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Fisiologia Hormonal Feminina

Uso de Testosterona Vaginal por Mulheres


A testosterona é um tema pouco abordado no meio feminino devido à ausência de estudos. A testosterona vaginal não se limita ao interior da vagina, mas também envolve o clitóris. Há relatos na literatura de que a testosterona clitoriana pode aumentar a performance sexual de mulheres com dificuldades em alcançar o orgasmo. O uso de testosterona vaginal não é algo tão novo, começou com o uso do propionato de testosterona. Mulheres eram tratadas com testosterona intravaginal visando aumentar o fluxo sanguíneo.


Os andrógenos têm efeito direto na estrutura e função vaginal, independente do estradiol. A testosterona tópica combinada com estrogênio melhora o trofismo vaginal na pós-menopausa. Existem vários métodos de utilização, visando controlar a aromatase, e esses estudos começaram com animais. A testosterona é responsável pela estimulação da liberação de ácido nítrico, melhorando a irrigação sanguínea e protegendo o clitóris, permitindo que ele seja mais sentido.


Relação Sexual e Efeitos do uso Hormonal Vaginal 


Em uma relação sexual, uma mulher com baixo nível hormonal e pouca irrigação não possui estímulo suficiente para a ereção clitoriana, o que não está relacionado ao desejo ou libido. O objetivo é alcançar o orgasmo. O estradiol mantém a elasticidade ao manter as camadas, enquanto a testosterona relaxa o músculo e traz sangue ao local. Estudos mostram que a testosterona apresenta os andrógenos, cumprindo o papel de irrigação. Através da pele, com géis, a mulher pode aplicar a testosterona, e uma parte vai para o sangue, o que pode ser suficiente para melhorar a sexualidade. A aplicação deve ser feita de 3 a 3 vezes por semana ou em uma janela de oportunidade. Apesar de algumas mulheres relatarem desconforto com o uso do gel, muitas conseguem aplicá-lo sem problemas.

 

A testosterona aumenta o relaxamento do músculo liso, a densidade das fibras nervosas e diminui a percepção, aumenta a contratilidade e diminui a resposta anti-inflamatória, além de aumentar a lubrificação e reduzir a dispareunia. No campo científico, começou-se com o estudo da atrofia vulvovaginal, com 40% das mulheres apresentando queixas desse tipo de atrofia, e apenas 25% recebendo tratamento. Estudos apontam que a aplicação de testosterona aumentou em relação ao próprio estradiol, mantendo o pH vaginal abaixo de 5 e aumentando a proporção de lactobacilos.

 

Outros estudos mostram que o creme vaginal de testosterona poderia tratar com segurança a atrofia em mulheres em uso de inibidores de aromatase. Os níveis permanecem suprimidos, e a pontuação permaneceu melhorada mesmo após 1 mês de tratamento, reduzindo a secura vaginal e dispareunia, além de reduzir o pH vaginal, indicando maturação aumentada. Não houve aumento dos níveis de estradiol ou testosterona séricos durante as 4 semanas de tratamento.

 

Uso de DHEA e Função Sexual


O uso de DHEA ainda carece de estudos, mas alguns pacientes apresentam resultados muito positivos, dependendo muito do metabolismo individual de cada mulher. O tratamento com prasterona 6,5mg, a partir da testosterona e estradiol, forma outros metabólitos no interior da vagina, não alterando os níveis plasmáticos, e a absorção de T e E é imediata. Estudos apontam que, apesar do DHEA melhorar a função sexual, não apresenta alteração do endométrio e não melhora o desejo sexual. Por outro lado, a testosterona ajuda no aumento da libido e na frequência sexual, melhorando a função pela ação dupla de T e E.

 

O creme de propionato de testosterona, aplicado diariamente no clitóris e nos pequenos lábios, gera aumento do desejo sexual e da lubrificação. Outro estudo relata que no tratamento do câncer de mama, a suplementação de testosterona por 2 semanas consecutivas aumentou a segurança, remediou a supressão ovariana, com o estradiol abaixo de 3pg por dL. Para controle de virilização, é utilizado um tubo de base pentravan qsp 10g, progesterona 1%, finasterida 0,05%, e ciproterona 0,05%.


Prática Clínica


O uso de testosterona vaginal pode melhorar a saúde sexual e vaginal em mulheres, especialmente na pós-menopausa ou com baixos níveis hormonais. Aplicações intravaginais ou no clitóris aumentam o fluxo sanguíneo, a lubrificação e a capacidade de alcançar o orgasmo, além de reduzir a dispareunia. Recomenda-se a aplicação de testosterona em gel ou creme de 3 a 3 vezes por semana, e a combinação com estrogênio pode ainda melhorar o trofismo vaginal. Monitorar os níveis hormonais e ajustar a dosagem conforme necessário garante segurança e eficácia no tratamento.


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Referências Bibliográficas


FERNANDES, Tatiane; COSTA-PAIVA, Lucia Helena; PEDRO, Adriana Orcesi; BACCARO, Luiz Francisco Cintra; PINTO-NETO, Aarão Mendes. Efficacy of vaginally applied estrogen, testosterone, or polyacrylic acid on vaginal atrophy: a randomized controlled trial. Menopause, [S.L.], v. 23, n. 7, p. 792-798, jul. 2016. Ovid Technologies (Wolters Kluwer Health).


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