor forma de suplementação é via oral  através de ésteres de cetona, em detrimento dos sais de cetona, ou das infusões de acetoacetato e de β-hidroxibutirato. Em especial, destaca-se o monoéster de (R) -3-hidroxibutil (R) -3-hidroxibutirato cetona.

Além disso, a suplementação de ésteres demonstrou menores efeitos colaterais. Os efeitos são decorrentes da cetose nutricional aguda, necessária para os efeitos pretendidos pela suplementação. A acidez levemente elevada no trato gastrointestinal pode ocasionar: flatulência, náusea, diarréia, constipação, vômito, desconforto abdominal e dor abdominal. Sendo assim, dos corpos cetônicos, o β-hidroxibutirato é o que apresenta maior relevância para o efeito ergogênico que a suplementação almeja.   

Prática Clínica

A literatura atual sobre essa suplementação encontra desafios como o baixo número das amostras dos estudos, inconstâncias relativas à variação do tipo de suplemento de corpo cetônico, doses, resultado de desempenho, e falta de  evidências no que tange às alterações no metabolismo do substrato energético durante o exercício físico.

Desse modo, por não haver evidências suficientes para assegurar a sua recomendação, a suplementação de corpos cetônicos não é indicada para a melhora da performance esportiva.

Referências Bibliográficas

Sugestão de Leitura: Corpos Cetônicos

MARGOLIS, L.M; O’FALLOW, K.S. Utility of Ketone Supplementation to Enhance Physical Performance: A Systematic Review. Adv Nutr. 2020 Mar 1;11(2):412-419. doi: 10.1093/advances/nmz104

EVANS, M; COGAN, K.E; EGAN, B. Metabolism of ketone bodies during exercise and training: physiological basis for exogenous supplementation. J Physiol. 2017 May 1;595(9):2857-2871. doi: 10.1113/JP273185.

BURKE, L.M. Re-Examining High-Fat Diets for Sports Performance: Did We Call the ‘Nail in the Coffin’ Too Soon? Sports Med. 2015 Nov;45 Suppl 1(Suppl 1):S33-49. doi: 10.1007/s40279-015-0393-9

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