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Influência da microbiota na glicemia


Microbiota e glicemia: por que pensar nessa relação?


Entre os parâmetros mais finamente controlados para manter a homeostase metabólica estão os níveis de glicose sérica. Alterações na capacidade de manter a normoglicemia estão associados ao desenvolvimento de importantes prejuízos metabólicos.


Tem sido cada vez mais abundantes as evidências que associam a composição e funcionalidade da microbiota que habita o trato gastrointestinal com o desenvolvimento de doenças metabólicas, entre elas a Diabetes Mellitus tipo 2. Sabe-se que essa é uma condição crônica desenvolvida a partir de uma desregulação glicêmica que inicia-se com quadros de hiperglicemia, avança para a resistência à insulina, até progredir para a diabetes em si.


Nesse cenário, a busca de mecanismos para explicar tal associação levou ao entendimento de como os microrganismos intestinais, principalmente as espécies bacterianas, a depender da sua abundância relativa e do seu metabolismo, podem afetar a glicemia. E isso se dá, especialmente, a partir dos metabólitos que são capazes de produzir a partir dos substratos oferecidos via dieta do hospedeiro


O papel dos ácidos graxos de cadeia curta


Os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) são produtos da fermentação microbiana de moléculas de polissacarídeos, carboidratos não digeríveis pelo trato digestório e que acabam servindo de “alimento” para as bactérias intestinais. Propionato, acetato e butirato são os principais tipos de AGCC produzidos pelos microrganismos que possuem tal capacidade fermentativa, como Akkermansia muciniphila e Fecalibacterium prausnitzii.


Além de servir como principal fonte energética para os enterócitos, esses metabólitos são capazes de ativar a expressão de genes que atuam no controle da homeostase da glicemia, como aqueles que estimulam a secreção enteroendócrina de PYY e GLP-1. Além de atuar em regiões cerebrais associadas à saciedade, o GLP-1 também tem efeito na manutenção glicêmica por ser considerado uma incretina, ou seja, melhora a síntese de insulina pelas células beta pancreáticas.


Um outro mecanismo que justifica porque os ácidos graxos de cadeia curta são considerados fundamentais para o controle da glicemia é a sua atuação como sinalizadores para a homeostase da glicose e dos lipídios nos ambientes hepático e intestinal. A gliconeogênese no fígado é fortemente estimulada pelo propionato, enquanto no intestino, esse AGCC é utilizado para a síntese de glicose via ativação de genes pelo butirato. A via da gliconeogênese intestinal atua como um sensor portal da glicose, resultando em aumento da tolerância a esse monossacarídeo e em maior sensibilidade da atividade insulínica.


Algumas evidências também apontam para o papel dos ácidos graxos de cadeia curta na melhora da secreção de insulina dependente de glicose, o que pode ser importante no contexto da manutenção da normoglicemia.


Alterações na glicemia estão na base da fisiopatologia de uma cerca de condições metabólicas. A partir da compreensão de que a composição e funcionalidade da microbiota intestinal podem interferir nesse parâmetro, a saúde intestinal e o manejo desses microrganismos pode ser considerado fundamental no contexto da prevenção e do tratamento das doenças que afetam o metabolismo. É por isso que disponibilizamos o ebook “A relação da Microbiota com as Doenças Metabólicas”, com informações acerca desse tema fundamental na prática clínica! Clique aqui para baixá-lo!


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Referências bibliográficas

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Portincasa P, Bonfrate L, Vacca M, De Angelis M, Farella I, Lanza E, Khalil M, Wang DQ, Sperandio M, Di Ciaula A. Gut Microbiota and Short Chain Fatty Acids: Implications in Glucose Homeostasis. Int J Mol Sci. 2022 Jan 20;23(3):1105. doi: 10.3390/ijms23031105.


Morrison DJ, Preston T. Formation of short chain fatty acids by the gut microbiota and their impact on human metabolism. Gut Microbes. 2016 May 3;7(3):189-200. doi: 10.1080/19490976.2015.1134082.


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