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Nutrição Funcional na Saúde da Tireoide: Entendendo o Papel dos Nutrientes

A saúde da tireoide é fundamental para manter o bem-estar geral, com a glândula atuando na regulação do metabolismo, crescimento e desenvolvimento por meio da secreção de tiroxina (T4) e triiodotironina (T3). No entanto, as interrupções na função tireoidiana, especialmente o hipotireoidismo, são distúrbios endócrinos prevalentes que podem levar a uma miríade de problemas de saúde, incluindo obesidade, dislipidemia e distúrbios metabólicos.


Micronutrientes vs. Tireoide


A nutrição funcional, que se concentra em utilizar alimentos e nutrientes para otimizar a saúde e prevenir doenças, desempenha um papel significativo no suporte à função tireoidiana. Vários nutrientes essenciais são fundamentais para a síntese e o bom funcionamento dos hormônios tireoidianos. Entre eles, o iodo, o selênio e o zinco se destacam por seus papéis críticos na saúde da tireoide.


O iodo é fundamental para a síntese dos hormônios tireoidianos, sendo sua deficiência uma preocupação global de saúde pública. Uma ingestão adequada de iodo garante o funcionamento adequado do simportador de sódio-iodo (NIS) e a atividade de enzimas envolvidas na produção de hormônios tireoidianos. O selênio, outro micronutriente crucial, atua como cofator para enzimas envolvidas no metabolismo dos hormônios tireoidianos, protegendo a glândula tireoide contra danos oxidativos. A deficiência de zinco também foi relacionada ao hipotireoidismo subclínico, destacando a importância desse mineral na manutenção da função tireoidiana.


Impacto da Dieta na Função da Tireoide


Além dos micronutrientes, certos componentes da dieta podem influenciar a saúde da tireoide. O glúten, por exemplo, foi associado a uma maior prevalência de doenças tireoidianas autoimunes (AITD), destacando o papel potencial da dieta na modulação da função imunológica e autoimunidade tireoidiana. Da mesma forma, vegetais brassicáceos contêm compostos como glucosinolatos que podem interferir na síntese de hormônios tireoidianos quando consumidos crus em grandes quantidades.


Zinco: O zinco desempenha um papel importante na saúde da tireoide, pois é essencial para a síntese e regulação dos hormônios tireoidianos. Estudos mostraram que a deficiência de zinco pode estar associada ao hipotireoidismo subclínico, uma condição na qual os níveis de hormônios tireoidianos estão ligeiramente abaixo do normal, mesmo sem sintomas evidentes. O zinco é necessário para a atividade de certas enzimas envolvidas na conversão do hormônio tireoidiano T4 em sua forma ativa, T3. Além disso, o zinco desempenha um papel importante na regulação do sistema imunológico, ajudando a prevenir doenças autoimunes da tireoide.


Glúten: O glúten é uma proteína encontrada em cereais como trigo, cevada e centeio. Em algumas pessoas, o consumo de glúten pode desencadear uma resposta imunológica anormal, resultando em uma condição conhecida como doença celíaca. Estudos mostraram uma associação entre a doença celíaca e distúrbios autoimunes da tireoide, como a tireoidite de Hashimoto. Acredita-se que o glúten possa desencadear uma resposta autoimune na tireoide em indivíduos geneticamente predispostos, levando à inflamação e danos à glândula tireoide. Portanto, algumas pessoas com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten podem se beneficiar de uma dieta livre de glúten para ajudar a controlar os sintomas da tireoide.


Brassicáceas: As brassicáceas, também conhecidas como crucíferas, são uma família de vegetais que inclui alimentos como brócolis, couve-flor, couve de Bruxelas, repolho e rabanete. Esses vegetais são ricos em nutrientes e compostos bioativos, mas também contêm substâncias chamadas glicosinolatos. Quando consumidos crus, os glicosinolatos podem interferir na função da tireoide inibindo a absorção de iodo, um mineral essencial para a produção de hormônios tireoidianos. No entanto, o impacto das brassicáceas na saúde da tireoide é geralmente mínimo quando consumidas como parte de uma dieta equilibrada e variada. O cozimento ou o processamento térmico das brassicáceas pode reduzir a atividade dos glicosinolatos, minimizando seu potencial efeito sobre a tireoide.


Prática Clínica 


Para promover a saúde da tireoide, é essencial adotar uma dieta antiinflamatória, como a dieta do mediterrâneo, e garantir a ingestão adequada de nutrientes como vitamina D, zinco, selênio, magnésio, ferro, ácido fólico e vitamina B12. Reduzir o consumo de ácidos graxos saturados, açúcares e carboidratos refinados também é importante, pois esses alimentos tendem a ser pró-inflamatórios e podem afetar negativamente o funcionamento da tireoide.


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Sugestão de leitura: Fitoterápicos




Referências Bibliográficas

 

MEZZOMO, Thais Regina; NADAL, Juliana. EFEITO DOS NUTRIENTES E SUBSTÂNCIAS ALIMENTARES NA FUNÇÃO TIREOIDIANA E NO HIPOTIREOIDISMO. Demetra: Alimentação, Nutrição & Saúde, [S.L.], v. 11, n. 2, p. 1, 22 fev. 2016. Universidade de Estado do Rio de Janeiro.

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