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Eixo Intestino-Músculo: Você sabe o que é?

A microbiota é caracterizada pela população de micro-organismos que habitam o intestino. Os quatro filos predominantes na microbiota intestinal são: firmicutes, bacteroidetes, proteobacteria e actinobacteria. Um desequilíbrio desses micro-organismos pode gerar alterações metabólicas e imunológicas no indivíduo.

Recentemente, foi pautado que a microbiota intestinal poderia impactar diretamente na função muscular, essa relação foi denominada como eixo intestino músculo.



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Impactos da Nutrição Esportiva no Eixo Intestino-Músculo

A ingestão nutricional insuficiente pode gerar distúrbios no sistema imune e endócrino. Além disso, a ingestão adequada dos macronutrientes é vital para uma boa composição microbiana.

Sendo assim, um planejamento dietético com baixo teor de carboidratos e alto teor de lipídios prejudica a economia do exercício, afetando a capacidade aeróbia durante o exercício. Porém, esse tipo de dieta não afeta apenas a performance, uma alta ingestão de gorduras saturadas prejudica a microbiota por conta de uma menor produção de ácidos graxos de cadeia curta, maior produção de citocinas inflamatórias e um desequilíbrio na permeabilidade intestinal.

Além disso, a ingestão de proteínas é comumente usada para induzir ganhos de massa muscular, porém o consumo proteico excessivo pode gerar distúrbios na microbiota, exacerbando certas respostas inflamatórias, aumentando a permeabilidade tecidual e intensificando os sintomas gastrointestinais. Por outro lado, a ingestão de carboidratos foram correlacionadas com uma boa saúde intestinal, devido à sua fermentação no cólon em ácidos graxos de cadeia curta.

O Eixo Intestino-Músculo

A disbiose intestinal (caracterizado pelo desequilíbrio da população de microrganismos no intestino) foi correlacionada com uma maior incidência de sarcopenia, caracterizada por  uma redução dos capilares musculares, uma diminuição da sensibilidade à insulina, um declínio da biogênese e função das mitocôndrias, além de uma redução significativa da síntese proteica.

Com isso, visando um aumento da saúde muscular, é vital ter uma boa biodiversidade de bactérias no intestino. Uma microbiota saudável, acarreta em uma menor secreção de NF-kB e citocinas inflamatórias, fatores contribuintes para a degradação muscular, além de aumentar a sinalização da mTOR e secreção de citocinas anti inflamatórias, que colabora para uma maior síntese proteica e consequentemente na otimização da hipertrofia e força muscular.

Outrossim, os ácidos graxos de cadeia curta produzidos pelas bactérias intestinais, como o butirato, acetato e propionato, podem auxiliar na saúde muscular, aumentando a captação de glicose, biogênese mitocondrial, ativação da AMPK e lipólise no músculo, além do aumento das propriedades antimicrobianas por conta da maior produção de ácidos biliares. Ademais, os ácidos graxos de cadeia curta podem ser precursores para a gliconeogênese, suprimir respostas inflamatórias, inibir a lipogênese, reduzir a permeabilidade intestinal e regular o crescimento e diferenciação celular.

Prática Clínica 

Além de todas as funções ressaltadas anteriormente, as bactérias intestinais podem auxiliar no processo de metabolização e produção de vitaminas e polifenóis, importantes no funcionamento muscular.  As vitaminas do complexo B desempenham funções que podem auxiliar no processo de anabolismo, incluindo replicação e reparo do DNA, síntese de nucleotídeos e aminoácidos, bem como regulação do estresse oxidativo. Já os polifenóis têm propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que também contribuem para a biogênese e função mitocondrial.

Em suma, é importante manter a integridade da microbiota intestinal para um bom desenvolvimento do músculo, do sistema imune e endócrino e outros processos importantes para o funcionamento apropriado do corpo humano.

Referências Bibliográficas

PRZEWłÓCKA, Katarzyna; FOLWARSKI, Marcin; KAŰMIERCZAK-SIEDLECKA, Karolina; SKONIECZNA-śYDECKA, Karolina; KACZOR, Jan Jacek. Gut-Muscle Axis Exists and May Affect Skeletal Muscle Adaptation to Training. Nutrients, [S.L.], v. 12, n. 5, p. 1451, 18 maio de 2020. 

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