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Qual é o Papel da Nutrição na Doença Inflamatória Intestinal?

Brunno Falcão · Microbiota intestinal · 2024-03-04

Nos últimos anos, cada vez mais os efeitos da alimentação vem se entrelaçando com diversos diagnósticos clínicos. Neste cenário, compreender o impacto da nutrição nas doenças inflamatórias intestinais (DII) torna-se um fator essencial para o avanço na qualidade de vida dos pacientes. Esse grupo de doenças, que inclui a doença de Crohn e a colite ulcerativa, por exemplo, desafia milhões de pessoas em todo o mundo. Por essa razão, a ciência nutricional vem se mostrando uma ferramenta poderosa de transformação na saúde de vários indivíduos. Continue a leitura e entenda: como as doenças inflamatórias intestinais afetam a microbiota ; como a dieta influencia a progressão de doenças inflamatórias intestinais; o que deve ser evitado na doença inflamatória intestinal ; como é feito o diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais ; como deve ser a terapia nutricional nas doenças inflamatórias intestinais .

Como as doenças inflamatórias intestinais afetam a microbiota? As doenças inflamatórias intestinais  são um conjunto de desordens que afetam os intestinos delgado e grosso de maneira crônica. Apesar da sua etiologia não ser totalmente elucidada, estudos relacionam o seu desenvolvimento com a interação entre o sistema imunológico  e a microbiota intestinal. Condições como a doença de Crohn e a colite ulcerativa, que geralmente causam disfunção da barreira intestinal, são os principais exemplos desse espectro de doenças, que vem prevalecendo cada vez mais em países com estilo de vida ocidental,, afetando a composição da microbiota intestinal ao liberarem metabólitos pró-inflamatórios. Doença de Crohn No caso da doença de Crohn, a diversidade da microbiota é reduzida, apresentando elevada presença de Erysipelotrichales, Bacteroidales  e Clostridiales . Além disso, há uma redução de Enterobacteriaceae, Pasteurellacaea, Veillonellaceae  e Fusobacteriaceae, o que contribui no processo inflamatório do trato gastrointestinal. Colite ulcerativa Já na colite ulcerativa, a diversidade de bactérias comensais diminui e o número de Enterobacteriaceae, Enterococcus, Ruminococcus  e Bacteroides  aumenta a partir de um processo de superprodução. Essa condição acaba por agravar o quadro disbiótico do paciente. Como a dieta influencia a progressão de doenças inflamatórias intestinais? No que diz respeito à dieta na doença inflamatória intestinal, esta pode melhorar ou piorar o quadro de inflamação do paciente. Dados científicos sugerem, por exemplo, que dietas ricas em açúcares e gorduras afetam a barreira mucosa do intestino, corrompendo-a. Além disso, esse padrão alimentar aumenta a permeabilidade entre as células, estabelecendo um quadro de leaky gut, ou seja, um enfraquecimento da barreira intestinal. O que deve ser evitado na doença inflamatória intestinal? A ingestão de aditivos alimentares como o polissorbato 80, comumente utilizado pela indústria alimentícia como um emulsificante, atua aumentando a translocação bacteriana e a aderência de E coli.  nas células M intestinais e também nas placas de Peyer. Esse quadro resulta em um processo ainda maior de inflamação.   Além desse aditivo, alguns dados também sugerem que os polissacarídeos dietéticos, como a maltodextrina, aumentam a produção de Biofilme bacteriano. Dessa forma, profissionais devem desencorajar o consumo de alimentos que contenham emulsificantes, espessantes e aditivos pela população geral. Como é feito o diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais? Na doença de Crohn, a avaliação laboratorial por endoscopia digestiva é muito comum. Isso se deve ao fato deste ser um exame básico que permite a constatação do grau de inflamação do trato digestivo do paciente. No entanto, nem sempre os sintomas que o paciente relata estão diretamente relacionados ao grau de inflamação apresentado no exame. Dessa forma, a solicitação de calprotectina fecal e proteína C reativa (PCR) podem auxiliar na avaliação do real estado inflamatório do paciente. Por outro lado, a elucidação do caso suspeito de colite ulcerativa é mais simples, já que sintomas como evacuações frequentes e presença de sangramento nas fezes correlacionam-se bem com os achados histológicos da endoscopia, tanto na população adulta quanto na pediatria. Como deve ser a terapia nutricional nas doenças inflamatórias intestinais? O manejo nutricional nos casos pediátricos é fundamental. Dados apontam que o padrão ouro seja a oferta de nutrição enteral exclusiva a partir do uso de fórmula nutricional completa pelo período de 6 a 10 semanas. Em geral, essa terapia resulta em até 80% de regressão da doença de Crohn. Outra possibilidade de terapia nutricional é a nutrição enteral parcial  associada a uma dieta de exclusão de alimentos integrais, no qual 50 a 90% da oferta calórica são provenientes de fórmulas, enquanto o restante das calorias vem de alimentos como carne, arroz e alguns vegetais. Além dessas terapias, a adoção da dieta low FODMAP, dieta de carboidratos específicos com restrição de glúten para celíacos, bem como a adoção de uma dieta mediterrânea parecem favorecer a remissão da doença. Prática clínica É evidente a relevância do manejo nutricional nas doenças inflamatórias intestinais, sendo que a melhor estratégia depende de cada caso. Desse modo, o nutricionista deve ser o profissional responsável por avaliar e determinar a sua conduta frente às DII. De maneira geral, orientações como redução do consumo de gordura saturada, aditivos alimentares, gorduras provenientes de fontes lácteas e gordura trans, têm resultado em benefícios tanto na doença de Crohn quanto na colite ulcerativa. Além disso, os adoçantes que apresentam em sua composição sucralose e sacarina também não são recomendados para pacientes portadores de DII. Por fim, a necessidade do uso de fórmulas nutricionais e/ou a exclusão de alimentos deve ser avaliada individualmente pelo nutricionista. Ao compreender o papel da nutrição na doença inflamatória intestinal, pode-se entender cada escolha alimentar como um passo em direção à saúde. Continue explorando o blog Science Play para mais perspectivas e estratégias sobre saúde e nutrição. Recomendamos a leitura do artigo sobre a importância da saúde intestinal e como mantê-la em equilíbrio . Referências bibliográficas Assista a Palestra Microbiota CLUB 2022 com Cristiano Rudge: Diagnóstico diferencial na síndrome do intestino irritável REZNIKOV, Elizabeth A.; SUSKIND, David L.. Current Nutritional Therapies in Inflammatory Bowel Disease : improving clinical remission rates and sustainability of long-term dietary therapies. Nutrients, [S.L.], v. 15, n. 3, p. 668, 28 jan. 2023. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/nu15030668 . Classifique este post #lactose #coliteulcerativa #DoençasInflamatóriasIntestinaisenutrição #microbiota #leakygut #doençasinflamatoriasintestinais #intestino #doençadecrohn #gluten