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Lesões por Uso Excessivo na Corrida: Epidemiologia, Fatores de Risco e Intervenções Clínicas

As lesões de corrida ocorrem em um contexto complexo que envolve as tensões nos tecidos corporais durante a corrida, bem como fatores individuais como idade, sexo e histórico de lesões, além de aspectos do treinamento e estilo de vida, como nutrição e sono. Assim, para desenvolver um perfil holístico de risco de lesões de um corredor, todos esses fatores devem ser considerados de forma integrada.

 

Epidemiologia das Lesões por Uso Excessivo na Corrida

 

As lesões por uso excessivo na corrida (ROIs) são prevalentes, com uma incidência geral relatada variando entre 19,4% e 79,3%. Essas taxas podem variar significativamente dependendo do tipo de corredor, das definições de lesão e dos períodos de acompanhamento, situando-se geralmente entre 2,5 e 33,0 lesões por 1.000 horas de corrida.

 

Causas e Origens das Lesões por Uso Excessivo

 

As ROIs resultam principalmente do acúmulo de estresse repetitivo nos tecidos corporais, sem o descanso adequado para a remodelação tecidual, o que pode levar à degeneração. Além disso, essas lesões podem afetar vários tipos de tecidos, sendo o joelho a localização mais comum.

 

Fatores de Risco Biomecânicos (BRFs) Associados às ROIs

 

Pesquisadores e profissionais buscam prever o risco de lesões utilizando parâmetros biomecânicos avançados. Isso inclui o estudo de parâmetros cinemáticos e cinéticos derivados da força de reação do solo, mapeamento de pressão para avaliar a distribuição de carga nos pés durante a corrida, e dados eletromiográficos combinados com tecnologias de captura de movimento para analisar a atividade muscular e os padrões de movimento. Essas abordagens permitem uma avaliação detalhada da mecânica corporal durante a corrida, auxiliando na identificação de padrões que possam indicar um maior risco de lesões, possibilitando intervenções preventivas e estratégias de treinamento personalizadas para atletas e corredores.

 

Principais BRFs e Razões Relacionadas à Corrida

 

As ROIs estão frequentemente associadas a diversos BRFs que são clinicamente relevantes. Estes incluem a Síndrome de Estresse Tibial Medial (MTSS), Tendinopatia de Aquiles (AT), Fascite Plantar (PF), Tendinopatia Patelar (PT), Síndrome da Banda Iliotibial (ITBS), Fratura por Estresse Tibial (TSF), Tendinopatia dos Isquiotibiais (HT) e Síndrome da Dor Femoropatelar (SDFP). Cada um desses BRFs apresenta características específicas e exigências biomecânicas distintas que contribuem para a ocorrência de lesões em corredores e atletas de alto impacto, destacando a importância da avaliação preventiva e do manejo adequado para mitigar esses riscos.

 

Prática Clínica

 

Dada a alta incidência de lesões, entender e mitigar os BRFs relevantes é crucial para melhorar intervenções técnicas, como calçados de corrida e órteses/palmilhas, além de sistemas de feedback para o treinamento, como reeducação da marcha, utilizando tecnologias como sensores vestíveis e "treinadores digitais". Essas estratégias visam especialmente as populações em risco, melhorando não apenas o desempenho atlético, mas também a saúde a longo prazo dos corredores.

 

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Referências Bibliográficas

 

WILLWACHER, Steffen; KURZ, Markus; ROBBIN, Johanna; THELEN, Matthias; HAMILL, Joseph; KELLY, Luke; MAI, Patrick.Running-Related Biomechanical Risk Factors for Overuse Injuries in Distance Runners: a systematic review considering injury specificity and the potentials for future research. Sports Medicine, [S.L.], v. 52, n. 8, p. 1863-1877, 5 mar. 2022. Springer Science and Business Media LLC.

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