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O fim das insulinas no tratamento do diabetes tipo 2?

Com toda certeza, você prescritor, atendeu um paciente com mais ou menos 35 anos, obeso, com glicemia de jejum e hemoglobina glicada alteradas. Nesse caso, você decidiu iniciar o tratamento com metformina ou algum outro hipoglicemiante oral conforme a necessidade do seu paciente. Em seguida, ajustou a dose, trocou o medicamento, orientou seu paciente a mudança do estilo de vida, e ele tampouco viu sentido no seu discurso. Por fim, numa consulta de retorno, seu paciente apresentou hemoglobina glicada de 9% e você iniciou o com insulinas. 

Eu e você sabemos que esse perfil de paciente é um dos mais frustrantes dentro do consultório. Certamente, há um erro de comunicação pois ele não compreende seu discurso de mudança de estilo de vida e você não agrega valor ao discurso. Entretanto, quando o assunto é insulinoterapia no paciente com diabetes mellitus tipo 2, o mercado mundial sempre esteve à frente de pesquisas para nos ajudar no tratamento do paciente recidivante a qualquer medida já tentada. 



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A Tirzepatida substitui a insulina no tratamento do diabetes tipo 2?

Insulinas basais melhores que a NPH surgiram com o intuito de melhorar a glicemia diária do paciente diabetico. Então, apareceram a Glargina, a Detemir e Degludeca, essa última com tempo de ação superior a 40 horas. De forma que também surgiram outras insulinas superiores e mais rápidas (ultra rápidas) comparadas a Insulina Regular, com tempo de início inferior a quinze minutos, a Lispro, a Asparte e a Glusilina ( a dica para decorar as insulinas ultra rápidas são as palavras com a letra “S” de speed ). 

Com certeza, são medicamentos muito bem estudados, aprovados com bom perfil de segurança e manejo. Infelizmente, sabemos que os efeitos colaterais dessa terapia medicamentosa são a hipoglicemia, que pode levar à morte, e o ganho de peso. Sim, a insulina é o hormônio mais anabólico que existe e imagine colocar mais dela em um paciente que, por diversos mecanismos fisiopatológicos, está resistente a ação dela com uma necessidade alarmante de perder peso?

O mecanismo celular envolvido na ação da insulina é o via mTor, da lipogênese, da inibição da glicogenólise e da gliconeogênese. Ou seja, inibe tudo que quebra e estimula tudo que cresce como célula gordurosa e tumores. Faz sentido para você? Sim, faz. Porque era essa a nossa única terapia até recentemente surgir um medicamento de uso semanal, duplo análogo de GLP-1 e GIP: a Tirzepatida.

Insulinas x Tirzepatida na Literatura

Recentemente, foi publicado um estudo que com certeza será citado por muitos nos próximos anos, ele é o Tirzepatide vs Insulin Lispro Added to Basal Insulin in Type 2 Diabetes The SURPASS-6 Randomized Clinical Trial, publicado no dia 03 de Outubro de 2023, na Revista JAMA, revelou que o uso da Tirzepatide comparado com a insulina Lispro, ambos em conjunto com insulina basal Glargina, para tratar pessoas com diabetes tipo 2. Eles analisaram como as mudanças nos níveis de HbA1c (um indicador de controle glicêmico) após 52 semanas de tratamento. Também observaram a variação no peso corporal e quantos pacientes atingiram a meta de HbA1c abaixo de 7,0%.

Os resultados mostraram que a Tirzepatida teve um efeito positivo no controle glicêmico, com uma redução média de 2,1% nos níveis de HbA1c, enquanto a insulina Lispro teve uma redução de apenas 1,1%. Isso resultou em níveis médios de HbA1c de 6,7% com a Tirzepatida e 7,7% com a insulina lispro. Além disso, mais pacientes atingiram a meta de HbA1c com a Tirzepatida (68%) em comparação com a insulina lispro (36%).

Tirzepatida, controle glicêmico e insulinas

Além disso, a Tirzepatida também teve um efeito positivo na perda de peso, com uma média de 9,0 kg a menos em comparação com um aumento de peso médio de 3,2 kg com a insulina Lispro. É o único tratamento descrito até agora que promoveu controle glicêmico dentro da meta associado a perda de peso.

E claro, é importante notar que alguns pacientes experimentaram efeitos colaterais leves a moderados, como náusea, diarreia e vômito, com o uso da Tirzepatida. Além disso, a ocorrência de hipoglicemia foi menos frequente com a Tirzepatida do que com a insulina Lispro, provavelmente esses episódios são atribuídos ao excesso da insulina basal usada no estudo.

Take home message

Podemos comemorar este estudo como uma verdadeira revolução no tratamento do diabetes tipo 2. Indivíduos que não tinham um controle adequado da doença mesmo com o uso de insulina basal, o uso semanal de Tirzepatida, em comparação com a insulina prandial, como tratamento adicional à insulina glargina, demonstrou reduções significativas nos níveis de HbA1c e no peso corporal, tudo isso com menos ocorrências de hipoglicemia.

Esses resultados abrem portas para uma abordagem mais eficaz e segura no tratamento do diabetes tipo 2, proporcionando aos pacientes uma maior qualidade de vida e controle glicêmico mais satisfatório sem correr risco de vida. É um motivo para comemorar, pois oferece esperança e perspectivas mais brilhantes no gerenciamento dessa condição desafiadora.

Referências

ROSENSTOCK, Julio; FRÍAS, Juan P.; RODBARD, Helena W.; TOFÉ, Santiago; SEARS, Emmalee; HUH, Ruth; LANDÓ, Laura Fernández; PATEL, Hiren. Tirzepatide vs Insulin Lispro Added to Basal Insulin in Type 2 Diabetes. Jama, [S.L.], v. 330, n. 17, p. 1631, 7 nov. 2023. American Medical Association (AMA).

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