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Níveis e Suplementação de Ferro na Saúde da Mulher

Em sua palestra no Workshop de Nutrição Clínica, a nutricionista Renata Bagarolli abordou o tema “Níveis e suplementação de ferro na saúde da mulher”.

O ferro desempenha um papel essencial no funcionamento de diversos processos biológicos, porém, seu excesso pode ser prejudicial. Sua importância se dá por estar presente na hemoglobina, nos citocromos, na síntese de ribonucleotídeos e no ciclo de Krebs. No entanto, seus níveis elevados podem gerar formação excessiva de radicais livres, estresse oxidativo e disfunção mitocondrial.



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Metabolismo do Ferro

Não há excreção de ferro pelo corpo. Dessa forma, ele é absorvido principalmente no duodeno por meio da fagocitose de hemácias envelhecidas por macrófagos, o que estabelece um ciclo de reciclagem importante. Qualquer excesso é direcionado para o fígado, podendo eventualmente ser armazenado em glândulas. Em nossa dieta diária, consumimos cerca de 1 a 2 mg de origem vegetal. Esse ferro pode ser estocado na ferritina dos macrófagos ou liberado na corrente sanguínea. Nesse processo, as vitaminas C e B12, assim como o cobre, desempenham papéis cruciais.

Mulher vs. Ferro

Na menarca, no início do ciclo menstrual, ocorre a perda de sangue, levando consequentemente à perda de ferro. Durante a puberdade, o corpo feminino passa por um processo de desenvolvimento que demanda uma maior quantidade desse nutriente para se desenvolver adequadamente. Durante a gestação e a menstruação, há perdas significativas e uma maior utilização pelo organismo.

Durante esses períodos, é comum ocorrer deficiência de ferro, o que pode levar a desordens associadas a essa deficiência, como hipermenorreia, adenomiose, sangramento gastrointestinal e infecção por H. pylori. É importante ressaltar que essa deficiência pode ser acentuada por outras causas, incluindo polimorfismos genéticos, desequilíbrios na microbiota intestinal (disbiose), baixa acidez gástrica (hipocloridria), maus hábitos alimentares, adoção de uma dieta vegetariana e uso crônico de inibidores de bomba de prótons (IBP).

Curiosamente, na menopausa, ocorre um acúmulo de ferro no organismo. Coincidentemente, mulheres nessa fase têm uma maior probabilidade de desenvolver diabetes e resistência à insulina, o que ressalta a importância de compreender e gerenciar seu equilíbrio ao longo de diferentes estágios da vida.

Sinais e Sintomas da Deficiência de Ferro

  1. Estomatite

  2. Glossite atrófica

  3. Dor ao deglutir e constipação

  4. Unhas frágeis, côncavas, estriadas e coiloníquia (marcas brancas)

  5. Queda da imunidade

  6. Edema nos membros inferiores

  7. Queda de cabelo

  8. Síndrome das pernas inquietas

  9. Cravings (fissuras)

  10. Diminuição da aptidão física, fadiga

  11. Intolerância ao frio

Prática Clínica

Ao abordar o tratamento da deficiência de ferro em mulheres em idade fértil, é crucial considerar as doses e os efeitos colaterais associados. Dito isso, existem algumas recomendações a serem seguidas, como:

  1. Doses Menores de 20 mg: Nestas doses, geralmente não há efeitos colaterais significativos.

  2. Doses Menores de 40 mg: Doses abaixo desse limiar tendem a produzir poucos efeitos colaterais.

  3. Fracionamento da Dose: Quando consumindo suplementos de até 40 mg/dia, é interessante fracionar a dose de ferro. Doses mais altas podem aumentar a presença de ferro no intestino, o que pode levar a efeitos colaterais.

Para fornecer ao organismo ferro de forma eficaz, é fundamental considerar a dieta. Alimentos ricos em ferro incluem espinafre, chicória, vagem, bacalhau, bife bovino e grão-de-bico. No entanto, para gestantes, muitas vezes, a suplementação de ferro é necessária, pois a dieta por si só pode não ser suficiente para atender às necessidades. 

Além disso, ao considerar a suplementação, é importante observar os níveis de cobre e zinco e suplementá-los, se necessário, especialmente em pacientes com anemia. É fundamental evitar doses farmacológicas excessivas de ferro, pois elas podem ser problemáticas.

Texto elaborado pela colunista Sara Cristina com base na palestra da nutricionista Renata Bagarolli.

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